Processo de seleção para bolsas de estudo é longo e inclui entrevistas

DA REPORTAGEM LOCAL

Para ter a oportunidade de estudar no exterior por intermédio da faculdade, o aluno deve se preparar para a alta concorrência e estar disposto a passar pelos testes de avaliação. A adaptação ao país estrangeiro também exige disciplina e perseverança.
A estudante de ciências sociais da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Tatiana Bukowitz, 24, passou por três etapas em 2001 antes de ser selecionada para receber uma bolsa de estudo de 11 meses no Japão. "Havia cerca de 150 candidatos para a vaga."
Na primeira fase, o chefe de departamento de sua faculdade a entrevistou e analisou a média de suas notas. Na etapa seguinte, a estudante teve de redigir uma carta descrevendo as suas motivações. Finalmente, passou por uma entrevista em inglês feita pelos representantes do programa. "Muitos acharam que bastaria um nível médio da língua inglesa, mas foram eliminados."
Em outubro de 2001, ela partiu para o Japão. Tatiana diz que os primeiros meses foram difíceis, pois a cultura japonesa contrastava com a brasileira. "Sentia-me surda e analfabeta, pois aquela língua e escrita não faziam nenhum sentido para mim. Sentia-me cega, pois os códigos culturais, como o comportamento em uma conversa, eram diferentes."
Uma das principais bases do programa era o estudo da língua japonesa, embora as demais aulas fossem ministradas em inglês. "Nunca tive de estudar tanto." Os preços das mercadorias também a surpreenderam. "Uma cebola custava cerca de R$ 15. Tive de economizar muito."

Fonte: Folha de S. Paulo, caderno FOVEST, 24/10/2002 pág. 3