Bom para o trainee e bom para a empresa

A contratação de um trainee é favorável tanto para quem emprega como para quem está assumindo uma das vagas. O candidato que conseguir passar pelos rigorisíssimos testes de seleção estará em situações bem vantajosas em relação à maioria dos recém-formados. Eles recebem treinamento de profissionais mais experientes de várias áreas da empresa, têm os mesmos benefícios dos funcionários e, claro, ocupam cargos estratégicos muito cedo. Passar no teste de seleção não é fácil. As empresas valorizam os bons estudantes de boas universidades. Geralmente é pré-requisito ter menos de 30 anos e exige-se o domínio do inglês. Há testes de conhecimentos gerais e técnicos, além de dezenas de entrevistas. O programa do HSBC do ano passado recebeu 4.200 inscrições, mas apenas 30 pessoas foram selecionadas. Este ano, até a semana passada, chegava a 3.500 o número de candidatos para 50 vagas. Algumas companhias, a exemplo da Embratel, exigem que o candidato tenha MBA (Master in Business Administration), espécie de pós-graduação executiva.

Ocupando lugar de executivos
Não é à toa que as empresas investem tanto nos seus programas de trainee. O banco HSBC, por exemplo, comprou um imóvel nos arredores de Curitiba onde funcionava um hotel com campo de golfe para torná-lo o Centro de Treinamento da empresa. Será lá que os 50 trainees que o HSBC está selecionando vão passar pelo processo de aprendizado teórico. Os aprendizes também têm uma boa remuneração — salário inicial de R$ 2 mil — e todos os benefícios oferecidos a funcionários antigos na empresa (seguro de vida, de saúde, tíquete-alimentação). As inscrições estarão abertas até 30 de junho. Apostando em talentos recém-saídos das universidades, as empresas não precisam entrar na acirrada guerra salarial por bons executivos. Ou seja, pagam salário de iniciante a uma pessoa que dará retorno à empresa, em vez de desembolsar alta remuneração com quem, nem sempre, consegue se adaptar à cultura da organização. ‘‘O mercado está tão concorrido que hoje a principal preocupação das empresas é saber o que fazer para não perder seu trainee para o concorrente’’, diz a consultora Solange Costa, sócia da consultoria Insight. (FF)

Correio Brasiliense - DF 13.05.2001 Página 03 - 1o Caderno, Comunicados