CONEXÃO INTERNECIONAL

Planejamento barateia estudo no exterior

Fernando Moraes/Folha Imagem
Fernando Rezende (esq.) e Danilo da Cunha vão fazer programa de trainee na Portugal Telecom


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Passar uma temporada fora do país não significa apenas desembolsar dinheiro. É possível encontrar opções que tornem a estadia menos pesada para o bolso.
A escolha do país é o primeiro passo. Um curso de inglês com duração de um mês, por exemplo, pode custar a partir de US$ 900, na Nova Zelândia, e chegar até a US$ 1.850, em outros países.
Já quem pensa em fazer uma pós-graduação acha cursos na faixa de US$ 8.000 a US$ 40 mil -os mais caros são os de MBA (Master in Business Administration).
"Fora o custo de vida, de cerca de US$ 10 mil por ano", estima Alfredo Spínola, 52, diretor-presidente da Belta (associação brasileira de empresas especializadas em educação internacional).
No caso dos MBAs, uma anuidade em Harvard custa US$ 30 mil, mas a instituição calcula que, para se manter por um ano, um aluno solteiro gaste US$ 54,8 mil.
Quem vai com a verba contada pode economizar se souber escolher, por exemplo, a cidade onde pretende ficar. "No interior da Inglaterra, as despesas chegam a ser 35% menores do que em Londres. Em Dublin, na Irlanda, a economia é de 25%", conta Spínola.
Para amenizar esse gasto, é possível optar por países que tenham dólares mais baratos, como a Austrália e a Nova Zelândia.
Uma outra sugestão é investir no trabalho temporário. "Estudar no exterior é caro. Daí os programas de trabalho remunerado se tornarem tão populares", diz Luciano Maia, presidente da World Study, agência de intercâmbio.
"O número de interessados no programa de trabalho remunerado nos Estados Unidos dobrou entre 2000 e 2001", contabiliza.
Essas são vagas abertas na temporada de férias dos Estados Unidos, em hotéis, cassinos, restaurantes e locadoras de automóveis.
A atividade pode render de US$ 900 a US$ 1.600 mensais, mas, para participar, é preciso ter de 18 a 30 anos e nível universitário.
Esse tipo de trabalho temporário é permitido pelo governo norte-americano. Há quatro anos, concede-se a interessados um visto especial com permissão para trabalhar de três a quatro meses.
"Porém, o programa não tem finalidade didática como os cursos", diz Flávia Rizzo, diretora do Intercultural Cursos no Exterior.

Jornada dupla
Para quem pretende estudar, há ainda os programas de "au pair", em que o estudante trabalha como babá em uma casa de família e recebe cerca de US$ 500 mensais para custear seu curso.
O estudante deve ter conhecimento intermediário do idioma e considerar que o objetivo é ganhar experiência de vida.
Os amigos Danilo Nóbrega da Cunha, 23, e Fernando Rezende, 23, partiram para Portugal, onde vão fazer um programa de trainee na Portugal Telecom por um período de quatro a seis meses, com remuneração mensal de 1.050 (cerca de R$ 2.100)."Queria conciliar a viagem com uma experiência profissional", conta Cunha.
Por esses programas, as instituições cobram taxa de inscrição, (em média de R$ 40) e de intercâmbio (cerca de R$ 500).
As bolsas de estudo são outro modo de bancar o curso. O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha, por exemplo, recebe até o dia 31 inscrições para custear cursos de idiomas ou pós no país.
Os interessados podem se candidatar a bolsas cadastrando seus dados diretamente no site www.becas.mae.com, em vez de levar a documentação à embaixada.
(BRUNA MARTINS FONTES)


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                                 Empregos - Folha de Sao Paulo, São Paulo, domingo, 03 de março de 2002, pag. 2 www.folha.com.br