EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Ninguém mais tem dúvidas: a educação profissional é fator determinante no mundo corporativo, principalmente nos mercados mais afetados pela globalização. Regra básica do marketing: onde existe uma necessidade, existe uma oportunidade de negócio. Essa pressão tem levado os educadores a desenvolver ferramentas que tornem mais rápida e barata a aprendizagem, sem barreiras de tempo e geografia.

Existem registros de que já no ano de 1837 o especialista em fonografia inglês Isaac Pitman ensinava sua técnica por correspondência no Reino Unido. Qualquer pessoa que um dia na vida leu um gibi, com certeza deparou-se com anúncios que ofereciam cursos por correspondência.

Porém, a internet e as novas tecnologias de comunicação, como a videoconferência interativa, CD-ROMs e DVDs revolucionaram a experiência do aprendizado. Atualmente é possível encontrar cursos em todos os níveis, da graduação aos famosos MBAs, nas melhores instituições de ensino do mundo.

Eu me incluía na lista dos céticos, até vivenciar uma experiência. E posso afirmar: desde que a estrutura do curso seja bem definida, levando em consideração as características específicas do conhecimento a ser transmitido, adotando-se o modelo de “aprendizagem misto”- com uma carga de ensino on-line e outra off-line - a educação a distância é mais eficiente do que o modelo tradicional. O valor agregado ao final do curso é muito maior.

O Rio Grande do Norte é o ponto central de uma das principais redes de videoconferência do Brasil. Baseada na Escola de Turismo e Hotelaria Barreira Roxa, a rede une todos os estados do Nordeste, além de Brasília e Mato Grosso. Participei de um curso em que a professora estava a mais de 3 mil quilômetros de distância, em Florianópolis, falando simultaneamente para 11 salas de aula situadas em cidades diferentes. Apesar disso, a eficiência da comunicação e os recursos disponíveis faziam a aula bastante interativa e movimentada, a ponto de muitas vezes esquecermos que conversávamos com uma televisão.

A educação a distância renasce com força total. Está colocada à disposição das organizações de ensino e das empresas como grande opção para atendimento daquela necessidade de que falávamos no começo. O único desafio é vencer o preconceito, popularizado no exemplo do motorista que tirou carta pelos Correios.


Fonte: Jornal: Gazeta Mercantil -SP - Seção: Opinião - Pg. A-2 - 09/06/2003, por Carlos Von Sohsten, Consultor do Sebrae, Natal, RN.