INTERCÂMBIO

 

AUSTRÁLIA PASSA À FRENTE DOS EUA NA OFERTA DE CURSOS

Atentados, câmbio e guerra do Iraque desestimulam os brasileiro

 

Os Estados Unidos estão perdendo o pódio de destino mais procurado nos programas de intercâmbio cultural. O processo, iniciado com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e agravado com a alta do dólar, acentuou-se com a guerra do Iraque. O conflito também afetou a procura pela Inglaterra, que teve ainda seus cursos onerados pela valorização de 15% da libra frente ao dólar, afirma Eduardo Camargo, presidente da Belta - Brazilian Educational & Language Travel Association.

A entidade reúne as principais instituições brasileiras que trabalham na área de cursos, estágios e intercâmbio no exterior e que representam mais de 90% do mercado de educação internacional. Camargo estima que a retração dos programas aos Estados Unidos pode chegar a 50%, mas outros fatores tiveram peso considerável, como o câmbio. 

Na Connection Line Programas Culturais, a procura por escolas e universidades americanas caiu 60% desde o início da guerra, afirma a diretora   Vera Lúcia do Amaral. Canadá, Austrália e Nova Zelândia passaram a atrair a preferência dos estudantes. A cidade canadense de Toronto tem sido a campeã nos últimos meses, mas a Austrália também tem exercido grande poder de atração.

Para explorar mais esse potencial, a Connection Line fez parceria com o consultor de viagens e intercâmbio cultural Alain Rutemberg, da Austrália Go. Brasileiro, há oito anos na Austrália, ele afirma que é crescente o interesse de estudantes de graduação que querem transferir seus cursos para faculdades australianas.  Os cursos de inglês para fins acadêmicos também tiveram maior aumento de demanda, em relação ao estudo do inglês geral. E mesmo os cursos de pós-graduação e MBAs (Master in Business Administration) começam a ganhar prestígio no mercado corporativo mundial. “A Bond University, em Gold Coast, tem participado da prova Multi Corp Competition e conquistou o primeiro lugar em três anos.”

O destino Austrália tem atraído cada vez mais estudantes devido à semelhança de clima, à receptividade do povo (muito parecida com a do brasileiro), o custo de vida mais baixo e a imagem de segurança, segundo Rutemberg. Tanto os cursos de bacharéis e mestrado, como os MBAs são pagos por matéria, o que permite ter tempo livre para o trabalho, de 20 horas por semana, como é permitido para estudantes estrangeiros por lei.

Ele afirma que é crescente também o interesse por estágios não-remunerados. “Em convênio  com a Universidade de Queensland, oferecemos oportunidades em diferentes áreas, de chefe de cozinha a laboratório de bioquímica, nos períodos de um mês a um ano. Esse tipo de programa tem sido muito procurado por quem tem interesse em enriquecer seu currículo e torná-lo mais atrativo no mercado brasileiro”.

Na STB - Student Travel Bureau, uma das maiores empresas do setor, com 30 anos de experiência, a procura por experiências nos Estados Unidos tem caído, mas em menor  proporção. No ano de 2000, 38 % dos 10.491 estudantes embarcados  para o exterior foram para escolas americanas. Em 2002, esse percentual caiu para 28% dos 10.376 brasileiros que foram estudar fora do País, afirma Cláudia  Martins, responsável pelo departamento de marketing.

“Pode ocorrer um novo decréscimo de procura, mas não acentuado. O Canadá tem sido o destino mas procurado atualmente, por causa do câmbio mais favorável, da beleza do país e da diversidade cultual”, afirma Cláudia. Ela exemplifica o impacto do câmbio no mesmo programa de estudo da escola Eurocentres, com 4 semanas de curso com 20 horas/aula semanais, acomodação em casa de família, com meia pensão (café da manhã e jantar), taxas da escola e passagem aérea com saída de São Paulo ou Rio de Janeiro. Na unidade de Toronto, o preço é de US$ 1.890. Em Londres,US$ 2.424.

Mas nos pacotes para executivos que querem aprimorar o inglês voltado para negócios, os Estados Unidos continuam a ser o destino mais procurado, em especial as grandes cidades como Nova York, Boston e São Francisco. No ano passado, o Reino Unido passou pela primeira vez à frente dos EUA, com 29% dos programas vendidos pela SBT. O terceiro destino foi o Canadá. Austrália e a Nova Zelândia ocupam a quarta e a quinta colocação, respectivamente.

A procura por outros idioma ainda é modesta. A Espanha aparece com 2%; Itália e França, com 1% cada e Alemanha, com participação inferior a 1%. Depois de um início de ano problemático, Cláudia acredita que em melhora para o segundo semestre.

Eduardo Camargo, presidente da Belta, concorda e prevê para 2003 uma retomada dos negócios. Na opinião dele, o quadro político interno já está definido, o dólar voltou a um patamar razoável e a guerra no Iraque parece estar no fim.

Segundo Vera Amaral, da Connection Line, apesar de alguns estudantes terem adiado a saída do Brasil devido à guerra, o fim do conflito deve restabelecer o fluxo normal. Mesmo assim, o movimento de sua empresa - que caíra de  20% a 30%  em relação a 1999, um dos melhores anos do setor - deve retrair de 10% a 15% em 2003, em relação ao ano passado, quando a Connection enviou 1.040  estudantes a exterior.

 

OS DESTINOS MAIS ATRAENTES

- Austrália ......... 37,6%

- Canadá ........... 30,6%

- EUA ............... 21,2%

- Nova Zelândia. 20,0%

- Inglaterra ........ 17,6%

- Espanha .........   2,4%

- Alemanha ......   1,2%

- Outros ...........   1,2%

 

Fonte: Jornal Gazeta Mercantil -SP - Seção Recursos Humanos - pg. C-4 - 15/04/2003, por Tania Nogueira Álvares.