RELAÇÕES PÚBLICAS

Empresas dos EUA procuram negócios na esteira dos escândalos

Dow Jones Newswires de Nova York

Nas ultimas semanas, algumas das maiores empresas de relações públicas (RP) do mundo começaram a anunciar seus serviços como especialistas em governança corporativa. As agências do ramo sempre oferecem “aconselhamento em crises”, mas estes novos serviços afirmam, são diferentes. Seus alvos são questões problemáticas passiveis de gerar graves conseqüências, como as fraudes contábeis nos Estados Unidos.

Várias gigantes do ramo se esforçam para conseguir negócios. Mas talvez o maior nome a entrar neste campo seja o de Richard C. Breeden, ex-presidente da Sucurities and Exchange Comission (SEC, equivalente a Comissão de Valores Mobiliários), que assinou contrato com a gigante da área de RP, a Edelman Worldwide, como “chaiman”da prática de governança empresarial.

A Hill & Knowlton do grupo WPP e a Golin/Harris Internacional do grupo Interpublic alocou recentemente unidades de negócios ou executivos de alto escalão a esta especialidade.  A Golim/Harris oferece a seus clientes uma revisão das questões de governança empresarial, como a remuneração de executivos. A empresa de RP afirma que um dos objetivos é encaminhar as informações financeiras oportunamente ao mercado.

 

Expansão dos limites

A nova especialidade levou algumas empresas muito além de suas funções tradicionais nas relações com investidores e no gerenciamento de crises.  Ron Hartwig, diretor de pratica empresarial da Hill and  Knowlton, diz que atualmente aconselha clientes a  respeito da inclusão de opções de a;coes como custos.

Em meio a uma forte queda de demanda pelos serviços tradicionais do setor, como gerenciamento de pedidos de informações sobre fusões ou da cobertura de novos produtos na mídia o setor de RP esbarra numa crise que lhe é peculiar. As três grandes holdings de publicidade,, proprietárias de muitas empresas de RP, registraram quedas de receitas entre 9% a 13%  em suas atividades na área, no primeiro trimestre deste ano. O faturamento da Edelman de cerca de US$ 224 milhões em 2001, caiu 4% no ano passado.

Anteriormente, as questões de governança empresarial eram conduzidas por professores de escolas de administração de empresas ou por advogados de destaque de Nova York.

Pelo menos um veterano em questões de governança corporativa argumenta que os executivos de relações públicas devem ter limites. “ É um exagero”, afirma Charles Elson, que dirige o programa de governança empresarial na Universidade de Delaware. “Com certeza Richard Breeden tem uma imensa experiência nesse campo, mas envolver empresas de relações públicas é ir longe demais.  Não há nada de errado em divulgar a boa governança, mas não é certo tornar a governança o objetivo em si das relações públicas”

Richard Edelman, presidente da agência, diz que depois dos escândalos da Enron, WorldCom e de outras companhias é vital criar uma cultura de integridade empresarial. “Você não pode comprar credibilidade por meio de publicidade nos meios de comunicação, afirma.

Fonte: Gazeta Mercantil – Mídia & Marketing – pág. C-8 , 25/07/2002