CONGRESSO DISCUTE A COMUNICAÇÃO CORPORATIVA

por Thiago de Góes
Jornalista

A empresa que não encarar a comunicação corporativa como área estratégica já sairá no mercado com uma clara desvantagem competitiva. Assim falou o ex-presidente da EMBRAER (Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A), Ozires Silva,em palestra proferida no 4º congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, que foi realizado em São Paulo, nos dias 5 e 6 de abril, no auditório do Centro de Convenções Rebouças.

Durante os dois dias, os mais de 600 participantes assistiram a várias palestras que reafirmaram a certeza da importância e do inevitável crescimento da comunicação empresarial no mundo atual. Dentre elas, algumas novidades foram apresentadas, como o surgimento de uma área a ser explorada por jornalistas que trabalham na comunicação corporativa: a Gestão de Conhecimento. Esta palestra foi apresentada por Jaime Teixeira Filho, que destacou a importância das Entrantes e da formação de Comunidades Virtuais no estabelecimento de fluxos internos de informação e conhecimento, que podem qualificar os funcionários e melhorar a produtividade da empresa.

Outra apresentação bastante esclarecedora foi a dos comunicadores da Companhia do Vale do Rio Doce, que ganharam o Prêmio Abre 2000, com o Projeto Ligue 100/BIS (Boletim Interno Semanal), que colhia sugestões e críticas dos funcionários da empresa, através de mensagens deixadas numa secretária eletrônica. Todas as mensagens eram respondidas e publicadas, junto com as respectivas críticas ou sugestões, num boletim semanal recheado de ilustrações que deram à publicação um caráter leve e engraçado.

O jornalista Manoel Chapar chamou atenção para o que ele chama de Revolução das Fontes , ou absorção do discurso e linguagem jornalísticos por parte das empresas. Segundo ele, esta revolução é uma conseqüência natural da democratização. "As instituições têm no jornalismo o principal espaço público de difusão dos seus discursos particulares, para os confrontos da atualidade, em todos os campos da atividade humana organizados sob a lógica da competição", afirma.

O finado Mário covas foi citado duas vezes. Na primeira, o presidente da abr            (Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial) lembrou da resposta que Covas deu à sua constatação de que o governo de São Paulo não se comunicava e que, por isso, os índices de popularidade do governador estavam baixos. Covas teria dito que o governo não deve gastar com publicidade e sim com projetos que melhorem a qualidade de vida da população. Ao que o presidente da abr retrucou: "comunicação e publicidade são matérias afins, mas não idênticas!". Resultado:com o governador convencido desta verdade e com a implantação sistemática da comunicação em seu governo, os índices de popularidade subiram.

Na segunda vez em que Covas  foi citado, o palestrante, Edson Luiz Visiona, lembrou da Lei  de Defesa  do Usuário do Serviço Público, implantada na administração Covas e que criou um sistema de Ouvidorias em todos os órgãos públicos que atendem diretamente o cidadão. Sobre esta nova função de Ouvidor ou Ombudsman, Edson declara: "Ouvir e dar conseqüência ao que ouve é uma prova de respeito ao cidadão, ao consumidor, à pessoa". E que todos trabalhem para que a comunicação empresarial ajude mais e mais a fomentar tão estimado respeito!