AQUI E LÁ FORA

PROFESSORES SÃO FONTES DE INFORMAÇÃO E DE CONTATO COM INSTITUIÇÕES DE QUALIDADE

Experiência valoriza currículo e pode dar duplo diploma

DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar de as disciplinas ministradas nos cursos superiores do exterior, em geral, serem similares àquelas oferecidas em instituições brasileiras, a principal vantagem de quem participa dos programas de intercâmbio é vivenciar a diferença de cultura, de idioma e até mesmo da forma como o conhecimento é ensinado.
Antes de tomar a decisão de estudar fora, o aluno deve observar sobretudo os ganhos para a sua formação. Segundo Thomas Case, fundador do Grupo Catho, é aconselhável que o estudante procure cursos em países de língua inglesa, pois isso melhorará o seu domínio do idioma. "O intercâmbio com países como os EUA valoriza o currículo, pois atesta a fluência na linguagem mais usada no mercado mundial". Para Case, a oportunidade é importante para que aqueles que pretendem trabalhar em outros países façam os seus primeiros contatos.
O estudante da FGV-EASP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas) Diego Rauter, 21, que ficou dez meses nos EUA, diz que optou por disciplinas, como a contabilidade, nas quais os norte-americanos possuem técnicas diferentes das brasileiras. "Outro ponto importante foi aprender termos específicos do comércio."
Para Ilza de Oliveira Godoi, coordenadora da Comissão de Cooperação Internacional da USP, estudar em outro país é uma oportunidade que os alunos têm para conhecer instituições em que poderão fazer suas especializações, como um MBA. Segundo ela, uma viagem de seis meses custa cerca de US$ 6.000 -gastos com o transporte aéreo, a hospedagem e a alimentação; a mensalidade geralmente não é cobrada.
Luiz Carlos Ritter Lunde, docente da Escola de Administração da UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) diz que professores podem ser uma boa fonte de informação sobre a qualidade das universidades de outros países ou uma alternativa para o contato inicial com essas instituições. "Os docentes vão a congressos ou fazem especializações no exterior. Ou seja, possuem uma rede de contatos formada que poderá servir de auxílio."
Segundo Katia Regina Cervantes Dias, diretora do Departamento de Cooperação Internacional da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a maior procura pelos programas no exterior dá-se entre alunos de direito, de engenharia, de economia e de línguas.

Duplo diploma
Um acordo firmado neste mês entre a Unicamp e uma universidade francesa permite que os alunos de engenharia mecânica e elétrica que participam do programa de intercâmbio possam tirar dois diplomas, um na França e outro no Brasil. Desde 2001, alunos da Poli-USP também usufruem de programa similar. Atualmente, 34 estudantes de engenharia estão na França. A duração do programa é de dois anos e três meses.
Fonte: Suplemento FOVEST da Folha de S. Paulo, pág. 3 24/10/2002