O FUTURO VESTE SAIA

“Salve o século das mulheres”, diz o caricaturista Lan, na Revista de Domingo, conforme mencionado no artigo Saudades de Matão, de Fernando Pedreira, publicado em O Estado de S.Paulo, no início do ano.

Mais adiante, Pedreira diz que “os cuidados com o corpo humano têm melhorado sensivelmente, beneficiando, mais do que tudo, as mulheres. Já não se morre mais de parto, como antigamente. Aos 60 anos, com filhos e netos, uma mulher pode conservar não só o sorrido e a aparência, mas a disposição, que em outros tempos se iam, muitas vezes, antes dos 30. Já não é preciso ser virgem para casar de véu e grinalda e, o que é melhor, devolveu-se à própria mulher o domínio de sua vida biológica e fisiológica, de seu sexo e fertilidade. A emancipação feminina vai se impondo, mesmo nas sociedades mais atrasadas”.

É porisso que as mulheres estão cada vez mais presentes em cargos de grande importância na economia e nos negócios, tanto no Brasil como no mundo. De acordo com o escritor e consultor de empresas americano Tom Peters, “as mulheres vão dominar o mercado de trabalho no futuro. Elas são craques em fazer várias coisas ao mesmo tempo, ao passo que os homens adoram regras que valem cada vez menos”. Mas os números mostram que elas ainda não chegaram lá. A revista Exame, em recente edição, afirma que elas são 40% da força de trabalho do país, porém, apenas 24% delas atuam em cargos gerenciais. Nos Estados Unidos, as mulheres representam 49% da força de trabalho, mas, de acordo com a organização  feminista Catalyst, das empresas que constituem a lista da Fortune 500, apenas 12,5% dos profissionais em nível de diretoria são mulheres. Um estudo efetuado em 1996 pela Korn Ferry, uma das maiores empresas de colocação de executivos do mundo, concluiu que apenas 14% das executivas ambicionavam a presidência, enquanto, para os homens, a taxa era de 46%. Outra coisa: os homens são caracterizados por maior ousadia, competitividade, decisao e objetividade, enquanto as mulheres primam pela empatia, apoio, desenvolvimento, construção de relacionamentos, compartilhamento de poder e informação.

                                    “O mundo dos negócios será mesmo das mulheres e,
  
                                  infelizmente, não há MBA que dê aulas de intuição”.

Ainda assim é clara a crescente participação da mulher em cargos de comando. É o caso de Carly Fiorina, presidente da HP, Andréa Jung, presidente da Avon, Margaret Whitman, da eBAy, Martha Steward, Omnimedia, todas entre os 25 melhores administradores do ano, de acordo com a revista Business Week de dezembro de 2000. No Brasil temos importantes exemplos, como a Maria Silvia Marques Bastos da CSN, ou ainda a Regina Celi Venâncio, da Termodinâmica, e até o Bradesco, que pela primeira vez em sua história acaba de nomear uma mulher, Denise Moura, para integrar a diretoria do banco. Mas, por que, de repente, o sexo frágil está ocupando cada vez mais lugares de destaque no mundo dos negócios? A educação e a dedicação das mulheres aos afazeres domésticos foi mudando com a necessidade de complementar o orçamento familiar e o crescente mercado de serviços.

Muita gente associa essas mudanças a outros fatores. Por exemplo, as mulheres seriam menos afoitas com relação à remuneração e, por isso, dedicam-se mais ao trabalho sem tanta preocupação monetária. Outros acham que a mulher trabalha melhor porque tudo é novidade e desafio. Eu acredito que o principal motivo seja outro. Os homens são mais objetivos e querem os fatos, dados estatísticos, gráficos, números. Baseados nessas informações eles discutem, avaliam e decidem. Acontece que o mundo mudou, os negócios tomaram uma proporção global e o ritmo tornou-se frenético. Já dizia Alvin Toffler, há cerca de dez anos, que não haveria mais a distinção entre empresas grandes e pequenas, mas entre as rápidas e as lentas. Somente as ágeis sobreviveriam. E é aí que entra uma qualidade que só as mulheres têm: intuição. Sem negar a importância dos fatos, números, dados e outros subsídios, a intuição passa a ser um critério adicional dos mais importantes. Assim, o mundo globalizado de hoje precisa cada vez mais de mulheres em postos de comando. O futuro será das mulheres e, infelizmente, não há MBA que dê aulas de intuição.

Fonte: Revista UMA  - Seção Geral - pg.122 -10/09/2001, por Roberto Grad, presidente da empresa de consultoria Hill and Knowlton Brasil