NEGÓCIOS

Quarta-feira, 15 de Maio de 2002
EMBAIXADOR S/A

Dono de uma gigante de RP, Richard Edelman quer vender países

Sede em NY: receitas de
US$ 221 milhões em 2001

Estamos no 26º andar da 1.500 Broadway, Nova York. Terminais de tevê e computadores ficam ligados 24 horas. Um painel indica a cotação das bolsas. Lá de cima é possível acompanhar a Times Square, o metro quadrado mais caro do mundo. Bem-vindos ao escritório de Richard Edelman, dono e presidente da corporação que leva seu sobrenome. A Edelman é hoje a maior empresa de relações públicas independente do mundo e quinta maior em faturamento – em 2001, teve receitas de US$ 221 milhões. Deste montante, o Brasil contribui com US$ 3,8 milhões. Seu trabalho: não só vender a imagem de empresas, mas criar planos de comunicação, gerenciar reputações e crises. Edelman acredita que possa fazer mais: quer vender países. Em outras palavras, promover a imagem das nações no exterior. “Governos devem ser tratados como corporações”, resume à DINHEIRO.

 
 

Edelman: “Quem é o Jack Welch brasileiro?”

O mais requisitado relações públicas do mundo acredita que pode fazer muito pelo Brasil. “O País não sabe se vender internacionalmente”, dispara. “Quem é o Jack Welch brasileiro? Por que o Brasil ainda é visto só como carnaval?” Segundo ele, falta empenho para mostrar o País. Um exemplo claro é a crise do aço que Edelman garante que poderia ter evitado. No último mês, os americanos criaram uma sobretaxa ao aço, dificultando a exportação do produto brasileiro. “Se um bom trabalho tivesse sido feito, esse pacote jamais seria aprovado.” Parece etéreo? Edelman sabe do que fala. Lembra-se, em 1997, quando um extremista islâmico matou visitantes em Luxor, Egito? “Fomos contratados para trazer os turistas de volta.” Naquele ano, o Egito gabava-se de receber um recorde histórico de turistas. Outro trabalho que cita é a campanha dos vinhos chilenos. Nos anos 90, o Chile tinha uma questão a resolver: o preço e a qualidade da bebida eram bons, mas não havia visibilidade. Edelman apelou, então, a uma campanha “suicida”: vender a imagem do produto na França, país conhecido pela fabricação da bebida. “O vinho chileno só ganhou fama quando a mídia francesa aprovou.” Com a experiência de quem já fez milagres para Chile e Egito, o executivo quer ajudar o Brasil.

Fonte: Isto é Dinheiro /246-15/05/2002 pag. 48/49