Cursos de MBA no Brasil não dão título de mestre

Doutor da FGV explica diferenças existentes entre o MBA brasileiro e o oferecido nos EUA

A explosão dos cursos em nível de pós-graduação no Brasil tem trazido um clima de turbulência, contradições e desentendimentos para empresas e instituições de ensino. O alerta é do doutor  em educação Luís César de Araújo, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao advertir para a diferença dos conteúdos  dos cursos de MBA oferecidos no País em comparação com os da mesma sigla oferecidos nos Estados Unidos.

Segundo ele, os cursos de MBA oferecidos aqui não têm nenhuma similaridade com os da mesma sigla oferecidos nos Estados Unidos. Naquele país, diz o professor, quem conclui o MBA recebe o titulo de mestre em administração de negócios. Mas no Brasil, para receber este titulo é preciso cursar um mestrado e não um MBA. “No caso específico de administração, cursar o mestrado em administração de empresas”, exemplifica.

Luis César observa que o curso de MBA oferecido no Brasil surgiu em substituição aos cursos de pós-graduação de curta duração (50 horas de aula) que não mais atendiam as necessidades individuais e das organizações. Em alguns aspectos lembra o americano, como a duração e as disciplinas, mas as similaridades ficam por aí.  

A seleção para admissão é feita apenas com entrevistas, e a exigência de trabalhos varia de instituição para instituição, inexistindo o exame compreensivo final e o trabalho dissertativo, este sob orientação de um professor com titulo de doutor, como acontece em muitas universidades americanas.

Na avaliação dele, o MBA brasileiro é um curso de duração média - em torno de 360 horas de aula - e que não confere diploma algum, mas apenas certificado de conclusão ou aproveitamento, sem nenhum controle do Ministério da Educação. “É evidente que é um curso que oferece excelentes alternativas para os executivos, pois com uma duração próxima ou acima de um ano permite um melhor contato entre aluno e professor, o que torna os debates na sala de aula mais ricos, mas não é o conhecido MBA americano”, garante.

O curso correspondente ao MBA americano é, segundo o professor da FGV, o mestrado em administração de empresas, com 18 meses de duração, fora o tempo para dissertação, com disciplinas que exigem muitos trabalhos e, por exigência legal, um trabalho dissertativo, orientado obrigatoriamente por um professor com titulo de doutor obtido em instituições credenciadas pelo MEC.

EXIGÊNCIAS MAIORES PARA MESTRADOS

Existem hoje, segundo Luís César, dois tipos de mestrado: um acadêmico e outro executivo. O primeiro tem uma longa tradição e foi, originalmente, concebido para a área docente de ensino e pesquisa. “A sala de aula era formada, essencialmente, por professores ou aqueles desejosos de crescer por intermédio da docência”, explica ele. Esses cursos são oferecidos no período diurno, com aulas pela manhã e à tarde.

Com o tempo, prossegue ele, novas demandas surgiram e o mestrado passou a ser procurado por pessoas com desejo de acumular conhecimentos com a finalidade de aplicação em empresas, fazendo com que se estabelecesse as bases para o mestrado executivo.

O mestrado executivo, diz o professor, tem as mesmas exigências de ingresso e a duração é semelhante. Há trabalhos por disciplina e a exigência de um trabalho final dissertativo, com orientação de um professor doutor. As diferenças importantes estão na grade curricular, onde duas ou três disciplinas caracterizam o curso como executivo. Em ambas as modalidades, afirma o professor, é concedido o título de mestre em administração, permitindo ao portador do título lecionar em escolas de terceiro grau e universidades.

Na visão de Luis César, essas são as principais diferenças entre o MBA brasileiro e os mestrados  (acadêmico e executivo) . “Do MBA, que é um curso lato sensu, exige-se pouco para entrar e para sair, mas não se oferece o título ou diploma, ao contrário do mestrado, também chamado stricto sensu”, acrescenta ele, para quem apesar das diferenciações apresentadas, esses cursos oferecem condições a quem deseja incorporar mais conhecimentos e crescer como pessoa nesse universo de altíssima competitividade.

A Crítica - Manaus - Seção Cidades - 27 / Dez/ 2000 - Pg. C4