MAIS EMPRESAS DARÃO ESTÁGIOS

No  2o semestre deste ano, o CIEE vai intensificar o seu trabalho junto às empresas para a obtenção de mais ofertas de estágio para estudantes do ensino médio e superior.

Qualquer empresa - mesmo associações de classe, profissionais liberais e entidades civis - poderão contratar estagiários. O CIEE possui um banco de mais de 500 mil estudantes universitários, de todos os cursos e nível médio, em todo o País.

Entidades Filantrópica, mantida pelo empresariado nacional, reconhecida pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), do Ministério da Previdência e pelo Ministério da Educação, o CIEE encaminha, gratuitamente, estudantes cadastrados na organização.

As empresas interessadas poderão entrar em contato com o CIEE e solicitar a presença de um representante, que fornecerá, graciosamente, todos os esclarecimentos sobre a contratação de estudantes estagiários.

O estágio não cria vínculo empregatício e é isento de encargos sociais. Para cada vaga o CIEE encaminha, em média 5 estudantes candidatos, cabendo a empresa a escolha final. Somente quando ela utilizar os serviços de seleção do CIEE e de orientação técnica e jurídica, contribuirá com a colaboração institucional, voltada à cobertura das despesas operacionais e administrativas do cEntro.

Mais de 2,5 milhões de estudantes foram encaminhados pelo CIEE, para estágios e treinamento nas empresas brasileiras.

O CIEE foi criado há 36 anos por empresários e professores e possui 163 unidades, espalhadas pela  Nação.

 

FOLHETOS SOBRE DROGAS

No “I Seminário Antidrogas nas Escolas Superiores”, promovido no dia 30 de junho de 2000, pelo CIEE e SENAD, foi  lançado o folheto sobre drogas que será distribuído aos estudantes universitários brasileiros. Trata-se do primeiro da série, especialmente elaborado para os jovens universitários, apontando os malefícios do uso e dependência de drogas. No encontro, realizado na FIESP-CIESP, o Prof. Arthur Guerra de Andrade(GREA-USP), coordenador técnico do movimento, apresentou a programação Antidrogas, a partir do 2o semestre, que incluirá seminários e palestras nas faculdades e a capacitação de equipes formadas por professores e funcionários. Foi divulgado o concurso para universitários sobre os programas de prevenção, com a concessão de prêmios aos três primeiros classificados, em dinheiro, além de diplomas e medalhas. Mais dd 400 escolas superiores, professores e universitários e especialistas participaram do evento, que contou com a presença do ministro-chefe de segurança institucional da Presidência da República, general Alberto Mendes Cardoso, do Industrial Horácio Lafer Piva(presidente da FIESP-CIESP), do dr. Paolo Gugliemo Bellotti(vice-presidente em exercício da presidência do Conselho do CIEE e presidente da Fundação Zerbini), reitores e docentes das faculdades.

Fonte: CIEE Informa Ano V no 218, publicado Gazeta Mercantil  12 de julho de 2000 - suplemento Grande São Paulo


OFERTA DE MICROS PARA ESTUDANTES

Fruto de parceria com o Bradesco e com a empresa Scopus, o CIEE está oferecendo aos estudantes estagiários a aquisição de microcomputadores com sensível redução de preço e financiamento. Os microcomputadores podem ser comprados à vista ou em 24 parcelas fixas. As taxas de juros são pré-fixadas e  abaixo do mercado. Estão disponíveis  seis opções de kits e os estudantes  podem escolher  entre três modelos diferentes de microcomputadores. Mais informações podem ser obtidas  nas agências do Bradesco, distribuídas pelo País ou nas unidades CIEE.


OS JOVENS EXCLUÍDOS DO MERCADO DE TRABALHO

Márcio Pochmann*

No século XIX, a Europa caracterizou-se por produzir um segmento social identificado por trabalhadores supranumerários, que eram pessoas privadas de propriedade e aptas somente ao trabalho. Não se tratava de mendigos, cortesões ou de outras formas de criados dependentes dos restos deixados pelas famílias afluentes, mas de mão-de-obra disponível, aguardando algum posto de trabalho para produzir. Agora, neste ultimo quartel do século XX, e o Brasil que se destaca na geração de supranumerários. Isto é, jovens na faixa etária de 15 a 24 anos que se encontram cada vez mais com o seu tempo livre disponível, esperando por algum tipo de ocupação.

Causa espanto perceber que nos anos 90 o nível de ocupação dos jovens permaneceu praticamente inalterado. Apesar de 2,3 milhões de jovens terem conseguido ingressar no mercado de trabalho, a quantidade de jovens terem conseguido ingressar no mercado de trabalho, a quantidade de jovens ocupados em l998 (16,1 milhões de postos de trabalho) foi exatamente a mesma de l989. Por conta disso, o que mais cresceu entre os jovens foi o desemprego, que passou de 1 milhão, em l989, para 3,3 milhões, em l998, representando 48% do total do desemprego nacional. Ao final da década, constata-se que a cada 100 jovens quase 20 estavam na situação de desemprego, enquanto ao término dos anos 80 eram apenas 6 jovens desempregados a cada grupo de 100.

Enquanto no Brasil a taxa nacional de desemprego juvenil atinge 17,1%, nos países ricos a taxa media de desemprego juvenil é de 13,4%, conforme informa a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE). Embora não se registre ainda a maior taxa de desemprego juvenil do mundo, o Brasil apresenta-se como o país que tem uma das mais rápidas expansões do desemprego. Dos 60 milhões de jovens considerados na condição de desemprego aberto, 5,5% são de brasileiros, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho(OIT).

Além da tragédia do desemprego, convém ressaltar também as mudanças significativas no perfil da ocupação juvenil. Nos anos 90, houve uma regressão no assalariamento, o que fez com que dos 6,9 milhões de jovens com empregos formais de l989 sobrassem apenas 4,9 milhões em l998. Com a queda do assalariamento regulamento, há menos jovens contribuindo para os fundos públicos, ampliando em perspectiva o problema estrutural de financiamento das políticas públicas no País.

Como se sabe, a Previdência Social, por exemplo, opera em bases correntes, só tendo a perder quando os jovens perdem a oportunidade de financiar pensões e aponsentadorias, especialmente no momento em que ganha maior dimensão a fase de envelhecimento demográfico. Os jovens, que representavam quase 1/4 do total de contribuintes no final da década de 80, transformaram-se em quase 1/6 nos anos 90. Paralelamente à diminuição do emprego formal, houve expansão das estratégias de sobrevivência juvenil, através da ocupação autônoma, por conta própria, trabalho independente e sem remuneração. Em geral, são situações precárias de ocupação e também de sub-remuneração, que terminam por disfarçar o crescente desemprego.

Em função disso, não é mais possível negar a gravidade da situação atual do jovem brasileiro, necessitando de uma intervenção pública emergencial. As barreiras ao primeiro emprego precisam ser rompidas. Devemos ressaltar que o primeiro emprego representa uma situação decisiva na trajetória futura do jovem diante do mercado de trabalho. Quanto melhores forem as condições de acesso ao primeiro emprego proporcionalmente mais favorável deve ser a evolução profissional da juventude.

No passado, o primeiro emprego representava a possibilidade de o jovem constituir a sua trajetória profissional ao longo de sua vida útil. Nos dias de hoje, isso não é mais assim. Em primeiro lugar, porque as ofertas de trabalho são, muitas vezes, temporárias e nas mais diferentes situações(bicos, estágios, treinamento, entre outras), que dificultam a construção de uma carreira ocupacional. sem a existência de uma ocupação estável, o jovem não consegue sair da condição de desemprego interrompido temporariamente por bicos, estágios e quebra-galhos para auferir alguma renda.

O que mais cresceu entre os jovens foi o desemprego, que passou de 1 milhão, em l989, para 3,3 milhões, em l998.

Em segundo lugar, porque as ocupações, que muitas vezes eram a primeira porta de ingresso no mercado de trabalho, hoje passaram a ser objeto de concorrência entre os jovens e os trabalhadores adultos. Diante de um elevado excedente de mão-de-obra, os trabalhadores adultos buscam qualquer vaga, inclusive as anteriormente ocupadas por jovens. Nesta condição, o empregador pode contratar adultos, mais preparados, pagando salários de jovem.

Para reversão, duas devem ser as ordens de medidas de fundamental importância, além da retomada sustentada do crescimento econômico, responsável pela geração de postos de trabalho em maior quantidade. Na primeira ordem, encontram-se as medidas direcionadas à postergação do ingresso  do jovem no mercado de trabalho. lIsto não ocorrerá apenas com os esforços familiares. Torna-se necessária também a difusão de mecanismos de transferência de renda (bolsa-escola, renda mínima, entre outros) para as famílias carentes, com o objetivo de assegurar melhores condições de acesso e manutenção no sistema escolar.

A melhora quantitativa e qualitativa da escola é inquestionável nesse novo cenário. Por fim, na segunda ordem de medidas, destacam-se aquelas direcionadas à proporção  de ocupações especificamente para o jovem. A constituição de um sistema nacional de ações de melhor relacionamento entre o sistema de ensino e o mundo do trabalho, além de postos de trabalho subsidiado no setor privado e de programas de utilidade coletiva no setor público, podem agudar a desconstituir a atual geração de supranumerários no Brasil.

* Professor do Instituto de Economia e Pesquisador do centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho(Cesit) da Unicamp.

Gazeta Mercantil, 30 de junho de 2000, página A-3 páginas Análises & Perspectivas.