Desafio é deixar a carta atrativa e original
Fernando Moraes
Antonio Marcio Ribeiro Junior, publicitário, conseguiu vaga ao mandar texto de apresentação
 

VINÍCIUS BASTOS
FREE-LANCE PARA A FOLHA

No meio da pilha de currículos e outras correspondências recebidas, uma carta de apresentação criativa e bem-elaborada fura a fila e desperta a atenção do selecionador. Para ele, é o texto certo recebido na hora certa. Para o profissional, pode representar o "passaporte" para a vaga.
Apesar de não ser sempre essa a regra, a situação descrita acima traz um exemplo de como uma apresentação por escrito pode abrir as portas para a contratação ou, no mínimo, para uma entrevista

dizem os especialistas.
Mas, para que a estratégia funcione, o texto precisa ser mais que um mero "aperitivo" para o currículo. "A carta é o espaço que um auxiliar de escritório, por exemplo, tem para mostrar o que o diferencia de outros candidatos à mesma vaga", diz Rosana Ramos Gammaro, 45, diretora da consultoria Mariaca & Associates.
Valesca Silva, 26, consultora da BPI, resume a questão: "O objetivo é tentar provar para a empresa que o autor daquela síntese é a solução do problema", explica. "Tem de ser convincente, sem apelar para a arrogância."

Bom-dia
Gerson Correia, 49, consultor da DBM, conta que as cartas costumam seguir dois padrões: o primeiro e mais usado é aquele em que o profissional destaca as realizações mais significativas de sua carreira. Simboliza um "bom-dia" ao selecionador, diz ele.
O segundo serve para responder a uma oferta de emprego publicada em algum veículo de comunicação. Nos dois casos, porém, é preciso relatar experiências profissionais que fujam do óbvio.
"Repetir o que já está no currículo não acrescenta nada e pode fazer com que a carta nem passe das mãos da secretária do empregador", afirma Correia.
Para não cair na redundância, os consultores aconselham escolher uma ou duas passagens profissionais e explicá-las detalhadamente, como fez o engenheiro metalurgista Jorge Fukuda, 39.
Demitido de uma indústria de alumínio em outubro de 2001, ele enfatizou um curso feito no Canadá e o fato de ter comandado a instalação de novas máquinas na empresa em que trabalhava.
"Tive quatro propostas de trabalho e estou na fase final de um processo seletivo", conta.
São Paulo, domingo, 27 de janeiro de 2002 Folha de S. Paulo, Emprego, pag. 2