RELAÇÕES PÚBLICAS

FLEISHMAN-HILLARD e COMPANHIA DA NOTÍCIA

ANUNCIAM NOIVADO

“Queremos um compromisso de longo prazo com o Brasil”. É assim que Carmem Baez, presidente da norte-americana Diversified Agency Services (DAS) anuncia por telefone desde Nova York, o noivado com a brasileira Companhia de Notícias. A DAS é, na verdade, o guarda-chuva que abriga  a Fleishman-Hillard, a segunda maior empresa de Relações Públicas  do mundo e principal empresa da área do grupo Omnicom - holding que agrupa agências de publicidade, RP, design e produções impressas, entre outros serviços.

O noivado anunciado por Carmen, explica João Rodarte, presidente da CDN, encerra dois anos de negociações com a Fleishman-Hillard que, num primeiro momento, vai representar os interesses dos clientes da CDN no exterior, enquanto a brasileira faz o mesmo com os clientes da Fleishman-Hillard por aqui.

A parceria, por enquanto, não envolve troca de ações nem participação no capital de uma ou de outra. “Neste primeiro momento estamos fazendo uma parceria apenas operacional. É um noivado   que pode terminar em casamento em 2003:”, diz o presidente da CDN.

Rissig Licha, que preside a Fleishman-Hillard, desconversa quando a pergunta é por que a empresa - que tem operação nos cinco continentes - demorou tanto a chegar ao Brasil. “Estávamos à procura do par perfeito. E a CDN, que conhece bem o perfil do mercado brasileiro vai nos ajudar não só a incrementar os negócios de clientes que temos em comum, como Pfizer e McDonald’s, como na prospecção de novos clientes”.

Momento ideal

A expectativa da Fleishman-Hillard, diz Licha, é que as operações no Brasil acrescentem algo entre 20% e 25% na receita global da empresa. Hoje, a América Latina responde por algo entre US$ 8 milhões e US$ 9 milhões do total de US$ 300 milhões faturados pelo grupo. “Não é nosso maior faturamento, mas é a região que mais cresce dentro do negócio global”, explica o executivo. Segundo material divulgado pelas duas novas sócias em 2001, a Fleishman-Hillard faturou US$ 345 milhões, resultado da operação em 26 países e de carteira com 2 mil clientes. Diz ainda que a empresa foi apontada em pesquisa junto a 1,5 mil empresas como a mais importante agência do setor de Relações Públicas  dos Estados Unidos.

Muito legal

Para Carmen Baez, a Fleishman-Hillard chega ao Brasil  no momento ideal. Dúvidas e incertezas quanto aos rumos do País com o novo governo não habitam a mente da americana. “O Brasil vive um momento muito excitante. As perspectivas com o novo governo são extremamente positivas e o Brasil se apresenta como excelente oportunidade para novos negócios. Vai ser muito legal”, comenta ela com o entusiasmo de quem recentemente aprendeu e incorporou ao vocabulário mais uma palavra em português.

Com escritórios em São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e mais recentemente, Vitória (ES), a CDN deve encerrar o ano com faturamento de R$ 20 milhões que, segundo João Rodarte, representa crescimento entre 9% e 10% sobre o resultado obtido em 2001.

Novas possibilidades

João Rodarte acredita num aumento de até 20% na receita da CDN em 2003. Boa parte desse acréscimo, diz ele, virá da parceria operacional com a Fleishman-Hillard. Mas o grande responsável pelo incremento dos negócios no próximo ano, diz o empresário brasileiro, será em decorrência das políticas a serem implementadas pelo novo governo.

Como agência de comunicação - “e não apenas de assessoria de imprensa” - como Rodarte gosta de lembrar - , a CDN se prepara para atuar em várias frentes que podem ser abertas no governo Lula. “Só com o andamento da Reforma Tributária teremos uma grande movimentação de empresas”, diz ele que prepara sua empresa também para uma atuação mais firme também na área de responsabilidade social e da governança corporativa. “Que estarão em alta”.

Jornal A Gazeta Mercantil - SP - Seção Mídia & Marketing - pg. C-8 - 17/12/2002, por Eliane Sobral.