FORMAÇÃO

Trabalho de final de curso criativo e bem-elaborado pode garantir emprego para profissional recém-formado

Monografias ajudam a conquistar vagas
Fernando Moraes/Folha Imagem
Vitor Bittencourt, que passou a ser coordenador de marketing de um MBA graças a seu projeto

RENATO ESSENFELDER
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Jovens recém-formados na faculdade, atrás de uma vaga no disputado mercado de trabalho, frequentemente negligenciam uma arma importante a seu favor: os trabalhos desenvolvidos dentro da própria universidade.
Mais do que o currículo, esses candidatos podem utilizar suas monografias ou projetos de conclusão de curso de graduação como um diferencial importante na hora de convencer o empregador.
Se o trabalho for sobre a empresa específica na qual se procura emprego, tanto melhor. Se não, estudos mais amplos, sobre o segmento econômico de atuação da empresa visada, também podem ser aproveitados.

Diferencial
"A monografia é bem-vinda quando é direcionada para uma área específica. Pode ser um diferencial", afirma a consultora de recursos humanos Giuliana Nigro, da Passarelli Talentos.
Segundo ela, se o recém-formado tem um trabalho de conclusão de curso bem-feito e relativo à área em que pretende atuar, deve fazer menção ao fato no currículo e também em entrevistas e dinâmicas de grupo. "Isso não garante a vaga, mas com certeza ajuda de alguma forma", explica.
Empresas ouvidas pela Folha confirmam o interesse nos projetos. "É um diferencial. Mas só a monografia não vai abrir portas. É preciso somar as qualificações", diz a gerente de treinamento e desenvolvimento da Sara Lee do Brasil (detentora das marcas Café do Ponto, Pilão, Caboclo, União e Seleto), Elisete Nogueira.
"Não só o produto, mas a forma como ele é escrito também é analisada", afirma Rogério Weber, gerente de RH da Azaléia.
"Foi uma mudança radical na minha vida." Assim o ex-vendedor Vitor Bittencourt, 31, hoje gerente de negócios de MBAs da Universidade Mogi das Cruzes (UMC) e professor universitário, define o impacto do projeto acadêmico em sua carreira.
Bittencourt apresentou no início do ano um plano de pesquisa para graduar-se no MBA em marketing da UMC, que ainda cursa. A proposta agradou tanto à diretoria que, mesmo antes de apresentar o trabalho final, ele foi chamado para trabalhar na própria instituição, coordenando a área de marketing dos cursos. "É uma estratégia para mostrar interesse e idéias novas às companhias."

Acadêmicos
Antes de colocar a monografia embaixo do braço e visitar algumas empresas da área estudada, no entanto, é preciso ter em mente algumas dicas.
A primeira delas é evitar um discurso muito acadêmico na hora de mencionar a pesquisa aos empregadores. "É interessante que o candidato coloque no currículo o tema de seu projeto, caso seja relacionado à empresa. Mas não adianta querer defender a tese no meio da entrevista de emprego", afirma o consultor de RH do Grupo Semco, Márcio Souza Assis.
Assis explica que, muitas vezes, a empresa não está interessada apenas na formação e na produção acadêmica dos candidatos e, por isso, eles devem ter cuidado para não "exagerar".
"Não adianta levar a monografia na primeira entrevista. Ele "candidato" pode citar o trabalho, mas só deve mostrá-lo quando for solicitado, mais tarde", declara Nogueira, da Sara Lee.
Para quem pensa em mandar o projeto pelo correio à empresa visada, junto com um currículo, a consultora Adriana Rosa, da Across, avisa: "Não é uma boa idéia. A medida pode ser considerada exagerada e não conquistar a simpatia do empregador".

Fonte: Folha Classificados - Empregos - pag. 2  25/08/2002