Quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Sistema abre novas perspectivas no ensino

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Conversa usando Netmeeting

A troca de aulas via internet obviamente não substitui por completo o trabalho de um professor. Numa conversa livre, dificilmente o interlocutor estará disposto a corrigir erros ou a trazer conceitos novos de forma didática para o desenvolvimento do aluno. Porém, para a prática de conceitos já dados em aula, a videoconferência é um excelente instrumento para o desenvolvimento da fluência.

 

As aulas pela internet resolvem, também, um outro problema grave: a falta de mão-de-obra qualificada em algumas regiões do planeta. Na experiência da professora Niedja Carvalho Fedrigo, o principal fator motivador da busca de alternativas foi a carência de pessoas fluentes no idioma que era necessário no local em que vivia - o que é resolvido parcialmente pela internet.

 

A rede permite que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, tenha acesso a quem tem fluência no idioma que quer aprender. Isso quer dizer que alguém em Garanhuns (PE) ou Chapecó (no oeste catarinense) passa a ter oportunidades iguais para encontrar quem fale francês, inglês, russo ou japonês quanto quem vive num grande centro urbano.

 

Dois tipos de serviços podem ser montados a partir de videoconferências: a troca de idiomas, como a proposta no projeto de Niedja; ou aulas formais, dadas por um professor que cobra pelo serviço, com a única diferença de que são oferecidas a distância, do local em que o professor vive e com o sotaque de quem nasceu e cresceu naquele país.

 

Nos dois casos (da prática ou das aulas pagas), o que regerá os serviços será a velha lei da oferta e da procura: quem for fluente em inglês (ou outros idiomas mais procurados) terá maiores chances de encontrar parceiros dispostos a trocar aulas do que quem fala chinês, afegão ou tailandês. Nosso português, falado por mais de 200 milhões de pessoas no planeta, está num nível intermediário: não é campeão de audiência, mas tem boa procura.

 

As trocas de aulas abrem um novo mercado em que as empresas de internet podem atuar. Toda a tecnologia necessária para o funcionamento do serviço já está disponível: o programa NetMeeting, para videoconferências, é amplamente utilizado, e os mecanismos para busca de parceiros (conforme características indicadas pelo usuário) são comuns em sites de bate-papo.

 

Ou seja, só seria necessário adaptar as tecnologias existentes às necessidades do serviço para lançá-lo na rede. Para a combinação de parceiros, por exemplo, seria preciso fazer com que as buscas passassem a usar critérios ligados ao aprendizado de línguas: quantos idiomas a pessoa fala, seu grau de fluência, se é um professor treinado para dar aulas (e cobra pelo serviço) ou quer apenas praticar, que temas gosta de discutir, etc. Está lançada a proposta. Só falta por em prática.