Inglês até o pescoço

Para quem precisa melhorar rapidamente
a fluência em outro idioma, uma boa
alternativa é fazer um curso de imersão

Maurício Oliveira

Veja também
Teste seu inglês
Sites de instituições que oferecem curso de imersão
www.englishcamp.com.br
www.englishvillage.com.br
www.inlinguae.com.br
www.littleengland.com.br
www.scholar.com.br

Todo mundo já deparou com a necessidade de aprimorar com urgência o conhecimento de um idioma. É algo que ocorre na iminência de uma série de situações – pode ser uma entrevista para emprego, uma reunião de negócios com estrangeiros, um teste de fluência para obter bolsa de estudos, uma viagem inesperada ou simplesmente a oportunidade de ciceronear visitantes de outro país. Boa alternativa para esses casos são os cursos de imersão, aqueles que têm duração de um ou dois dias – normalmente o fim de semana – para o aperfeiçoamento da linguagem. Tudo ocorre em um ambiente inteiramente preparado para incentivar o aprendizado. Na forma clássica, esses cursos se estendem da noite de sexta-feira até o cair da tarde de domingo, período em que os estudantes são obrigados a se comunicar apenas no idioma que desejam praticar. Levados para um hotel ou uma casa de campo, passam a cumprir uma extensa programação que mescla aulas teóricas com situações do cotidiano. "Nosso objetivo é que as pessoas tenham a sensação de que estão passando o fim de semana em outro país", compara Lúcio Sardinha, diretor de uma empresa especializada em organizar cursos do gênero.

Como transporte, hospedagem, alimentação e material didático estão incluídos no preço, as imersões não são baratas. A faixa média vai de 600 a 1.000 reais por pessoa. É um investimento que precisa ser bem pensado, portanto. Um equívoco comum é confundi-las com diversão. Quem pensa dessa forma pode ficar desapontado e se arrepender do gasto. Os lugares escolhidos para sediá-las costumam oferecer boas opções de lazer, mas o tempo é totalmente consumido com as atividades relacionadas ao estudo do idioma. A programação começa cedo, já no café da manhã, e vai até o fim da noite. Exige dedicação exclusiva. É por isso que esse tipo de curso é indicado apenas para quem tem uma razão concreta para considerar urgente o aprimoramento do domínio da língua. Para aqueles que não têm tanta pressa, vale mais economizar o dinheiro e viabilizar depois de algum tempo uma imersão in loco, já que a quantia é suficiente para pagar parte considerável de uma viagem para o exterior.

Quando há necessidade real, o investimento pode ser compensador. "Meu currículo é bom, mas eu tinha receio de não me sair bem nas entrevistas em inglês", conta o paulistano Reinaldo Abdiel, 33 anos, que há pouco mais de um mês foi contratado para a gerência de compras de uma multinacional. Duas semanas antes da primeira das duas entrevistas às quais foi submetido durante o processo de seleção, ele fez um curso de imersão criado justamente para treinar o comportamento em encontros de negócios e entrevistas para emprego. Passou dois dias praticando as perguntas e respostas mais prováveis e aprendendo a falar sobre si mesmo. "Eu já sabia muito do idioma, mas essa lapidada me deu a segurança que faltava e certamente fez a diferença em meu desempenho", considera Abdiel. O professor de espanhol Luis Enrique Dias ressalta que é importante para o aluno centrar os esforços durante o curso de imersão em determinada situação prática. "Como o tempo é curto, ele precisa ter um foco claro para não se perder na imensidão de um idioma", diz. "Mas nem por isso deixará de obter conhecimentos genéricos úteis", completa Dias.

Para a relações-públicas Josiani Guarnieri, 31 anos, do Rio Janeiro, que no início do ano fez um curso de imersão antes de uma viagem de negócios à Inglaterra, outra vantagem foi criar novos laços de amizade. "Mantenho contato com três pessoas que conheci naquele fim de semana", conta Josiani. "Todas são ótimas amigas e, além disso, trabalham em empresas importantes." Escolher entre as diversas alternativas de cursos de imersão disponíveis no mercado é tarefa que exige cuidado. Em primeiro lugar, deve-se desconfiar daqueles baratos demais. Certamente não vale a pena sair de casa para alimentar-se mal ou ficar em acomodações de qualidade duvidosa. Também é importante questionar os organizadores do curso sobre o tamanho da turma e o número de professores que acompanharão o grupo. Deve haver um professor para cada quatro alunos, no máximo. Outro fator fundamental para obter resultados compensadores é estar em um grupo com o mesmo nível de desempenho. O rigor da avaliação prévia indica a preocupação com esse detalhe. "Cursos de imersão foram feitos para quem já tem boas noções do idioma", diz Anna Cowell, sócia de uma escola de inglês que organiza cursos do gênero no interior de São Paulo. De nada adianta, portanto, passar o fim de semana com pessoas que ainda não superaram a fase do "the book is on the table".

Edição 1 757 - 26 de junho de 2002 Revista Veja