Organização/Departamentos/Comunicações e Artes

Gestão de Processos Comunicacionais


PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU - Especialização

Gestão de Processos Comunicacionais


O Resultado do Processo Seletivo para ingresso na Turma 9, do Curso de Pós-Graduação lato sensu Gestão de Processos Comunicacionais encontra-se no final deste site


A. OBJETIVOS                                                                                                           

Este curso tem por objetivo formar profissionais capazes de atuar no campo da comunicação, de maneira integrada: sem a fragmentação das diversas opções profissionais (publicidade, relações públicas, jornalismo etc.), das quais não prescinde e com as quais interage, esse profissional – gestor de processos comunicacionais – será capaz de articular as diversas mídias e os diversos suportes da comunicação, da interpessoal àquela que a sofisticação da tecnologia permite, mobilizando todas essas facetas em função dos objetivos de uma empresa, de uma instituição ou de uma escola.

Para tanto, o curso oferece aos alunos uma sólida formação teórica em comunicação, acompanhada de sua aplicação prática nas áreas empresarial, educacional e artístico-cultural; capacita o aluno para, articulando as diversas mídias, ser capaz de:

  • compor estratégias globais de comunicação, maximizando recursos;

  • habilita o aluno para, a partir da síntese entre os avanços tecnológicos e a criticidade, ter condições para elaborar implantar, avaliar e repropor projetos de Comunicação/Cultura, nos setores público e privado, mediante um planejamento global.

Trata-se, portanto, de um profissional que, abandonando a fragmentação da especialização, torna-se o especialista que medeia a totalidade.

Destina-se a profissionais de nível superior, de qualquer área do saber, que queiram mobilizar seus conhecimentos para o campo da comunicação, revelando interesse em conhecer as bases dos processos comunicacionais, ferramenta indispensável ao êxito de qualquer setor da sociedade .


O Departamento de Comunicações e Artes da ECA-USP oferece duas turmas por ano:

Curso de Pós-Graduação lato sensu
Gestão de Processos Comunicacionais com aulas durante a semana à noite

O Departamento de Comunicações e Artes (CCA) abriga professores oriundos de diferentes áreas do saber: Linguagem, História, Sociologia, Filosofia, Antropologia, entre outras. Durante todos esses anos de funcionamento da ECA-USP, o CCA elaborou, a partir dessas áreas, um campo de conhecimento que compreende a inter-relação de cada uma delas com as questões das Comunicações, da Cultura e das Artes, tanto do ponto de vista da pesquisa e do planejamento quanto da produção de conhecimento e da crítica.

Esse campo de conhecimento destinava-se, prioritariamente, a atender aos alunos das várias opções profissionais existentes na ECA, o que possibilitou um diálogo intenso com as especificidades das opções profissionais, num processo de concretização, no cotidiano das reflexões e da prática, do campo da comunicação.

A práxis desses docentes resultou na estruturação de um Curso com vistas à formação de um novo profissional na área Comunicação/Cultura/Artes: aquele que é capaz de coordenar ações que envolvam esses setores – o gestor de comunicação. Para tanto, levaram-se em consideração as mudanças que caracterizaram a contemporaneidade, não apenas nas áreas política e tecnológica, como também, sobretudo, na retomada que se busca de uma visão não compartimentada do saber, uma visão totalizadora dos problemas da sociedade, a partir da qual comunicação e cultura se entrelaçam, redimensionando-se o conceito e a prática da comunicação.

O Curso de Pós-Graduação lato sensu Gestão de Processos Comunicacionais teve início em agosto de 1993 e já formou cinco turmas, formando especialistas no campo da comunicação, capazes de inserir-se no cenário da contemporaneidade. Nesse cenário, os processos comunicacionais assumiram importância decisiva, exigindo profissionais capazes de utilizar, no exercício de seu papel de mediador, tanto a sensibilidade que o humanismo renovado permite, quanto a técnica que os avanços da ciência oferecem.

Nesse sentido, o Curso dirige-se a profissionais de nível superior das diferentes áreas do saber, capacitando-os para, a partir de um planejamento articulado das diversas mídias, compor estratégias globais de comunicação. Habilita o aluno para elaborar, implantar, avaliar e repropor Projetos de Comunicação/Cultura nos espaços empresarial, educacional e artístico-cultural.

É oferecida uma bolsa integral do curso para quem obtiver o primeiro lugar no processo seletivo.


Curso de Pós-Graduação lato sensu
Gestão de Processos Comunicacionais com aulas  aos sábados e domingos

Buscando atender à demanda de profissionais que estão no mercado e que não têm muito tempo para se reciclar, o curso  Gestão de Processos Comunicacionais, sem deixar de lado a excelência acadêmica, ampliou sua proposta e criou uma turma especial, com aulas aos sábados e domingos. No 2º semestre de cada ano abre nova turma do Curso com aulas aos sábados e domingos, o que demonstra o êxito que a proposta vem obtendo entre os profissionais de nível superior que buscam a aquisição de conhecimentos inovadores e atualizados sobre planejamento e avaliação de projetos de intervenção de Comunicação/Cultural, seja na área empresarial, educacional ou artístico-cultural.

O curso tem duração de três semestres, com aulas presenciais apenas nos dois primeiros, ocupando dois fins de semana por mês.

É oferecida uma bolsa integral do curso para quem obtiver o primeiro lugar no processo seletivo.


B. INFORMAÇÕES TÉCNICO-ADMINISTRATIVAS

Carga horária total: 900 horas

Duração do Curso: 3 semestres, sendo os dois primeiros com aulas presencias e o terceiro destinado à pesquisa de campo.

Período do Curso: março de 2002 a julho de 2003

Pré-requisito: formação superior em qualquer área do saber

Período de inscrição: 28 de janeiro a 22 de fevereiro de 2002

Taxa de inscrição: R$ 30,00 (trinta reais)

Local: Secretaria do Curso Gestão de Processos Comunicacionais

Período de seleção: 25 de fevereiro a 01 de março de 2002

Formas de seleção: prova escrita; entrevista; currículo documentado; carta de concordância da instituição, empresa ou local ao qual se vincula o projeto; parecer favorável do co-orientador (quando se tratar de aluno vindo de outros estados brasileiros ou de outros países) e plano de estudo que pretende desenvolver no curso, em três vias, compreendendo:

a) pequena descrição da instituição, empresa ou local que servirá de suporte para a elaboração do Projeto;

b) identificação do problema a ser pesquisado;

c) definição dos objetivos a serem atingidos;

d) relação que o candidato mantém com a instituição, empresa ou local ao qual se vincula o Projeto.

Período de matricula: 04 a 08 de março de 2002

Valor da semestralidade: R$ 2.400,00 (a serem pagos em até 6 parcelas). A 1ª parcela deverá ser recolhida no ato da matrícula.

Número de vagas: 60, mínimo de 20 alunos

Certificado: Especialista em Gestão de Processos Comunicacionais (nível de pós-graduação lato sensu)

Horário do Primeiro Semestre do Curso

De Segunda a Quarta-Feira das 19h às 22:30h 

As quintas-feiras são reservadas para atividades extra-curriculares

Formas de avaliação e critérios de aprovação final:

Elaboração do Projeto

Defesa diante de Comissão Julgadora, composta de três membros, um deles profissional da área

Equipe: Profs. Drs. Maria Aparecida Baccega (Coordenadora); Maria Cristina Castilho Costa (Vice-Coordenadora); Adílson O. Citelli; Ismar de Oliveira Soares; Roseli Aparecida Fígaro; Maria Immacolata Vassallo de Lopes; Maria Lourdes Motter; Solange Martins Couceiro de Lima. Colaborador: Prof. Dr. Octávio Ianni


Normas de regulamentação do processo seletivo

  (Edital publicado no D.O.E.; Poder Executivo, Seção I, São Paulo, de 06 de junho de 2001)

Comunicado

Estarão abertas no período de 28 de janeiro a 22 de fevereiro de 2002, das 9h30 às 20h, no prédio central da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, andar térreo, sala 13, na secretaria do Curso de Pós-Graduação lato sensu “Gestão de Processos Comunicacionais”, do Departamento de Comunicações e Artes, inscrições para candidatos a alunos regulares do Curso, com um total 60 (sessenta) vagas.

Poderão candidatar-se à seleção portadores de diploma de graduação, em qualquer área do conhecimento, obtido em instituições de ensino superior nacionais ou estrangeiras, nos termos da legislação vigente na Universidade de São Paulo.

No ato da inscrição os candidatos deverão apresentar os seguintes documentos:

  I.    fotocópia legível da carteira de identidade e do CPF;

 II. fotocópia do diploma, registrado, de curso de graduação;

 III.fotocópia do histórico escolar correspondente ao curso de graduação concluído;

 IV.quatro fotos 3X4;

 V.   “curriculum vitae” documentado (anexar documentos comprobatórios);

 VI.plano de estudo que pretende desenvolver no curso, em 3 (três) vias, compreendendo:

·       breve descrição da instituição, empresa ou local que servirá de suporte para a elaboração do Projeto;

·       identificação do problema a ser pesquisado;

·       definição dos objetivos a serem atingidos;

·       relação que o candidato mantém com a instituição, empresa ou local ao qual se vincula o projeto.

VII.carta de concordância da instituição, empresa ou local onde pretende desenvolver o projeto;

 VIII.parecer favorável do co-orientador (quando se tratar de aluno oriundo de outros estados brasileiros ou de outros países);

 IX.comprovante de recolhimento, junto à Secretaria do Curso, no valor de R$ 30,00 (trinta reais);

 O processo de seleção, que consiste de prova escrita e entrevista, será realizado no período de 25 de fevereiro a 01 de março de 2002.

 A prova escrita será realizada no dia 25 de fevereiro de 2002, às 10h, no edifício central da ECA, e constará da redação de um texto sobre tema da atualidade. O resultado será divulgado no dia 26 de fevereiro de 2002, às 10h, no Departamento de Comunicações e Artes, no quadro de avisos do curso. Os candidatos que obtiverem nota mínima 7,0 (sete) na prova escrita submeter-se-ão à entrevista.

 As entrevistas serão realizadas no período de 27 de fevereiro a 01 de março, manhã e tarde, no andar térreo do edifício central da ECA, conforme escala afixada no dia 26. Na entrevista serão avaliados o currículo e a viabilidade do plano de estudo.

 A homologação dos resultados da seleção caberá à Banca Examinadora e sua divulgação se dará no dia 04 de março de 2002.

 Os candidatos aprovados efetuarão sua matrícula no período de 04 a 08 de março de 2002. O valor da primeira semestralidade será de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), a serem pagos em até 6 (seis) vezes, no período de março a agosto de 2002. A 1ª parcela deverá ser recolhida no ato da matrícula, ocasião em que será firmado Termo de Trabalho e Aprendizagem. As demais semestralidades serão corrigidas pelo IPC/FIPE.

 O Curso tem uma carga horária total de 900 (novecentas) horas, distribuídas nas modalidades presencial e a distância, com duração de 3 (três) semestres, sendo um deles dedicado à elaboração do projeto de intervenção.

 Os casos omissos serão decididos pela Coordenação do Curso de Pós-Graduação lato sensu “Gestão de Processos Comunicacionais” do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP.

 Informações poderão ser obtidas junto à Secretaria do Curso de Pós-Graduação lato sensu “Gestão de Processos Comunicacionais”, do Departamento de Comunicações e Artes da ECA, através do telefax: (011) 3818.4341, pelo fax: (011) 3818.4867 ou pelo e-mail: gestcom@edu.usp.br. Site: www.eca.usp.br/departam/cca/cursos/latosens/index.htm.

 


SOBRE O PLANO DE ESTUDO

Tendo em vista numerosas perguntas feitas sobre o Plano de Estudo, houvemos por bem acrescentar algumas informações, procurando, desse modo, esclarecer melhor o interessado.

Primeiramente, queremos ratificar que um dos objetivos do Curso é capacitar o aluno para elaborar, implantar, avaliar e reestruturar projetos de comunicação/cultura, prática que será desenvolvida durante o Curso, imersa sempre numa sólida formação. Essa formação deverá constituir-se na garantia de que o profissional que formamos será capaz de atuar em diferentes áreas, operacionalizando adequadamente o conhecimento teórico-prático adquirido no desenvolvimento do Curso. Esses os motivos por que solicitamos o "Plano de Estudo".

O "Plano de Estudo" – redigido em cerca de duas laudas –, que no decorrer do Curso se transformará em PRÉ-PROJETO e depois no PROJETO propriamente dito, constitui o espaço que garantirá a efetivação da relação da teoria com a prática, motivo por que ele é indispensável. Explicitando: as teorizações dialogarão, durante todo o Curso, com tal "Plano de Estudo".

PARTES DO PLANO DE ESTUDO

  1. Breve descrição da instituição, empresa ou escola onde pretenda desenvolver o projeto

    Trata-se de descrição bastante resumida, até porque ela será ampliada logo no início do Curso com o roteiro que o aluno recebe para elaborar seu pré-diagnóstico. Deve conter, pelo menos, nome da empresa, instituição ou escola, endereço, atividade que desenvolve, público que atinge etc.

  2. Identificação do problema a ser pesquisado

    Caracterizar o problema que constituirá o objeto da pesquisa, reunindo os seus diversos aspectos. Entende-se por problema da pesquisa o assunto, o tema que, a priori será trabalhado.

  3. Definição dos objetivos a serem atingidos

    O Curso, como o nome indica, trata de "gestão de processos comunicacionais". Ou seja, há a suposição de que, nessa instituição, escola ou empresa descrita no tópico anterior, há questões de comunicação/cultura ou que se manifestam nesse campo, que devem ser avaliadas, analisadas, diagnosticadas, resolvidas ou incrementadas. Muitas vezes, é o processo formal de comunicação que precisa ainda ser implantado. Os objetivos, portanto, advêm daí. Ou seja, advêm do problema indicado.

  1. Relação que o candidato mantém com a escola, empresa ou instituição

    Explicitar se o candidato trabalha para a instituição; se não, que tipo de interesse move sua relação com ela (por ex. posso não trabalhar numa escola determinada, mas pretendo elaborar PROJETO DE COMUNICAÇÃO/CULTURA para aquela unidade, em função de meu interesse pelo campo comunicação/educação).Ou seja: o candidato não precisa estar trabalhando na instituição.

  2. Carta de concordância da escola, empresa ou instituição

    É fundamental que haja concordância da instituição, empresa ou escola, pois certamente serão necessários dados, pessoas deverão ser entrevistadas, etc.

    Como se vê, o "Plano de Estudo" é indispensável ao desenvolvimento do Curso de Pós-graduação lato sensu "Gestão de Processos Comunicacionais" e deve ser apresentado no ato da inscrição.

A Coordenação – 25/10/99


C. ESTRUTURA PEDAGÓGICO-CURRICULAR

APRESENTAÇÃO*

* Baccega, Maria Aparecida. O campo da comunicação (síntese). A versão integral está publicada em Corrêa, Tupã Gomes (org.). Comunicação para o mercado: instituições, mercado, publicidade. São Paulo: Edicom, 1995. pp. 51-62.

A chamada cultura de massa e as demais culturas convivem, nem sempre pacificamente, nos mesmos espaços. Os choques entre elas se manifestam de maneira mais ou menos evidente. Desses choques vem resultando um novo fazer cotidiano onde se manifestam, concomitantemente, a solidariedade e o individualismo, a reunião de pessoas e o ensimesmamento.

A fragmentação das várias culturas, que pareciam cristalizadas, a separação intransponível entre o público e o privado já não se marcam tão eficazmente. O que antes se ocultava, hoje se mostra com meridiana clareza, procurando garantir seu espaço. A vida das pessoas, quer na zona rural ou urbana, quer nos pequenos ou grandes centros, se desenrola num cotidiano permeado de contradições, avanços e recuos.

Percebe-se hoje, no mundo, um repensar de caminhos, que se manifesta em propostas diferenciadas de inserção do homem na realidade. Todas as culturas lutam para ter vez e voz. Sob a aparente fragmentação, está em construção o mundo da globalidade, entendida como o espaço onde o jogo das diferenças se coloca como manifestação de identidade a ser resgatada e respeitada.

Os meios de comunicação de massa, graças aos avanços da tecnologia, desempenham, nessa realidade, o papel de "costura", de amálgama de pólos às vezes díspares, às vezes complementares, fazendo resultar uma outra concepção de profissional para atuar nessa área.

Nesse cenário, a Comunicação/Cultura/Artes estabelece, também, seus novos caminhos: não mais a fragmentação da especialização e sim a especialização que medeia a globalidade. Constata-se, assim, a imposição de um novo profissional nessa área: o Gestor de Processos Comunicacionais. Ou, simplificando, o Gestor de Comunicação.

I. O Campo da Comunicação

Esse novo profissional trabalha no campo da comunicação, o qual se constitui de múltiplas variáveis que se esbarram, se atropelam, lutam entre si, que parecem desaparecer – e voltam vigorosas – que, de modo algum, enfim, são neutras. Só a atuação de todas e de cada uma delas garante que nesse campo se manifeste, de modo específico, a construção de sentidos novos, renovados, ou mesmos sentidos com roupagens outras, sempre inter-relacionados à dinâmica da sociedade, lugar último e primeiro onde os sentidos verdadeiramente se constróem.

1. As opções profissionais

Entre essas variáveis podemos destacar as várias opções profissionais: jornalismo, relações públicas, publicidade, editoração, profissional de televisão, rádio, cinema e turismo, de teatro, artes plásticas ou música, bibliotecário ou documentalista, cada uma com suas especificidades teórico-metodológicas e práticas. O campo da comunicação interage com cada uma delas, alargando-se nelas e manifestando um resultado outro, no qual se percebe a reconfiguração das características dessas especializações, um dos fundamentos de um sentido novo e base necessária para o planejamento integrado no setor de comunicação.

2. O intercâmbio enunciador/enunciatário

Esse sentido novo resulta, também, do intercâmbio de posições enunciador/enunciatário. A apreensão desse movimento é outra característica do campo da comunicação.

a) Todo indivíduo/sujeito que produz qualquer programa, qualquer produto da chamada indústria cultural é um sujeito enunciador ("emissor") no sentido de que é o formulador de um discurso de comunicação, ele é o agente desse discurso; mas ele é, ao mesmo tempo, enunciatário ("receptor") de todos os discursos sociais que caracterizam a realidade em que vive, na qual se construiu como indivíduo comunicador. São valores, estereótipos, manipulações e simulacros que caracterizam seu universo. São aspectos que, de algum modo, estão presentes nele. E o indivíduo/comunicador os "recebe" através de filtros, cuja elaboração a própria sociedade possibilitou e de que nem sempre ele tem consciência. Logo, o sujeito que elabora os produtos dos meios de comunicação é ele próprio um enunciador/enunciatário.

b) Do outro lado, no pólo da chamada "recepção", vamos encontrar também um indivíduo/sujeito, portador de configurações, de verdades e valores que permeiam o imaginário, presentes no cotidiano das pessoas, dos grupos, das classes sociais. Ele tem um universo próprio, o qual se coloca em movimento quando ele ouve, vê ou lê qualquer produto. Ele é enunciatário no sentido de que seu universo – ou a visão que o comunicador tem de seu universo – está incorporado no discurso que ele "recebe". Ele é o alvo desse discurso.

Mas ele não é tão-somente um recipiente onde se colocam tais discursos, como se fossem produtos maleáveis que vão se acomodando ao formato prévio, imaginado pelo enunciador. Pelo contrário, ele é um indivíduo/sujeito ativo, que, ao "ler" o discurso da comunicação, utiliza-se de todos os outros discursos sociais por ele apropriados. São esses discursos que embasam a leitura do novo.

A comunicação, porém, só se efetiva, como sabemos, quando, mais que apropriação, há incorporação do discurso "emitido". Essa incorporação só ocorre e só pode ser verificada quando se manifesta: esse discurso outro, construído no encontro dos dois pólos – "emissor" e "receptor" – inicia um novo processo comunicacional. O enunciatário é, portanto, enunciador ("emissor") desse discurso outro, incorporado. Ele é, portanto, um enunciatário/enunciador.

3. As relações com as Ciências Sociais

As Ciências Sociais constituem o núcleo primeiro dos estudos de comunicação: o campo da comunicação resulta delas, configurando-se como realidade outra. Ele é fruto de um processo que se inicia com a tentativa de mera "reprodução" das metodologias daquelas ciências, passa pela fase de apropriação e segue para sua incorporação. A incorporação reconstitui as Ciências Sociais, numa permanente interdiscursividade.

Na verdade, consideramos que se pode falar de dois momentos distintos das inter-relações entre Ciências Sociais e Comunicação.

a) O discurso científico, como sabemos, deve ser "lido" à luz do domínio da ciência que o formulou: ou seja, está inserido num processo de conhecimento específico, que possibilita que o passo seguinte de uma descoberta científica já esteja virtualmente contido no que acaba de ser materializado. Num primeiro momento, os estudos de comunicação procuram "reproduzir" tais percursos científicos.

A "reprodução", porém, mostra-se impossível: aquela ciência estava sendo alocada em outro domínio – o da comunicação, o que implicava viés de sentido. Ou seja: o simples fato de as Ciências Sociais terem se deslocado de seus domínios originais resulta numa refração. Essa refração reconfigura a própria característica da ciência e começa a possibilitar uma outra dinâmica aos estudos de comunicação. Inicia-se, assim, o percurso rumo à apropriação das Ciências Sociais. Podemos falar, aqui, de um primeiro momento de metassignificação.

Ou seja: os estudos de comunicação vão se constituir a partir das Ciências Sociais estabelecidas; utilizando-se de cada uma delas, a comunicação vai reconfigurá-las, vez que elas deixam seu domínio de origem e passam a participar de um outro. Ocorre, portanto, um primeiro nível desse processo de metassignificação que resulta do diálogo delas com a comunicação. Assim se inicia e se estabelece o processo de apropriação.

b) Ao serem apropriadas, porém, cada uma das Ciências Sociais, que já haviam começado a se deslocar de seus domínios, passam a dialogar com as outras, as quais também se encontram fora de seus domínios, incorporadas aos estudos de comunicação; encontram-se também, portanto, reconfiguradas.

Trata-se de um segundo nível de metassignificação, possibilitado pelo intercâmbio de cada uma das ciências apropriadas com as demais ciências também apropriadas, de que resulta um discurso científico outro, onde as Ciências Sociais se manifestam com especificidade diversa: a Filosofia, a História, a Sociologia, a Linguagem etc., deslocadas de seus domínios de origem, reconfiguradas no confronto com as demais ciências na mesma situação, são agora incorporadas pelos estudos de comunicação. É a interdiscursividade. Anos de estudos teórico-práticos consolidam a constituição desse novo campo. Esse é o modo que, hoje, as Ciências Sociais embasam o campo da comunicação.

4. As interações

É nesse campo da comunicação que se estruturam, mais ou menos lentamente, novos sentidos, novos valores. O discurso outro que aí circula arranca as palavras do cotidiano para com elas construir-se; contém tanto o "efetivamente" vivido como as possibilidades humanas do viver. Apreende e manifesta tanto a consciência social quanto a consciência estética. O discurso da comunicação é resultado, também, dos discursos da História e da Ficção.

O campo da comunicação é a base teórico-metodológica e prática do novo profissional: o gestor de comunicação.

II. Características do Curso

1. A construção do Curso

O Departamento de Comunicações e Artes (CCA) abriga professores oriundos de diferentes áreas do saber: Linguagem, História, Sociologia, Filosofia, Antropologia, entre outras. Durante todos esses anos de funcionamento da ECA-USP, o CCA elaborou, a partir dessas áreas, um campo de conhecimento que compreende a inter-relação de cada uma delas com as questões das Comunicações, da Cultura e das Artes, tanto do ponto de vista da pesquisa e do planejamento quanto da produção de conhecimento e da crítica.

Esse campo de conhecimento destinava-se, prioritariamente, a atender aos alunos das várias opções profissionais existentes na ECA, o que possibilitou um diálogo intenso com as especificidades das opções profissionais, num processo de concretização, no cotidiano das reflexões e da prática, do campo da comunicação.

A práxis desses docentes resultou na estruturação de um Curso com vistas à formação de um novo profissional na área Comunicação/Cultura/Artes: aquele que é capaz de coordenar ações que envolvam esses setores – o gestor de comunicação. Para tanto, levaram-se em consideração as mudanças que caracterizaram a contemporaneidade, não apenas nas áreas política e tecnológica, como também, sobretudo, na retomada que se busca de uma visão não compartimentada do saber, uma visão totaliza-dora dos problemas da sociedade, a partir da qual comunicação e cultura se entrelaçam, redimensionando-se o conceito e a prática da comunicação.

2. O perfil do profissional

O profissional que se pretende deverá dar conta do uso crítico das tecnologias, já presentes em cada uma das opções profissionais da área de Comunicação Social (aqui incluídos os aspectos das Artes), de forma a saber planejar seu uso com a máxima eficácia, adequando-as aos objetivos do novo mundo que se constrói.

Esse profissional comunicador é aquele capaz de cumprir o seu papel de mediador, utilizando-se, com o mesmo peso, da sensibilidade e da técnica. Como diz a Universidade Stendhal, de Grenoble, busca-se a "formação de cérebros para o século XXI" e não a mera especialização profissional, que muitas vezes leva o indivíduo a um mesmo recorte da realidade, a qual, por isso, acaba por se apresentar como uma estrutura repetida e repetidora.

Esse "profissional do século XXI" há de ser capaz de perceber, distanciando-se e envolvendo-se, a dinâmica da vida social, a gestação do novo manifestada no cotidiano, a diassincronia das interações, as tecnologias como mediadoras privilegiadas pela condição que têm de ampliar, redimensionando, a própria vida social.

Para que isso ocorra, é necessário romper as barreiras das disciplinas sem descaracterizar-lhes a especificidade; possibilitar uma sólida formação humanística, na base de um humanismo renovado, que possibilite ao profissional perceber a ação interativa das questões sociais; oferecer-lhe condições de alargamento da sensibilidade, sem a qual ele não conseguirá abandonar o automatismo das decisões prontas, num mero gesto de reprodução. E tudo isso aliado a uma prática contínua, com objetivos claros, num processo de inter-relação com a sociedade.

3. As relações com universidades brasileiras e estrangeiras

O Curso de Pós-Graduação lato sensu Gestão de Processos Comunicacionais teve início em agosto de 1993 e já formou quatro turmas. Concentra o período de estudos na Universidade em dois semestres, permitindo, desse modo, que o aluno possa efetivar seu Projeto, no último semestre, no local de origem. O Curso Gestão de Processos Comunicacionais aceita brasileiros residentes fora de São Paulo e alunos estrangeiros, sempre em cooperação com instituições universitárias co-responsáveis.

Nesse caso, são criadas parcerias com instituições universitárias, as quais se responsabilizarão pela seleção dos alunos nos seus locais de origem e pelo acompanhamento do Projeto desses alunos, em sua elaboração definitiva, no final do Curso. Haverá, portanto, um diálogo permanente entre os orientadores da Sede do Curso com os co-orientadores dos locais de origem, o que permitirá um intercâmbio intelectual altamente benéfico para o desenvolvimento do Curso.

A estas instituições caberá:

a) efetuar uma primeira seleção, entre os inscritos em seu Estado (no caso do Brasil) ou no seu país;

b) enviar para a seleção final, no CCA-ECA-USP, os candidatos previamente aprovados, acompanhados de Parecer;

c) acompanhar a realização do pré-diagnóstico, tarefa inicial do Curso, e a elaboração definitiva dos Projetos dos alunos, no último semestre do Curso;

d) preferencialmente, acompanhar seus orientandos quando da defesa do Projeto, na Sede do Curso.

O Curso efetivará uma avaliação dos alunos no final do Segundo Semestre, com base na qual a Universidade considerará o aluno "apto" ou "não apto" para desenvolver (no 3º semestre), em suas instituições de origem, os Projetos escolhidos. Em caso positivo, o aluno retornará à sua instituição para elaboração final de seu Projeto, voltando a São Paulo para o último procedimento avaliativo, que consiste na defesa, diante de uma Comissão Julgadora, do Projeto de Trabalho realizado durante o Curso. Tal Comissão será composta de três membros, um dos quais obrigatoriamente profissional ligado ao setor Comunicação/Cultura/Artes, na área do Projeto.

4. A operacionalização do Curso

O desenvolvimento do Curso Gestão de Processos Comunicacionais ocorre em duas modalidades: presencial e a distância, num equilíbrio que favorece o processo ensino-aprendizagem.

Cada um dos Núcleos (são 5 por semestre, com 48 horas de atividades) será desenvolvido em 24 horas presenciais e as restantes, a distância. As 24 horas a distância serão cumpridas pelos alunos com as seguintes atividades: leituras programadas, que objetivam aprofundar as questões que foram tratadas na parte presencial do Núcleo; visitas programadas a empresas, escolas ou instituições, escolhidas de acordo com o projeto de cada aluno, objetivando ampliar seu conhecimento sobre o espaço no qual ele está realizando o projeto (empresarial, educacional ou artístico-cultural); entrevistas estruturadas com personalidades que se destacam nos campos de interesse do aluno e do Curso; acompanhamento de eventos, que consideramos especialmente importante, por tratar-se de um caminho adequado para a atualização de conhecimentos; os eventos (Seminários, Simpósios, Conferências, Semanas, Congressos, Encontros etc.) serão, prioritariamente, os que ocorrem no âmbito da própria USP, nada impedindo que sejam também promovidos por outras instituições de reconhecida credibilidade.

Desse modo, o Curso, sem deixar de lado a excelência acadêmica, torna-se acessível a profissionais que, engajados no mercado de trabalho, nem sempre dispõem de todas as noites da semana, em horário rígido, para continuarem sua formação educacional.

Essa dinâmica possibilitará ao aluno agilizar as etapas empíricas do desenvolvimento de seu projeto; as novas necessidades de conhecimento, que sempre se desenham no percurso, serão atendidas, também, nos encontros e seminários que serão realizados inclusive no último semestre, com o objetivo de auxiliá-lo nessa etapa de análise e conclusão de seu projeto.

Evitando a concentração de atividades de um só gênero, esse fluxo de trabalho possibilita uma aprendizagem mais eficaz.

III. Objetivos

O Curso Gestão de Processos Comunicacionais tem por objetivo:

a) a construção de um referencial científico, manifestação do campo da comunicação, como embasamento para a adequada formação teórica do gestor de processos comunicacionais;

b) a formação deste profissional como resultado dos avanços das reflexões na inter-relação Comunicação/Cultura/Artes e do diálogo permanente entre as várias especialidades na área da Comunicação Social, delimitando seu perfil;

c) a capacitação do aluno para, a partir de um planejamento articulado das diversas mídias, compor estratégias globais de comunicação, maximizando recursos;

d) a habilitação do aluno para, a partir desse referencial, ter condições para elaborar, implantar, avaliar e repropor Projetos de Comunicação/Cultura/Artes, nos setores público e privado, mediante um planejamento global.

IV. Procedimentos Metodológicos

O Curso terá 900 horas de duração, distribuídas em três Etapas, além de um Módulo Introdutório. Os Núcleos, com atividades presenciais e atividades na modalidade a distância, serão ministrados nos Módulos que compõem cada um dos dois primeiros semestres.

1. Módulo Introdutório: 100 horas

Após a seleção e antes do início das aulas, o aluno dedicará 100 horas, ainda em seu país, estado ou mesmo em São Paulo, para se preparar para o Curso, realizando leituras que facilitem a aquisição de conceitos básicos para o desenvolvimento futuro de seu Projeto, assim como elaborando um diagnóstico provisório da realidade comunicacional da instituição a que se destina seu Projeto. Este diagnóstico será realizado a partir de um roteiro fornecido pelo Núcleo Planejamento e Avaliação de Projetos de Comunicação/Cultura. As leituras serão constituídas dos textos produzidos pelos Coordenadores dos Núcleos, aos quais se somarão textos de uma bibliografia recomendada.

SÍNTESE

Leituras Obrigatórias
Elaboração do pré-diagnóstico

(Total: 100 horas)

 Os Núcleos, compostos de 48h, terão 24h de aulas presenciais. As demais 24h, a distância, serão realizadas através de atividades programadas, que incluem leituras, visitas, entrevistas, acompanhamento de eventos etc., como vimos anteriormente. Tais atividades serão indicadas e supervisionadas pelo Coordenador do Núcleo. Os alunos apresentarão relatórios de cada uma delas.

2. Primeira Etapa: 260 horas (1º semestre do Curso)

A Primeira Etapa (1º semestre do Curso) será dividida em dois Módulos: o primeiro com três Núcleos e o segundo com dois Núcleos.

Módulo 1 – Teorias da Comunicação: Núcleo (48h)

– Cotidiano e Linguagem: Núcleo (48 h)

– Planejamento e Avaliação de Projetos de Comunicação/Cultura: Núcleo (48h)

Módulo 2 – Comunicação e Educação: Núcleo (48h)

– Administração e Ação Comunicativa: Núcleo (48h)

Além desses Núcleos, esta Etapa contempla Seminários (um seminário por mês), organizado pelo Curso de acordo com as necessidades de desenvolvimento dos projetos, tendo em vista que se trata de clientela altamente heterogênea quanto à área de saber e à formação profissional de cada aluno.

Nesses Seminários mensais, serão discutidas: a) as inter-relações entre os Núcleos, do ponto de vista da formação de uma base teórico-prática indispensável à visão de globalidade que deve caracterizar o gestor; b) as inter-relações entre o produto do intercâmbio dos Núcleos e a elaboração do Projeto.

SÍNTESE

Módulo 1: a) Teorias da Comunicação: Núcleo (48h)
b) Cotidiano e Linguagem: Núcleo (48h)
c) Planejamento e Avaliação de Projetos de Comunicação/Cultura: Núcleo (48h)

Módulo 2: a) Comunicação e Educação: Núcleo (48h)
b) Administração e Ação Comunicativa: Núcleo (48h)
Seminário Mensal: conforme especificado (20h)

(Total: 260 horas)

3. Segunda Etapa: 260 horas (2º semestre do Curso)

Na Segunda Etapa (2º semestre do Curso), serão ministrados, também em dois Módulos, de três e dois Núcleos, respectivamente, os seguintes Núcleos:

Módulo 3 – Estética dos Meios de Comunicação: Núcleo (48h)

– Políticas de Comunicação/Cultura: Núcleo (48h)

– Metodologia da Educação para a Comunicação na América Latina: Núcleo (48h)

Módulo 4 – Metodologia da Pesquisa em Comunicação e Cultura: Núcleo (48h)

– Processos de Produção em Comunicação/Cultura: Núcleo (48h)

Também nesta Etapa haverá Seminários mensais, com os mesmos objetivos dos realizados no 1º semestre, introduzindo-se as inter-relações entre o produto do intercâmbio dos Núcleos e a elaboração do Projeto, de acordo com as especificidades que, predominantemente, os caracterizam: gestão de processos comunicacionais no espaço empresarial, gestão de processos comunicacionais no espaço educacional e gestão de processos comunicacionais no espaço artístico/cultural.

SÍNTESE

Módulo 3: a) Estética dos Meios de Comunicação: Núcleo (48h)
b) Políticas de Comunicação/Cultura: Núcleo (48h)
c) Metodologia da Educação para a Comunicação na América Latina: Núcleo (48h)

Módulo 4: a) Metodologia da Pesquisa em Comunicação/ Cultura: Núcleo (48h)
b) Processos de Produção em Comunicação/ Cultura: Núcleo (48h)
Seminário Mensal: conforme especificado (20h)

(Total: 260 horas)

4. Terceira Etapa: 280 horas (3º semestre do Curso)

Nesta Etapa (3º semestre do Curso), o aluno se deslocará ao espaço contemplado em seu Projeto (empresa, instituição ou escola) e que já foi objeto do diagnóstico inicial, para realizar, no campo, não só a revisão desse diagnóstico como também começar a verificar a adequação da arquitetura do projeto de intervenção que vem construindo ao longo do Curso. Todo o trabalho é acompanhado pelo professor orientador.

A escolha de um dos professores dos Núcleos como orientador é privativa do aluno, respeitando-se a relação de afinidade com o Projeto em desenvolvimento e o limite do número de orientandos permitido a cada orientador. Quando se tratar de aluno cujo espaço contemplado se situa fora de São Paulo, acresce-se a esse orientador um co-orientador de seu estado ou país de origem. Esse co-orientador será conveniado com o Curso, a quem compete definir, eventualmente, colaborações de outros docentes/ pesquisadores de sua Universidade que julgar necessárias para o pleno desenvolvimento do projeto.

Também nesta Etapa haverá Seminários, cuja temática acompanhará as necessidades da turma. Desses Seminários deverão participar especialistas nos vários setores objeto de estudo dos alunos.

Este é o Semestre no qual se dá a elaboração final do Projeto de Gestão de Processos Comunicacionais e sua defesa diante de Comissão formada por um acadêmico e um especialista do mercado, além do orientador.

SÍNTESE

a) Revisão do Diagnóstico
b) Seminários
c) Elaboração Final do Projeto de Gestão de Processos Comunicacionais

(Total: 280 horas)

V. Conteúdo Programático

Os Conteúdos Programáticos dos Núcleos privilegiam a mobilização das especificidades dos conhecimentos para a inter-relação Comunicação/ Cultura/Artes. Em cada Núcleo haverá uma fundamentação teórica a ser ministrada por seus Coordenadores, além do estabelecimento do diálogo dessa especificidade com outras áreas do saber. Para a formalização desse diálogo serão convidados especialistas das outras áreas. Neste percurso se manifesta a preocupação básica de todos os Núcleos que é a consolidação de uma visão global da realidade, numa permanente ação interativa, conforme a natureza do perfil do Gestor exige.

VI. Avaliação

As discussões sobre procedimentos avaliativos resultaram no seguinte percurso:

1. Reserva-se a cada Núcleo o procedimento avaliativo que considerar condizente com seu conteúdo.

2. A avaliação do Curso, de maneira global, se dará em dois momentos:

a) ao término dos dois primeiros semestres. Nesse momento, os alunos serão avaliados sobre suas possibilidades de elaborar Projetos de Gestão de Processos Comunicacionais: serão levados em consideração o aproveitamento nos Núcleos e o desempenho na elaboração dos exercícios solicitados em função da elaboração dos projetos, nas áreas específicas. Essa Avaliação será resultado do conjunto dos Coordenadores dos Núcleos e o aluno será considerado "apto" ou "não apto" para desenvolver seu Projeto. Caso seja considerado "não apto", o aluno receberá os atestados correspondentes à sua freqüência nos Núcleos;

b) ao término do 3º semestre – Avaliação Final para a obtenção do Grau de Especialista em Gestão de Processos Comunicacionais. Essa Avaliação será realizada após a entrega à Coordenação do Curso do Projeto final, devidamente analisado e julgado pelo orientador e co-orientador (quando se tratar de aluno de fora da Sede). Consistirá na apresentação e defesa do seu Projeto perante uma Comissão Julgadora, formada de acordo com as normas da Pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da USP, e na qual se garantirá sempre a presença de um profissional ligado à Área do Projeto.

Na definição do grau de aproveitamento serão levados em conta tanto o aproveitamento durante o Curso (resultados obtidos em cada Núcleo e no final da 2ª Etapa) quanto o aproveitamento na Elaboração do Projeto (3ª Etapa).

VII. Bibliografia Básica

É a que atende aos Objetivos de cada Núcleo. A complementação bibliográfica se dará durante o desenvolvimento de cada Núcleo, de acordo com as transformações da sociedade, levando-se em conta o cotidiano tanto do ponto de vista social quanto profissional. Para isso, serão utilizados, além de publicações mais recentes, jornais diários, revistas, programas televisivos, emissões radiofônicas etc.

VIII.  Notas Finais

A estrutura didático-pedagógica está assim fixada:

Coordenadora Geral: Profa. Dra. Maria Aparecida Baccega

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Maria Cristina Castilho Costa

Secretária Executiva: Sandra Alonso de Oliveira Caixeta

Coordenadores de Área

a) Área de Gestão de Processos Comunicacionais no Espaço Empresarial: Profa. Dra. Maria Immacolata Vassalo de Lopes e Profa. Dra. Maria Lourdes Motter.

b) Área de Gestão de Processos Comunicacionais no Espaço Educacional: Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares e Prof. Dr. Adílson Odair Citelli.

c) Área de Gestão de Processos Comunicacionais no Espaço Artístico/Cultural: Prof. Dr. Luís Roberto Alves e Profa. Dra. Solange Martins Couceiro de Lima.

Coordenadora dos Seminários

Profa. Dra. Maria Aparecida Baccega

Coordenadores de Núcleos

Prof. Dr. Adílson Odair Citelli
Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares
Prof. Dr. Luís Roberto Alves
Profa. Dra. Maria Aparecida Baccega
Profa. Dra. Maria Cristina Castilho Costa
Profa. Dra. Maria Immacolata Vassalo de Lopes
Profa. Dra. Maria Lourdes Motter
Profa. Dra. Solange Martins Couceiro de Lima

Professor Colaborador Externo à USP

Gestor Antônio de Pádua Prado Jr.

Laboratório de Gestão

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Aparecida Baccega

Assistente Administrativa: Sandra Alonso de Oliveira Caixeta


D. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Módulo Introdutório

Após a seleção e inscrição, o aluno dedicará 100 horas para as leituras prévias (conforme indicação do Curso) e para a elaboração de um pré-diagnóstico da instituição ou empresa na qual desenvolverá seu projeto.

Esse diagnóstico resultará de um Roteiro oferecido pelo Curso.


Primeira Etapa

NÚCLEO I

TEORIAS DA COMUNICAÇÃO 

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Immacolata Vassallo de Lopes

 I. Justificativa

O campo de estudos da Comunicação, desde a sua emergência, tem sido atravessado pelas mais diversas correntes teóricas, cada uma enfrentando o desafio de explicar de alguma forma os emergentes e complexos fenômenos comunicacionais na sociedade moderna. Em virtude da centra-lidade que assumem os fenômenos da comunicação na sociedade dita pós-industrial, este campo torna-se ponto de fusão, por excelência, de movimentos e correntes que definem o pensamento contemporâneo, ou melhor, o "espírito do tempo".

Desta forma, reveste-se de particular importância a análise das várias contribuições teóricas para o entendimento da pluralidade de dimensões do objeto Comunicação, demonstrando cabalmente a sua essência heterodisciplinar.

II. Objetivos

a) Compreender o campo de estudos da Comunicação numa perspectiva histórica da sociedade e das Ciências Humanas e Sociais.

b) Refletir criticamente sobre as diferentes correntes clássicas e contemporâneas do campo da comunicação.

c) Perceber a especificidade da Comunicação como um campo interdisciplinar de conhecimentos, voltado para o estudo dos fenômenos contemporâneos, particularmente aqueles vinculados à Cultura e aos processos comunicacionais.

III. Procedimentos Metodológicos

As aulas expositivas versarão sobre o conteúdo programático do Núcleo e promoverão obrigatoriamente a discussão dirigida. Os seminários funcionarão para aprofundar os temas, visando especificar a obra de um autor/tema no conjunto do campo da Comunicação.

IV. Conteúdo Programático

1. O mercado cultural e a emergência histórica dos estudos de comunicação de massa: a legitimação social e científica do campo da Comunicação

2. Paradigmas científicos e campo da Comunicação

3. As matrizes teóricas dos estudos de Comunicação

3.1. Teorias funcionais da Comunicação
3.1.1. Teorias dos efeitos e a Mondial Communication Research
3.1.2. Teorias da sociedade de massa e dos meios; Mills, Riesman e McLuhan.

3.2. Teorias da indústria cultural
3.2.1. A teoria crítica da escola de Frankfurt
3.2.2. A teoria da cultura de massa de Morin

3.3. Teorias dos discursos dos meios
3.3.1. A sócio-semiologia de Barthes e Eco

3.4. Teorias da recepção e da cultura cotidiana
3.4.1. Gramsci: hegemonias e culturas subalternas
3.4.2. Comunicação e cultura: os estudos culturais ingleses

4. Tendências atuais das teorias da Comunicação

4.1. O funcionalismo sistêmico de Luhmann
4.2. A ação comunicativa de Habermas
4.3. As teorias do pós-modernismo e Baudrillard
4.4. As mediações de Barbero

V. Avaliação

A avaliação será feita através de:
1. Relatórios de leitura dos textos teóricos;
2. Prova com conteúdo disciplinar visando à integração de conteúdos com outros Núcleos e, principalmente, a sua inserção no projeto do aluno.

VI. Bibliografia Básica

Cohn, Gabriel (org.). Comunicação e indústria cultural. São Paulo: T. A. Queiroz, 1989.

Costa Lima, Luiz (org.).Teoria da cultura de massa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

Canclini, Néstor Garcia. Consumidores e cidadãos. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1995.

______. Culturas híbridas. São Paulo: Edusp, 1997.

Harvey, David. Condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1993.

Ianni, Octavio. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

Lopes, João Aloísio. Lições de transitologia. São Paulo: Edicom/ECA-USP, 1997.

Lopes, Maria Immacolata V. Estratégias metodológicas da pesquisa de recepção. INTERCOM – Revista Brasileira de Comunicação, vol. XVI, n. 2, 1993.

______. Pesquisa em comunicação. 3. ed. São Paulo: Loyola, 1997.

Lozano, José Carlos. Teoría e investigación de la comunicación de masas. México: Alhambra Mexicana, 1996.

Martín-Barbero, Jesús. Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1997.

______, Silva, Armando (comp.). Projectar la Comunicación. Bogotá: TM Editores, 1997.

Mattelart, Armand e Mattelart, Michèle. História das teorias da comunicação. Porto: Campo das Letras, 1997.

______. Pensar sobre los medios. San José: DEI, 1988.

Moragas, Miguel. Teorías de la comunicación. Barcelona: Gustavo Gili, 1985.

Ortiz, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

Wolf, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa: Editorial Presença, 1995.

 

NÚCLEO II

Cotidiano e Linguagem

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Lourdes Motter

I. Justificativa

O presente Núcleo pretende discutir o campo da comunicação a partir dos avanços das ciências da linguagem. Nesse contexto se inserirá a questão do cotidiano, tema a ser focalizado sob múltiplos ângulos, visando a um melhor conhecimento da realidade imediata, com o objetivo de inter-relacioná-la à globalidade da qual emerge, a partir da qual se configura e para a qual converge. Universo da desatenção, do efêmero, das rotinas e da pressa, a vida cotidiana se constitui no espaço ideal para o controle social. Aí se pode observar o papel dos meios de comunicação de massa. Porém, dada sua condição de centro da práxis, o cotidiano é, ao mesmo tempo, o lugar das mudanças, onde primeiro se podem surpreender os novos significados e os percursos prováveis no caminho da ratificação e/ou retificação da ideologia dominante. Assim, a discussão do tema, do ponto de vista da linguagem, com destaque para a Análise do Discurso, privilegiará o enfoque da circularidade da comunicação/cultura.

II. Objetivos

a) Levar o aluno a compreender a importância da consciência verbalmente constituída para o entendimento do cotidiano e do papel dos meios de comunicação nesse espaço.

b) Possibilitar ao aluno refletir criticamente sobre a linguagem no cotidiano, buscando capacitá-lo para intervir cientificamente nos processos de comunicação que aí se estabelecem.

c) Preparar o aluno para, a partir do instrumental da Análise do Discurso, saber adequar a práxis do cotidiano à sua prática profissional como Gestor de Comunicação/Cultura.

III. Procedimentos Metodológicos

Dentre os procedimentos metodológicos a serem adotados, destacam-se: exposições dialogadas; discussão de textos em grupo e dos grupos com a classe; produção de texto sob a forma de pequenos ensaios que cada aluno deverá elaborar após cada aula, sempre relacionando o conteúdo com o Projeto individual que ele estará desenvolvendo durante o Curso. Ao final do Núcleo, esses pequenos ensaios subsidiarão a elaboração de uma monografia que deverá ser a síntese dos conhecimentos acumulados durante o Núcleo, inter-relacionada com os demais Núcleos e com o Projeto.

IV. Conteúdo Programático

1. Linguagem: pensamento, conhecimento e cultura
2. O signo verbal e a formação da consciência
3. O cotidiano e a interação verbal: dialogia e dialética
4. Linguagem e ação humana: os estereótipos e o cotidiano
5. Meios de comunicação e cultura: unicidade e diversidade dos discursos
6. Estética do cotidiano: rupturas e permanências
7. Burocracia e produção cultural: "controle" e inovação
8. Os grupos minoritários e a comunicação/cultura no cotidiano
9. O cotidiano entre a ficção e a realidade
10. Metodologia e procedimentos metodológicos das ciências da linguagem
11. Análise do Discurso no campo da metodologia em comunicação/cultura
12. Discurso e prática profissional

V. Avaliação

A avaliação será feita através de relatórios individuais dos alunos para cada um dos tópicos do Núcleo. Ao final, o aluno elaborará um texto em que se manifeste o intercâmbio entre os tópicos deste Núcleo com os demais Núcleos e entre os Núcleos e seu projeto individual.

VI. Bibliografia Básica

Baccega, Maria Aparecida. O campo da Comunicação e a consciência verbalmente constituída. Logos: Comunicação e Universidade, Ano 3, n. 4, Rio de Janeiro, 1996. pp. 25-29.

Bakhtin, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1988.

Bosi, E. A opinião e o estereótipo. Revista Contexto, n. 2, São Paulo, 1987

Brandão, H. N. Introdução à análise do discurso. Campinas: Unicamp, 1991

Heller, Agnes. Cotidiano e história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

Jameson, Fredric. Reificação e utopia na cultura de massa. Crítica Marxista, vol. I, n. 1, São Paulo, Brasiliense, 1994, pp. 1-26.

Lippmann, Walter. Estereótipos. In: Steinberg, C. (org.) Meios de comunicação de massa. São Paulo: Cultrix, 1970.

Motter, Maria Lourdes. A consciência lingüística de Fabiano (personagem da Vidas Secas, de Graciliano Ramos). Revista Princípios, n. 32, São Paulo, Anita Garibaldi, fev./abr. 1994, pp. 65-69.

______. A linguagem verbal como traço distintivo do humano. Revista Princípios, n. 34, São Paulo, Anita Garibaldi, ago./out. 1994, pp. 68-72.

______. O carteiro e o poeta: a força da poesia. Revista Comunicação & Educação, ano III, n. 8, São Paulo, ECA-USP/Moderna, jan./abr. 1997, pp. 83-89.

Schaff, Adam. Lenguage y acción humana. In: Ensayos sobre filosofia del lenguage. Barcelona: Ariel, 1973.

______. Linguagem e conhecimento. Coimbra: Almedina, 1976.

 

NÚCLEO III

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO DE PROJETOS DE COMUNICAÇÃO/CULTURA

Coordenador: Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares

I. Justificativa

Para a formação do especialista em gestão de processos comunicacionais é necessário, sem dúvida, a compreensão da natureza, dos métodos e das técnicas próprios do trabalho de planejar e avaliar projetos.

Na verdade, é justamente o domínio destes conhecimentos operacionais o que se espera, em termos práticos, desse profissional.

Nesse sentido, torna-se indispensável que um Curso destinado a formar tal gestor ofereça aos alunos um espaço acadêmico para a avaliação de seus próprios trabalhos de intervenção cultural e para a sistematização dos conhecimentos sobre planejamento e avaliação de projetos.

Dada a característica interdisciplinar do Curso, o presente Núcleo mobilizará os conhecimentos adquiridos nos demais núcleos que compõem o presente programa de ensino, devendo contar com a intervenção de todos os professores-coordenadores.

II. Objetivos

a) Contextualizar, nas áreas da Comunicação/Cultura, a natureza dos processos de produção, administração e avaliação de bens culturais, sistematizando os conhecimentos acumulados no decorrer do Curso a respeito do tema.

b) Avaliar os métodos e técnicas de planejamento e de implementação dos projetos desenvolvidos pelos alunos no decorrer do Curso.

c) Sistematizar os métodos e técnicas de planejamento e avaliação aplicáveis a processos e projetos comunicacionais.

III. Procedimentos Metodológicos

O presente Núcleo será oferecido no primeiro Módulo do Curso, momento em que os alunos, após a elaboração do diagnóstico prévio sobre a realidade comunicacional do espaço de seu projeto, alimentam a expectativa de encontrar o instrumental necessário para intervir sobre tal realidade.

O Núcleo prevê, inicialmente, uma retomada dos diagnósticos individuais, sua análise e estudo comparativo.

Num segundo momento, serão apresentados os fundamentos dos processos de planejamento e de avaliação, a partir da contribuição das Ciências Sociais, apropriadas pela Comunicação.

A terceira parte do curso será constituída pela elaboração de exercícios – por grupos de alunos – de planos, programas e projetos de intervenção cultural na área de Comunicação/ Cultura, tomando-se sempre as realidades diagnosticadas como o meio ambiente sobre o qual os alunos deverão trabalhar.

Finalmente, serão elaborados, da mesma forma, exercícios de planos, programas e projetos de avaliação de processos e produtos.

IV. Conteúdo Programático

1. Apresentação dos diagnósticos elaborados pelos alunos no Módulo Introdutório do Curso.
2. Análise comparativa dos diagnósticos e elaboração de sínteses que possibilitem uma visão clara:

– da situação em que os problemas se apresentam;
– da hierarquia das necessidades que emergem das situações conhecidas;
– das expectativas dos setores envolvidos com os problemas detectados;
– das soluções para os diversos problemas apontados pelas comunidades pesquisadas.

3. Identificação das prioridades dos processos de planejamento e definição dos papéis a serem sumpridos por líderes naturais ou institucionais e pelos assessores técnicos; o planejamento descendente e o planejamento ascendente.
4. Sobre o planejamento de políticas nacionais de comunicação.
5. Elementos operacionais para a elaboração de planos globais, programas setoriais e projetos específicos de Comunicação/ Cultura.
6. Elementos para a elaboração – pelos alunos – de exercícios de projetos de planejamento e avaliação.
7. Análise de experiências de planejamento de Comunicação/Cultura nas áreas do espaço empresarial e do espaço artístico-cultural.
8. Apresentação de experiências de planejamento de Comunicação/Cultura na área educacional.
9. Etapas de um processo de avaliação.
10. Modelos de avaliação.
11. Apresentação de experiências de avaliação de processos e produtos da área da Comunicação/Cultura.
12. Apresentação e análise dos exercícios de elaboração de projetos de planejamento e avaliação elaborados pelos alunos.

V. Avaliação

A avaliação se dará a partir da análise – quer pelos professores quer pelos próprios alunos – do envolvimento do corpo discente no desenvolvimento do programa, assim como pela análise da monografia final, através da qual cada aluno mostrará sua capacidade de elaborar planos, programas e projetos nas áreas abordadas pelo conteúdo programático.

VI. Bibliografia Básica

Aec. Planejamento Participativo como Metodologia Libertadora. Revista de Educação da AEC, Ano 24, n. 96, jul./set. 1995.

Bordenaave, Juan Diaz e Carvalho, Horácio Martins. Comunicação e planejamento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

Chanlat, Jean-Francois. O indivíduo na organização, dimensão esquecida. São Paulo: Atlas, 1991.

Contreras, Eduardo. Evaluación de proyectos de comunicación. Volumen I. Questiones conceptuales. Quito: CIESPAL, 1985.

Corrales, José. La Gestión Creativa. Madrid: Editorial Paraninfo, 1991.

Di Raco, Alberto e Santoro, Gaetano. Il Manuale della Comunicazione Interna. Milano: Guerini e Associati, 1996.

Gandin, Danilo. A prática do planejamento participativo. Petrópolis: Vozes, 1995.

Romano, D. F. e Felicioli. Comunicazione Interna e Processo Organizativo (Al di là del marketing interno, verso sistemi di comunicacione orientati allo sviluppo dell’empresa). Milano: Raffaello Cortina Editore, 1996.

Soares, Ismar de Oliveira. Planejamento e avaliação de processos comunicacionais. Apostila, 1994.

Thiollent, Michel. Metodologia de pesquisa-ação. São Paulo: Cortez & Autores Associados, 1985.

 

NÚCLEO IV

COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO

 Coordenador: Prof. Dr. Adílson Odair Citelli

I. Justificativa

A inclusão do Núcleo Comunicação e Educação no Curso Gestão de Processos Comunicacionais se justifica pelas seguintes razões:

a) A educação se constitui num dos espaços privilegiados onde se manifestam de forma constante diferenciados modelos de processos comunicacionais.

b) Os processos comunicacionais que emergem das práticas educacionais são ditados pelas filosofias de educação que sustentam tais práticas e as justificam.

c) São partes constitutivas destes processos comunicacionais tanto os modelos de inter-relação pessoal e grupal quanto a relação que as práticas educacionais mantêm com os sistemas de comunicação.

d) No caso, incluem-se neste universo de preocupações tanto o impacto dos meios de comunicação sobre o comportamento humano (a comunicação como "mediação cultural") quanto o uso dos recursos da comunicação nos métodos de ensino-aprendizagem, quer no ensino formal quer no não-formal (a comunicação como tecnologia educacional).

II. Objetivos

a) Estudar as relações entre Comunicação, Cultura e Educação, sistematizando os conhecimentos sobre o tema fornecidos pelas áreas das Teorias da Comunicação, Teorias da Arte e Filosofias da Educação.

b) Identificar, na prática social, os espaços profissionais abertos a partir dos processos comunicacionais oriundos da inter-relação Comunicação Social/Cultura/Educação.

c) Discutir o uso dos recursos da Comunicação/Cultura no processo de ensino-aprendizagem.

d) Contribuir para formar gestores de comunicação na educação formal e não-formal.

III. Procedimentos Metodológicos

O Núcleo Comunicação e Educação apresenta um conteúdo programático subdividido em quatro Unidades, a saber: 1. Comunicação/Cultura como Processo Social; 2. Educação como Processo Educacional; 3. Comunicação/Cultura e Educação: Mediações; 4. Papel do Gestor de Processos Comunicacionais na Educação.

Cada aula em que se subdividem as quatro Unidades será desenvolvida em dois momentos: no primeiro, o professor apresentará uma síntese de sua visão sobre o tema, a partir da bibliografia indicada. No segundo, os alunos reunidos em grupos oferecerão sua contribuição ao tema abordado. Tanto os professores quanto os alunos deverão estar atentos ao uso adequado dos recursos da comunicação no desenvolvimento de cada tópico.

Após cada Unidade, haverá uma discussão sobre o possível aproveitamento dos conceitos elaborados no desenvolvimento dos projetos individuais assumidos pelos alunos em função do próprio Curso.

A pergunta que norteará tais discussões será a seguinte: "Qual o papel do gestor de processos comunicacionais nos projetos educacionais em análise?".

IV. Conteúdo Programático

1. A Comunicação como Processo Social

1.1. A Educação sob o ponto de vista das políticas oficiais: da Reforma de 1970 à nova LDB
1.2. A Educação sob o ponto de vista da inter-relação Comunicação/ Cultura: experiências alternativas (Educação Popular, interdisciplinaridade e Dialogismo)

2. A Educação como Processo Comunicacional

2.1. A comunicação como retórica: o discurso da comunicação persuasiva (Escola Tradicional)
2.2. A comunicação como tecnologia educacional: o discurso da eficiência tecnológica (Escola Tecnicista)
2.3. A comunicação como processo sociocultural de integração e participação na construção do saber: o discurso dialético e dialogal (Escola Progressista)
2.4. As relações comunicacionais professor/aluno nos diversos modelos de inter-relação Comunicação/Educação: problematizações

3. Educação e Comunicação: Mediações

3.1. Crianças e jovens e a civilização audiovisual: os novos modos de compreender e sentir
3.2. As linguagens da comunicação: impactos psicossociais no processo educacional
3.3. As linguagens da comunicação social: experiências latino-americanas
3.4. A Comunicação Social como conteúdo programático no ensino de primeiro e segundo graus

4. O Papel do Comunicador Social na Educação

4.1. A administração dos recursos da comunicação no ensino (Oficinas Pedagógicas, Salas de Multimeios, Laboratórios de Informática etc.)
4.2. A gestão de processos comunicacionais na educação

V. Avaliação

A avaliação, entendida como uma reflexão contínua sobre o encaminhamento e os resultados do trabalho didático em função da adequação aos objetivos pré-fixados, será realizada a partir da elaboração, em conjunto com os alunos, de procedimentos de acompanhamento e revisão.

A avaliação será feita através de relatórios individuais dos alunos para cada um dos tópicos do Núcleo. Ao final, o aluno elaborará um texto em que se manifeste o intercâmbio entre os tópicos desse Núcleo e se estabeleçam as aproximações e os distanciamentos entre Comunicação/ Educação e Comunicação/Cultura.

VI. Bibliografia Básica

Citelli, Adílson. Aprender e ensinar com textos não-escolares. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1998

______. Linguagem e persuasão. 11. ed. São Paulo: Ática, 1997.

______. Os sentidos em movimento: linguagem, comunicação e educação. São Paulo: ECA-USP, 1998. (Tese de livre-docência

Gómez, Guilhermo Orozco. Professores e meios de comunicação: desafios e estereótipos. Revista Comunicação & Educação, n. 10, São Paulo, CCA-ECA-USP/Moderna, 1997

Lévy, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995

Martín-Barbero, Jesús. Heredando el futuro. Pensar la educación desde la comunicación. Revista Nómadas, Bogotá, Diuc, 1995

Soares, Ismar de Oliveira. Sociedade da informação ou da comunicação. São Paulo: Cidade Nova, 1996

Penteado, Heloísa Dupas. Televisão, escola e democracia. São Paulo: FEUSP, 1987. (Tese de doutorado

Morán, José Manuel. Leitura dos meios de comunicação. São Paulo: Pancast, 1993

Freire, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1995

 

NÚCLEO V

ADMINISTRAÇÃO E AÇÃO COMUNICATIVA

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Aparecida Baccega

 A administração já foi entendida como uma arte inefável, dom de alguns gerentes ou managers geniais. Também foi compreendida como uma ciência exata, destinada a proporcionar aos administradores um controle total e perfeito sobre cada movimento executado na organização. Hoje, o movimento é de confluência das áreas, antes estanques, da administração e da comunicação, tendo por base a ação: administrar é comunicar-se, é criar redes de comunicação no interior de uma estrutura orgânica, para possibilitar e garantir a realização, por esta, das ações que definem a sua existência. Fundamentar e explorar as possibilidades e desafios dessa fusão são os objetivos desta disciplina, a qual se inscreve como indispensável à formação do gestor.

Este Núcleo é ministrado por especialistas não pertencentes ao CCA-ECA-USP.


Segunda Etapa

NÚCLEO VI

ESTÉTICA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

 Coordenadora: Profa. Dra. Maria Cristina Castilho Costa

 I. Justificativa

O Núcleo Estética dos Meios de Comunicação caracteriza-se pela preocupação de fundamentar a evolução do pensamento estético contemporâneo, tendo em conta a necessidade de refletir sobre a interação comunicação e arte. Neste contexto está presente a preocupação com o gestor de processos comunicacionais e sua habilitação – através do conhecimento e de uma aguçada capacidade crítica – para agir no sentido de transformar e não apenas reproduzir as relações indivíduo/comunicação/cultura.

Nesse sentido consideramos indispensável uma abordagem contemporânea da arte, que considere os fenômenos nascidos das inovações tecnológicas introduzidas em correlação com os efeitos produzidos no campo da educação e da sociedade como um todo. Assim, as novas formas da imagem (ou dos objetos) provenientes, por exemplo, da fotografia e que introduziram não só uma ruptura no discurso estético como uma mudança das formas de percepção da obra de arte.

II. Objetivos

a) Estabelecer o campo da comunicação/cultura como resultado da interação estética/comunicação de massa.

b) Propiciar uma experiência de leitura estética do discurso dos meios massivos.

c) Analisar os novos padrões estéticos e do gosto que caracterizam os comportamentos da nova geração, tanto em nível nacional como internacional.

III. Procedimentos Metodológicos

Os procedimentos metodológicos deste Núcleo caracterizam-se, sobretudo, por um diálogo permanente entre a bibliografia, os pontos de vista dos docentes e dos alunos, num espaço teórico-prático, capaz de consubstanciar as abordagens científicas do campo comunicação/cultura.

IV. Conteúdo Programático

1. A Estética crítica do século XX
2. Comunicação e Cultura: arte e tecnologia
3. Interrogações estéticas do século XX
4. Ver, conhecer e interpretar – uma imagem (Questões Críticas da Imagem)
5. A dimensão estética das linguagens:
a) O Cinema
b) O Teatro
c) A Televisão
d) A Música
e) Artes Plásticas
f) Exploração estética da palavra
6. Imaginação e Comunicação
7. O gosto e a autonomia do gosto na expressão

V. Avaliação

Será feita através de freqüentes relatórios acompanhando o desenvolvimento das aulas. No final do curso será entregue um relatório-síntese, contendo as principais inter-relações entre este Núcleo e os demais.

VI. Bibliografia Básica

Bourdieu, Pierre. As regras da arte. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

Barthes, Roland. A câmara clara. Notas sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Bougnoux, Daniel. Introdução às ciências da informação e da comunicação. Petrópolis: Vozes, 1994.

Canevacci, Massimo. Sincretismos: uma exploração das hibridações culturais. São Paulo: Studio Nobel/ Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro/ Instituto Italiano de Cultura, 1996.

Costa, Maria Cristina Castilho. Arte: resistências e rupturas. São Paulo: Moderna, 1998.

______. Questões de arte. São Paulo: Moderna, 1998.

Dufrenne, Mikel. Estética e Filosofia. São Paulo: Perspectiva, 1981.

Levy, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

Machado, Arlindo. Máquina e imaginário. São Paulo: EDUSP, 1996.

Morin, Edgar. A alma do cinema. In: Xavier, Ismail (org.). A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal/ Embrafilme, 1983.

Pignatari, Décio. Signagem da televisão. São Paulo: Brasiliense, 1984.

Steiner, George. No castelo do Barba Azul. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

 

NÚCLEO VII

POLÍTICAS DE COMUNICAÇÃO/CULTURA

Coordenador: Prof. Dr. Luís Roberto Alves

 I. Justificativa

No contexto do Curso, o Núcleo de Políticas de Comunicação/Cultura cumpre o papel de fazer a memória da cultura política onde se produziram as políticas culturais do país. Por isso, o Núcleo desenvolverá a memória das políticas de comunicação/cultura de distintos governos brasileiros, bem como de organizações governamentais e não-governamentais do exterior, para efeito de comparação. Ato contínuo, fará a interpretação de algumas políticas municipais e estaduais contemporâneas, visando ao estabelecimento de critérios e parâmetros para a sua crítica, considerados os fundamentos políticos que lhes dão base, as formas de organização social em que se inserem, as suas faces cotidianas na vida das comunidades e a adequação/inadequação de suas propostas no contexto dos segmentos culturais, das classes sociais e da administração pública da cultura. No processo educativo do Curso, o Núcleo evidenciará aos futuros gestores da comunicação/cultura os equívocos das políticas em ação na sociedade e as possibilidades de mudança dessas práticas no rumo de políticas mais produtivas e coerentes.

II. Objetivos

a) Capacitar o estudante a relacionar eventos e práticas cotidianas de comunicação/cultura a seus fundamentos filosóficos e políticos.

b) Desenvolver o espírito de observação na relação entre o diacrônico e o sincrônico, colocando as práticas culturais/comunicacionais no contexto das práticas políticas dos governos e demais instituições.

c) Participar da formação do gestor de processos comunicacionais, notadamente no desenvolvimento de sua competência como planejador, executor e avaliador de políticas de comunicação/cultura em seu espaço de trabalho, desenvolvendo visão adequada das significações da questão cultural na sociedade contemporânea.

III. Procedimentos Metodológicos

Exposições dialogadas sobre os textos indicados e outras obras pertinentes, associadas a seminários para apronfudamento dos tópicos básicos do conteúdo. Encontros da classe com agentes de comunicação/ cultura de municípios e dirigentes de instituições não-governamentais. Visitas a projetos em desenvolvimento, com vistas à formação do gestor. Colegas ligados especialmente à música, à literatura, à mídia, colegas com formação específica (historiadores, por exemplo) serão chamados a debater. Os debates destacarão a noção de cultura, sua dimensão política e suas práticas, levando o aluno a trazer para a reflexão dados da sua realidade, seu trabalho, suas formas de inserção social.

IV. Conteúdo Programático

1. O Estado como gestor da Cultura e da Comunicação: o caso brasileiro

1.1. As formas coloniais e republicanas
1.2. A modernidade: produção e reprodução. A indústria cultural

2. Dimensões internacionais da questão

2.1. Políticas de governo
2.2. Políticas não-governamentais

3. Posições sobre a definição de cultura, identidade cultural, comunicação, resistência, dependência e dialetização do processo cultural. Introdução. A posição da UNESCO

3.1. Análise especial de situações latino-americanas na música, literatura, mídia, movimentos populares e sindicais

4. A análise de determinadas políticas culturais: estudo de casos. Os municípios e órgãos não-governamentais e suas atitudes inovadoras, incluída a formação de recursos humanos

5. Elementos para a concretização das políticas de comunicação/cultura: planejamento, execução, avaliação e reproposição. Introdução

6. Apronfudamento de cada item do tópico anterior, à luz da teoria e das práticas municipais, estaduais, federal e não-governamentais

6.1. Exercícios para a criação de um projeto de política cultural: obje-tivos, métodos, recursos humanos, atividades, avaliação

7. As demais aulas são destinadas à redação do projeto

V. Avaliação

A avaliação será feita através de um trabalho monográfico, o qual constará do estabelecimento de projeto de inserção cultural em dada comunidade ou instituição, respeitando-se a dimensão teórico-prática e os espaços de trabalho dos estudantes. Será feito com o acompanhamento dos coordenadores dos Núcleos.

VI. Bibliografia Básica

Arendt, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1972.

Balle, Francis. Comunicación y sociedad. Bogotá: Tercer Mundo Editora, 1991.

Bornheim, Gerd et alii. Tradição/Contradição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar/ Funarte, 1987.

Bourdieu, Pierre. O poder simbólico. Lisboa/ Rio de Janeiro: Difel, s.d.

Cardoso, F. H., Martins, C. E. Política e sociedade. São Paulo: Nacional, 1979.

Comunicacion para la comunidade. Manila-Filipinas: Asociación Mundial para la comunicación cristiana/ WACC, 1989; Congresso Mundial do México, 1995.

En torno a la identidad latinoamericana. VII Encuentro latinoamericano de Facultades de Comunicación Social. Mexico, 1992.

Ianni, Octavio. A idéia de Brasil Moderno. São Paulo: Brasiliense, 1992.

MacBride, Sean. Un solo mundo, voces multiples. Mexico/Paris: Unesco/ Fondo de Cultura Economica, 1980.

Martín-Barbero, Jesús. Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1997.

Miceli, Sérgio. Estado e cultura no Brasil. São Paulo: Difel, 1984.

Moraes, Dênis de (org.). Globalização, mídia e cultura contemporânea. Campo Grande: Letra Livre, 1997.

Ortiz, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1992.

Textos sobre políticas de cultura e comunicação de governos e entidades não-governamentais locais, estaduais e nacional. Textos de entidades de assessoria a movimentos sociais que tratam de comunicação e cultura: ALER, IBASE, CEDES, POLIS e outros.

Vaz, H. C. Lima et alii. Cultura e modernidade. Belo Horizonte: Loyola, 1992.

 

NÚCLEO VIII

METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO PARA A COMUNICAÇÃO NA AMÉRICA LATINA

Coordenador: Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares

 I. Justificativa

Ao longo dos últimos 20 anos, com o reconhecimento, pela UNESCO, do direito à comunicação como um dos direitos fundamentais de todo homem, desenvolveram-se em quase todos os países da América Latina inúmeras experiências voltadas para socialização de processos de comunicação, assim como para o uso democrático dos recursos da comunicação social, principalmente junto às Organizações Não-Gover-namentais e aos diversos setores do Movimento Social, gerando uma demanda específica para o ensino e a pesquisa dos fenômenos comunicacionais mesmo fora do âmbito da educação formal ou das práticas empresariais. Simultaneamente ganharam impulso e se diversifi-caram os programas voltados para a análise sistemática e o debate público das mensagens difundidas pelos veículos massivos, o que incluiu, em numerosos casos, projetos de "leitura crítica da comunicação". Tais fatos justificam a inclusão do Núcleo Temático Metodologias da Educação para a Comunicação na América Latina como conteúdo destinado a oferecer aos gestores de processos comunicacionais as informações indispensáveis para a definição de políticas de comunicação e de educação adequadas às novas exigências da sociedade.

II. Objetivos

a) Oferecer informações sobre as práticas de educação para a comunicação em desenvolvimento na América Latina.

b) Identificar, na prática social, os espaços profissionais onde a educação para a comunicação possa converter-se em atividade que favoreça a gestão dos processos comunicacionais.

c) Oferecer subsídios para a elaboração de projetos de educação para a comunicação tanto na prática profissional quanto nos sistemas de educação.

d) Capacitar gestores de processos comunicacionais para atuarem como implementadores e coordenadores de planos, programas e projetos de educação para a comunicação a serviço do sistema de ensino.

III. Procedimentos Metodológicos

Cada tema do programa será desenvolvido a partir da leitura prévia da bibliografia indicada. Serão promovidos seminários para a confrontação de experiências, com a participação de protagonistas de programas de educação para a comunicação. Ao final, os alunos deverão apresentar um plano de trabalho na área, com a especificação de programas e de projetos específicos para as diversas situações em que a educação para a comunicação se apresenta como possibilidade de intervenção social.

IV. Conteúdo Programático

1. A Educação para a Comunicação na América Latina: a evolução do conceito a partir da prática do Movimento Popular
2. A Educação para a Comunicação na América Latina: a evolução do conceito a partir das Teorias da Comunicação
3. A vertente moralista de formação do senso crítico: a experiência da escola tradicional
4. A vertente culturalista de ressemantização das mensagens: a "educação para os meios"
5. A vertente dialético-indutivo-popular de leitura crítica da comunicação: a experiência construtivista
6. Análise comparativa dos documentos dos Seminários Latino-americanos de Educação para a Televisão (Santiago, 1984; Curitiba, 1986; Buenos Aires, 1988); Las Vertientes (1991)
7. Análise comparativa dos documentos do Seminário "El Universo Audiovisual del Niño Latinoamericano"
8. Análise das experiências latino-americanas no âmbito da educação formal de Primeiro e Segundo Graus
9. Análise das experiências latino-americanas no âmbito da educação superior: a pesquisa e a formação de professores para o uso da comunicação pelas Faculdades de Educação
10. Análise das experiências latino-americanas no âmbito da educação não-formal: a contribuição das ONGs
11. A Educação para a Comunicação e as Políticas de Comunicação como atividades do gestor de processos comunicacionais
12. Planejamento e Avaliação de planos, programas e projetos de Educação para a Comunicação

V. Avaliação

A avaliação se dará a partir da análise – quer pelos professores quer pelos próprios alunos – do envolvimento do corpo discente no desenvolvimento do programa, assim como pela análise da monografia final, através da qual o aluno mostrará sua capacidade de elaborar planos, programas e projetos na área abordada pelo conteúdo programático.

VI. Bibliografia Básica

Charles, Mercedes e Orozco, Guillermo. Educación para los medios, una propuesta integral para maestros, padres y niños. Mexico: ILCE, 1992.

Huergo, Jorge. Comunicación/educación, ambitos, prácticas y perspectivas. Argentina: Universidad Nacional de la Plata, EPC, 1997.

Martín-Barbero, Jesús. Pensar la educación desde la comunicación. Nomadas, n. 5, Bogotá, Febrero 1997, pp. 10-22.

Martínez-de-Toda, José. Metodología evaluativa de la educación para los medios. Roma: Universidad Gregoriana, 1998.

Morán, José Manuel. Leituras dos meios de comunicação. São Paulo: Pancast, 1990.

Soares, Ismar de Oliveira. Teorias y prácticas de la comunicación: incidencia sobre los proyectos de Educación para los Medios en América Latina. In: Miranda, Martín. Educación para la comunicación. Manual Latinoamericano. Santiago: CENECA, 1992.

______. Gestión de la comunicación en el espacio educativo (o los desafíos de la era de la información para el sistema educativo). In: Guitiérrez, Alfonso M. Formación del profesorado en la sociedad de la información. Valadolid: Universidad de Segovia, 1998. pp. 33-46.

______. A comunicação no espaço educativo: possibilidades e limites de um novo campo profissional. In: Lopes, Maria Immacolata Vassalo de. Temas contemporâneos em comunicação. São Paulo: Intercom, 1997. pp. 209-220.

______. Programas de Educação para a Comunicação. Fundamentos e procedimentos para uma avaliação. In: Marques de Melo, José e Carvalho, Mirian Rejowski. Anuário de Inovações em Comunicações. São Paulo: ECA-USP, 1990.

______. Comunicação e Educação como campo: o perfil do novo especialista. Conclusões de pesquisa NEC/FAPESP, jan. 1999, fotocópia.

 

NÚCLEO IX

METODOLOGIA DA PESQUISA EM COMUNICAÇÃO E CULTURA

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Immacolata Vassalo de Lopes

I. Justificativa

As tendências recentes no campo de estudos da Comunicação fazem do trabalho metodológico uma tarefa prioritária. É que o avanço de propostas teóricas inovadoras, como no caso dos estudos latino-americanos de Comunicação e Cultura, necessita ser acompanhado de uma reflexão sobre estratégias metodológicas necessariamente integradas à abrangência dessas propostas. O caso particular de formação do gestor de processos comunicacionais forma parte dos recentes avanços nas práticas profis-sionais que estão emergindo no mercado cultural de nosso país. Assim, o domínio de um conjunto de metodologias de pesquisa aplicada ou de intervenção cultural aparece como uma questão crucial dessa formação, pois trata-se do próprio domínio das ferramentas científicas tanto do engajamento profissional quanto social desse novo especialista. No Núcleo deverão ser analisadas as especificidades, semelhanças, diferenças, complementaridades e combinações possíveis das metodologias em uso nas pesquisas de Comunicação/Cultura. Cada uma das abordagens do que chamamos "métodos especiais" deverá ser feita do ponto de vista histórico e da crítica epistemológica, uma vez que toda metodologia nasce sempre de uma problemática de estudo derivada de um contexto social e que vai apresentar tanto contribuição quanto limitações no seu enfoque dos processos comunicacionais e culturais.

II. Objetivos

a) Analisar a variedade das abordagens metodológicas hoje presentes nas investigações de Comunicação/Cultura.

b) Orientar o planejamento de projetos de pesquisa e de intervenção cultural que tenham por base uma combinação de metodologias. Essa estratégia multi-metodológica servirá de base de operacionalização da própria proposta interdisciplinar deste Curso de Especialização.

c) Orientar a construção de uma estratégia multi-metodológica nos projetos dos alunos. Para tanto, deverão ser objeto de reflexão os modelos metodológicos básicos, as variações dos métodos nesses modelos e as principais técnicas a eles associadas.

III. Procedimentos Metodológicos

As aulas expositivas versarão sobre o conteúdo programático do Núcleo e promoverão necessariamente a discussão dirigida aos aspectos metodológicos dos projetos dos alunos. Pretende-se com isso que se efetive na prática desses projetos uma concepção renovada de pesquisa para a área de gestão dos processos comunicacionais e de cultura.

IV. Conteúdo Programático

1. Paradigmas científicos e pesquisa de Comunicação/Cultura
2. Pesquisa como sistema de opções e decisões metodológicas e como estrutura de níveis e fases
3. Níveis de pesquisa: epistemológico, teórico, metódico e técnico
4. Definição do objeto: problema, problemática e hipóteses
5. Observações: técnicas quantitativas e qualitativas (amostragem, formulário, questionário, entrevista, história de vida, depoimento)
6. Descrição e interpretação: métodos e técnicas
7. Pesquisa de observação e pesquisa participante de Comunicação/ Cultura
8. Métodos especiais na pesquisa de Comunicação/Cultura

8.1. Métodos sociográficos
8.2. Métodos etnográficos
8.3. Métodos historiográficos
8.4. Métodos psicológicos
8.5. Métodos de análise do discurso

9. Projeto multi-metodológico: discussão final

V. Avaliação

A avaliação será feita através de:
1. Relatórios de leitura de textos metodológicos;
2. Relatórios parciais de elaboração do projeto do aluno;
3. Elaboração do projeto de pesquisa.

VI. Bibliografia Básica

Bourdieu, Pierre et al. El ofício de sociólogo. Mexico: Siglo XXI, 1986.

Fernandes, Florestan. Fundamentos científicos da explicação sociológica. São Paulo: T. A. Queiroz, 1986.

Hirano, Sedi. Pesquisa social – Projeto e planejamento. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979.

Ianni, Octavio. Globalização: Novo Paradigma das Ciências Sociais. Estudos Avançados, São Paulo, USP, Vol. 8, n. 21, 1984.

Lopes, Maria Immacolata V. Pesquisa em Comunicação. 3. ed. São Paulo: Loyola, 1997.

______. O estado da pesquisa de comunicação no Brasil. In: Lopes, M. I. V. (org.). Temas contemporâneos em comunicação. São Paulo: Edicom/Intercom, 1997.

Martín-Barbero, Jesús. Retos a la Investigación de Comunicación en América Latina. In: Fernadez, F. et al. Comunicación y teoria social. Mexico: UNAM, 1984.

Morin, Edgar. Ciência com consciência. Lisboa: Europa/América, s/d.

Nogueira, Oracy. Pesquisa social. São Paulo: Nacional, s/d.

Selltiz, Claire et al. Métodos de pesquisa das relações sociais. São Paulo: EPU/EDUSP, 1976.

Thiollent, Michel. Crítica metodológica, investigação social e enquete operária. São Paulo: Pólis, 1980.

Trindade, Helgio. Tentativa de reconstituição empírica de um movimento político radical. In: Nunes, Edson de Oliveira (org.). A aventura socio-lógica. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

 

NÚCLEO X

PROCESSOS DE PRODUÇÃO EM COMUNICAÇÃO/CULTURA

Coordenadora: Profa. Dra. Solange Martins Couceiro de Lima

 I. Justificativa

O Núcleo tratará dos mecanismos para construção e produção de material audiovisual e impresso. Fará a complementação prática dos demais Núcleos. O gestor de processos comunicacionais há de conhecer o percurso de execução e os custos de cada um dos meios tecnológicos que se encontram à disposição. Para a consecução dos objetivos de seu Projeto, deverá, sobretudo, saber optar pelo de melhor qualidade.

II. Objetivos

a) Habilitar o aluno a acompanhar os processos de produção de vídeos, jornais, panfletos e demais meios que permitam efetivar a Comunicação/Cultura numa área de trabalho específica.

b) Possibilitar ao aluno o conhecimento desses processos através do acompanhamento, nos locais de produção, da feitura desses materiais.

III. Procedimentos Metodológicos

O Núcleo constará de um ciclo de palestras proferidas por profissionais de diversas áreas ligadas à Comunicação/Cultura. Será acompanhado de visitas a locais onde se dá o processo de produção de cada material: redação de jornais, editoras, produtoras de vídeo, gráficas etc. Cada aluno receberá o reforço necessário nos meios de que necessita no seu Projeto.

IV. Conteúdo Programático

1. Processo de produção de vídeo e fotografia
2. Visita a uma produtora e a um estúdio
3. Processo de produção de livros
4. Visita a uma editora e a uma gráfica específica
5. Produção de jornais: grande imprensa, imprensa sindical, imprensa alternativa
6. Visita à redação de jornais da grande imprensa
7. Visita à redação de jornal sindical
8. Visita à redação de jornal alternativo
9. Produção de panfletos e prospectos
10. Visita à gráfica da Reitoria da USP
11. Oficina de Artes
12. Visita às Oficinas de Artes

V. Avaliação

A avaliação deste Núcleo se efetivará mediante a aferição da condição que o aluno terá adquirido de saber adequar a tecnologia disponível aos objetivos de seu Projeto.

VI. Bibliografia Básica

A Bibliografia deste Núcleo constituir-se-á no momento em que for ministrado e de acordo com os palestrantes. Deverão ser convidados os profissionais das diversas áreas que, naquele momento, mais se destacarem nas suas especialidades.


Terceira Etapa

Nesta Etapa (3º semestre do Curso), o aluno se deslocará ao espaço contemplado em seu Projeto (empresa, instituição ou escola) e que já foi objeto do diagnóstico inicial, para realizar, no campo, não só a revisão desse diagnóstico como também começar a verificar a adequação da arquitetura do projeto de intervenção que vem construindo ao longo do Curso. Todo o trabalho é acompanhado pelo professor orientador.

Também haverá Seminários, cuja temática acompanhará as necessidades da turma. Desses Seminários deverão participar especialistas nos vários setores objeto de estudo dos alunos.

Este é o Semestre no qual se dá a elaboração final do Projeto de Gestão de Processos Comunicacionais e sua defesa diante de Comissão formada por um acadêmico e um especialista do mercado, além do orientador.


 Informações poderão ser obtidas junto à Secretaria do Curso de Pós-graduação lato sensu Gestão de Processos Comunicacionais, através do telefax:  (011) 3818.4341, pelo fax: (011) 3818.4326 ou pelo e-mail: gestcom@edu.usp.br . Página atualizada em 01.07.2001 por Sandra Alonso de Oliveira Caixeta.


Turma 9

CLASSIFICAÇÃO FINAL

CANDIDATO(A)

CLASSIFICAÇÃO

MÉDIA FINAL

Ana Paula Lopes Alcantara

10,0

Adriana de Faria e Sousa

9,5

Alessandra Wasilenko

9,5

Ana Luisa Zaniboni Gomes

9,5

Grácia Helena Catelli Anacleto

9,5

José Antonio Faro

9,5

Mariângela Ferreira Busuth

9,5

Priscila Helena Belpiede Simões

9,5

Carlos Roberto Paiva

9,2

Alice Cardoso Ferreira

9,0

Heloize Helena de Campos

9,0

João Carlos Gomes

9,0

Pedro Ricardo Pizarro de Castilho

9,0

Tiana Vilar Lins

9,0

Ernani Roic

8,9

Ana Regina Gouvêa

8,5

Antonio Carlos Salles

8,5

Caroline Baptista Polese

8,5

Dimitra Dragassakis

8,5

Fabíola Soares Miolo

8,5

Jorge Cury Júnior

8,5

Mônica Gardenal

8,2

Edilene Lopes Delgado

8,0

Elionara Aparecida Moreira

8,0

Luzinete Alves da Silva

8,0

Marcello Ribeiro

8,0

Sonia Maria Penteado Lopes

8,0

Alexandra Rodrigues

7,5

Fátima de Moraes Carlos

7,5

Flávia Teixeira de Carvalho

7,5

Silvio Lúcio Berengani

7,5

Synésio Cônsolo Filho

10º

7,0