Vencedores do Prêmio Opinião Pública l988  

Tintas Coral Cambuci - 100 Anos de Amor à Libertação Projeto Kibon de Natação
Relatório Impacto de Meio Ambiente Projeto 75 da Shell no Brasil
Programa Volvo de Segurança no Trânsito Auto Latina X Ministério da Fazenda - Litígios de preços
Recuperando a Imagem Solidariedade Humana
Aids, a Guerra contra a Desinformação Campanha do Telefone

Tintas Coral Cambuci - 100 Anos de Amor à Libertação

 

Empresa

 

Tintas Coral 

Profissional Responsável

 

João Evangelista Teixeira 

Categoria: Relações com a Comunidade

 

Ano da Premiação 

1988

           


 

  Projeto Kibon de Natação

Empresa 

 Kibon S.A.

 

Profissional Responsável

 

Sílvio Rodrigues de Oliveira

 

Ano da Premiação 

1988

 


 

 

RELATÓRIO DE IMPACTO DE MEIO AMBIENTE

 

 

Empresa

 

ELETRONORTE – Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. 

Profissional Responsável

 

Maurício Esteves Coelho 

Ano da Premiação 

1988

 


 

 

 

PROJETO 75 ANOS DA SHELL NO BRASIL

Empresa

 

Shell Brasil S.A. 

Profissional Responsável

 

Eloá Trein Aranha 

Assessoria Externa

 

AAB, Ogilvy & Mather Relações Públicas Ltda. 

Ano da Premiação 

1988

 


 

 

PROGRAMA VOLVO DE SEGURANÇA NO TRÂNSITO

 

Empresa

 

Volvo do Brasil 

Profissional Responsável

 

João Pedro Corrêa 

Ano da Premiação

 1988


 

 

 AUTOLATINA X MINISTÉRIO DA FAZENDA
LITÍGIO DE PREÇOS

Empresa

 

Autolatina Comércio, Negócios e Participações Ltda.

 

Profissional Responsável 

Horst Richter

 

Ano da Premiação 

1988


 

RECUPERANDO A IMAGEM

 

Empresa

 

Union Carbide do Brasil

 

Profissional Responsável

 

Flávio Câmara

 

Assessoria Externa

LVBA – Comunicação e Propaganda Ltda.

Ano da Premiação

1988


 

 SOLIDARIEDADE HUMANA 

Empresa

 

Credicard S.A.

 

Profissional Responsável

 

Marcus Ramos Molina

Assessoria Externa

 

Burson-Marsteller Ltda.

 

Ano da Premiação

  1988


 

AIDS, A GUERRA CONTRA A DESINFORMAÇÃO

 

Empresa

 

Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda.

 

Profissional Responsável

 

Cyril G. P. Walter 

Ano da Premiação 

1988  

 


 

Prêmio Opinião Pública 1988

 

 Vencedores do Prêmio Opinião Pública l988

Tintas Coral Cambuci - 100 Anos de Amor à Libertação

Projeto Ki bon de Natação

Relatório Impacto de Meio A mbiente

Projeto 75 da Shell no Brasil

Programa Volvo de Segurança no Trânsito

Auto Latina X Ministério da Fazenda - Litígios de preços

Recuperando a Imagem

Solidariedade Humana

Aids, a Guerra contra a Desinformação

Campanha do Telefone

 

Tintas Coral Cambuci - 100 Anos de Amor à Libertação

 

Empresa

 

Tintas Coral

 

Profissional Responsável

 

João Evangelista Teixeira

 

Categoria: Relações com a Comunidade

 

Ano da Premiação

 

1988

 

 

Até 1988, Tintas Coral jamais investira em projetos culturais estruturados, com objetivos e propósitos bem delineados. Investir em cultura, a empresa sempre o fizera mas com atividades dispersas, sem uma estrutura definida e sem uma composição com sua própria formulação estratégica.

E foi exatamente de uma dessas atividades descompromissadas que surgiu o Projeto "Tintas Coral-Cambuci: 100 anos de Amor à Libertação".

"Em dezembro de 1987, o Movimento de Revalorização do Cambuci procurou-nos para que patrocinássemos a pintura do 'Maior Cartão de Natal do Mundo' nos muros do Colégio dos Irmãos Maristas. O patrocínio constava apenas no fornecimento das tintas.

"De repente, aquela que parecia uma atividade sem maiores ambições dava-nos um retorno institucional que não houvéramos pretendido: era o resultado da união com uma comunidade que falava por nós, agradecia-nos publicamente e, unindo-se a nós, fazia-nos vislumbrar a conquista dos objetivos que nós (empresa) e ela (comunidade) poderíamos estabelecer a partir de então.

 

OBJETIVOS

 

"Acertados os objetivos comuns, estabelecemos as ações, compondo um projeto estruturado, utilizando-nos de recursos incentivados pela Lei Sarney e de investimentos já previstos em nosso orçamento para 1988. Nascia, assim, o Projeto Cultural "Tintas Coral-Cambuci: 100 Anos de Amor à Libertação".

 

Objetivos da Comunidade

 

Resgatar a cultura e a história do bairro pela importância que ele tem no contexto brasileiro e, mais especificamente, paulista.

Divulgar o bairro, suas iniciativas e sua gente.

 Redirecionar a juventude para os valores e personagens que fizeram do bairro um centro de cultura.

Objetivos de Tintas Coral

Firmar sua imagem institucional, destacando: é uma empresa identificada com os interesses nacionais; é uma empresa voltada para a melhoria das condições de vida, proporcionando alegria, beleza e conforto; é uma empresa sólida, apesar do momento em que vivemos.

Tornar seu logotipo ainda mais forte e mais facilmente identificável.

 

 

Criar uma alavancagem institucional para a promoção de seus produtos.

Para atingir estes objetivos foram programados vários eventos, material de apoio e divulgação dos acontecimentos na imprensa.

 

1º EVENTO

 

Homenagem ao pintor Alfredo Volpi, morador no bairro do Cambuci, comemorando seus 92 anos. Contratação do pintor Julio Pequeno para produzir um painel em homenagem a Volpi. O painel de 80 metros quadrados foi entregue por Pietro Maria Bardi e Alfredo Volpi, representado por sua filha, D. Maria Eugênia.

 

2º EVENTO

 

Foram realizados três shows em praça pública no bairro do Cambuci (Praça da Igreja Nossa Senhora da Glória).

No primeiro show apresentaram-se Toquinho e os Demônios da Garoa. O espetáculo foi assistido por 6.000 pessoas, aproximadamente.

No segundo show, componentes da Escola de Samba de Cambuci abriram o espetáculo. Personagens populares e tradicionais do bairro foram aplaudidos pelo numeroso público. Por último, Jorge Bem foi intensamente aplaudido. Compareceram cerca de 15 mil pessoas

No último show, o sucesso ficou por conta do MPB 4.

 

3º EVENTO

 

Homenagem a Luís Gama. Foi confeccionado um painel de 100 metros quadrados, pintado por Júlio Pequeno e entregue à população. O painel foi pintado em um muro da Rua Luís Gama, no Cambuci.

 

4º EVENTO

 

Homenagem a Arrelia – a homenagem a esse ator alcançou grande repercussão. Foi reformado o "Painel do Arrelia", com inauguração festiva. Houve shows com palhaços, balões, etc, num espetáculo que durou 40 minutos.

 

5º EVENTO

 

Coral Grafado. Independentemente do projeto Cultural Tinta Coral-Cambuci, a empresa está patrocinando o Coral Grafado. Seus vinte componentes cantam, dançam e interpretam. Foram incluídos no projeto. Atualmente o coral está gravando um LP que evidencia a influência da música negra no Brasil.

Buscando tirar o maior proveito de todos os eventos, a Coral produziu um conjunto de peças de merchandising. Por outro lado foi expressivo o noticiário de imprensa em torno de todas as realizações, que destacaram o bairro do Cambuci e o nome da empresa.

À beleza de nossas cores unimos a alegria da música do Toquinho, Jorge Bem, MPB 4 e Demônios da Garoa, que oferecemos à população que não tem condições de vê-los em recintos fechados.

RESULTADOS

 

O projeto encontra-se, agora, em fase de conclusão. Estamos produzindo um LP que exprime a influência da música negra no Brasil e um programa educativo para televisão.

O mais importante, para nós, nesse projeto, foi a constatação de que se a cultura é importante instrumento de promoção institucional, seu valor cresce a partir do momento em que damos as mãos à comunidade e, com ela, caminhamos em busca de suas raízes e na promoção de seus valores. A comunidade, além de carente de cultura, é generosa no retorno.

Hoje, o Projeto Cambuci é apenas o ponto de partida para outros que, além do aspecto institucional, deverão funcionar como alavancagem de iniciativas promocionais

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 8, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

Projeto Kibon de Natação

 

Empresa

 

 Kibon S.A.

 

Profissional Responsável

 

Sílvio Rodrigues de Oliveira

 

Ano da Premiação

 

1988

 

O Projeto Kibon de natação faz parte de um programa global de atualização e modernização da imagem da empresa.

 

PROBLEMA E OBJETIVOS

 

A Kibon é um dos maiores anunciantes do País e responsável por 60% do mercado brasileiro de sorvetes, fabricando mais de 80  milhões de litros por ano. Sua marca era ligada apenas aos produtos que fabricava: “A Kibon é a que faz o Chicabon e o Chicabon é da Kibon”. 

A empresa, em virtude do consumo sazonal de seus produtos, adotava  uma postura exclusivamente vendedora e sua comunicação com o público tinha início na primavera e terminava abruptamente no outono.

Além desse posicionamento, detectou-se, por intermédio de pesquisas, um envelhecimento da imagem da marca, deixando-a distante do público jovem, grande fatia do mercado consumidor de sorvetes. Como solução para a mudança de imagem, a empresa concentrou esforços:

 

  • na criação de fonte de uma imagem corporativa, modernização da imagem da marca e aprimoramento da relação com o consumidor, não apenas em blocos sazonais de comunicação

 

  • na reformulação da programação visual da empresa, incluindo alteração e modernização da logomarca;

 

  • na revisão das estratégias de comunicação, em termos de conteúdo das mensagens se ainda na unificação e modernização plástica de toda peça publicitária e promocional exposta ou veiculada pela empresa;

 

  • no maior e mais constante relacionamento com o consumidor, através de um serviço de atendimento especial – o “Telefone Amarelo”;

 

  • na criação e desenvolvimento de um projeto institucional, visando:

                   -  colocar a Kibon em contato com a comunidade;

                   - associar a marca e eventos de interesse do público jovem;

                   - conseguir a presença da empresa na imprensa, não só como fabricante de                      

                   - sorvetes mas como instituição.

 

ESTRATÉGIA

 

A busca de um projeto institucional casou com uma situação em que a empresa já se encontrava, porém, sem direcionamento.

A Rádio Jovem Pan, de São Paulo, já vinha realizando com a Kibon, desde 1981, o Torneio Jovem Pan/Kibon, um campeonato de natação. Em 1983 surgia a oportunidade de patrocinar a nadadora Patrícia Amorim.

Em 1984, o Projeto Kibon de Natação nascia de forma organizada, visando descobrir e contratar talentos na natação brasileira.

 

IMPLANTAÇÃO

 

Criação e desenvolvimento de marca específica para o Projeto Kibon de Natação. Houve investimentos da ordem de 500 mil dólares anuais (cerca de10% da verba publicitária da empresa), com vistas a:

  • desenvolver a natação brasileira de alto nível;
  • incentivo aos atletas nas categorias juvenil A e B e Sênior;
  • apoio financeiro aos atletas para que possam treinar, contando com:

           ajuda de custo mensal, assistência médica e odontológica, mensalidades escolares,        

                 - apoio técnico e psicológico, material esportivo, viagens, especializações, clínicas

                   internacionais, assessoria de imprensa e de comunicações

 

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

 

O Projeto Kibon de Natação, que conta com 15 atletas, um diretor técnico e mais cinco técnicos, empreende várias atividades:

  • promoveu em média duas viagens internacionais de seus atletas para intercâmbio onde a natação está mais desenvolvida;
  • incentiva a descoberta de novos talentos por intermédio do Torneio Jovem Pan/Kibon;
  • promove quatro clínicas de natação por ano (dentro e fora do país) visando ao aperfeiçoamento dos atletas e utilizando essas informações para alimentar escolas de natação

 

  • utiliza técnicas desenvolvidas de medicina esportiva, com a contratação de médicos especializados internacionais;
  • patrocínio da Seleção Olímpica de Natação em Seul.

 

 

 

 

RESULTADOS  

 

Ligação do nome Kibon ao segundo esporte mais praticado no Brasil, e eminentemente, um esporte praticado por crianças e adolescentes.

Presença do nome Kibon na imprensa e na mídia eletrônica durante todo o ano, ganhando cada vez mais espaço na imprensa esportiva.

Associação da marca Kibon a um esporte de verão, ligado principalmente ao desenvolvimento físico, saúde, sem agressão à natureza.

Aumento do espectro da comunicação, uma vez que a empresa patrocina atletas de vários Estados brasileiros.

Destaque

 

Coroação do trabalho com a presença da Kibon ao lado da Seleção Brasileira de Natação em Seul, com dois dos melhores atletas da Seleção, pertencentes ao Projeto:

  • Patrícia Amorim, adotada da Kibon desde 1983, bateu durante as olimpíadas seus próprios recordes de campeã sul-americana de 200, 400 e 800 metros nado livre

 

  • Rogério Romero, único atleta brasileiro de natação classificado em oitavo lugar nas Olimpíadas, na prova de 200 metros nado de costas, tendo batido o recorde sul-americano na categoria, até então pertencente a Ricardo Prado.

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 11, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

 

  

 

RELATÓRIO DE IMPACTO DE MEIO AMBIENTE

 

 

Empresa

 

ELETRONORTE – Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A.

 

Profissional Responsável

 

Maurício Esteves Coelho

 

Ano da Premiação

 

1988

 

 

 

O relatório deste “case” refere-se à luta da Eletronorte para obter a aprovação da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso para a instalação da Usina Hidrelétrica Manso, às margens do Rio Manso, a 100 km de Cuiabá.

Na Universidade Federal de Mato Grosso teve início um movimento ecológico contra a construção da usina, liderado pelo grupo “Defenda a Vida”. O grupo contou, desde logo, com o apoio dos meios de comunicação. Desse modo, a Eletronorte, em dado momento, decidiu deflagrar uma campanha de esclarecimento e informação em defesa da Usina.

O objetivo era “aprovar em audiência pública o Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA), documento indispensável à concessão da Licença de Instalação da Usina Hidrelétrica Manso, a ser deferida pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso”.

ESTRATÉGIA/EXECUÇÃO

A estratégia traçada para o enfrentamento da questão se deu em dois campos: interno e externo.

A Luta Interna

O primeiro passo foi o de convencer a área técnica da Eletronorte da necessidade de alteração do nome do empreendimento. Ao invés de Usina Hidrelétrica Manso, Aproveitamento Múltiplo de Manso, tendo em vista a multiplicidade de uso da usina.

O segundo passo foi vencer a resistência da área de meio ambiente da Eletronorte a uma campanha de Relações Públicas, temendo que a mesma viesse a acirrar os ânimos dos ecologistas, e supondo-se que as negociações que estavam sendo mantidas com a Secretaria do Meio Ambiente eram, por si sós, suficientes para a aprovação do RIMA.

A fim de contornar essa situação, a área de Relações Públicas criou um prospecto denominado Aproveitamento Múltiplo de Manso e realizou uma pesquisa de rua.

A Luta Externa

A pesquisa mostrou que a população desconhecia o assunto, mas que ansiava por um melhor abastecimento de energia elétrica.

Para neutralizar a acusação de que Manso destruiria o Pantanal, foi montada a seguinte estratégia:

  • palestra na Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso;
  • esclarecimento junto ao empresariado, clubes de serviços, sindicatos, associações e demais segmentos da sociedade, procurando informar sobre a obra e desmistificando o assunto meio ambiente;
  • campanha buscando apoio junto às populações das cidades que seriam beneficiadas pela usina;
  • apoio junto às populações das cidades que seriam beneficiadas pela usina
  • campanha publicitária;
  • material de apoio para distribuição no dia da audiência pública na Secretaria do Meio Ambiente.

Para executar tarefa tão complexa, foi contratada uma agência local, a MCA Propaganda. Uma série de ações foi deflagrada e obteve-se o apoio dos presidentes das Federações da Indústria, Agricultura e Comércio e de outras associações

Para reforçar a posição da Eletronorte no Estado, foram promovidos encontros com o governador, com as secretarias do Meio Ambiente, de Serviços Públicos, de Turismo, de Agricultura e com a Companhia de Energia de Mato Grosso — CEMAT.

A fim de consolidar ainda mais a imagem da Eletronorte, promoveu-se uma viagem de metade da diretoria da empresa a Cuiabá, quando, durante uma semana, sucederam-se diversos atos de grande significação para o Estado. Dentre esses atos, destacaram-se: assinatura de Convênio com a Escola Técnica Federal de Mato Grosso para formação de mão-de-obra de nível médio especializada para os quadros da Eletronorte e inauguração do 2º Circuito em 230 kv em Rondonópolis, bem como do Centro de Controle Operacional da nossa Subestação de Rondonópolis.

Ao mesmo tempo, o setor de Relações Públicas da Eletronorte ocupou todo o espaço gratuito que foi possível conseguir, com press-releases, entrevistas com vários gerentes da empresa nos meios de comunicação.

Vinte dias antes da audiência pública, foi deflagrado um “rush” de comunicação, com outdoor, televisão, rádio e jornais, com freqüência diária.

PROVIDÊNCIAS PARA O DIA “D”

Houve uma reunião dramática no gabinete do governador, pois havia sido detectado que membros do próprio governo estavam dispostos a impedir a aprovação da usina. Essa reunião trouxe como conseqüência a nomeação de um novo Secretário e de um novo Chefe de Gabinete da Casa Civil.

Em face do “terreno lodacento” que a equipe de Relações Públicas percorria, foi criado um decálogo – “Proposta de Manso” – assinado pelo presidente da empresa. Essa peça foi publicada no dia que aconteceu a audiência, em página inteira, em todos os jornais de Cuiabá. Condensada para a televisão, foi exibida, também na véspera, 15 vezes em todas as estações de rádio e de televisão. Esse decálogo englobava todo o esforço da empresa e transferia para a sociedade a responsabilidade do empreendimento da usina.

RESULTADOS

No dia 19 de abril de 1988, o Governo do Estado de Mato Grosso fez publicar a licença de instalação da Obra de Aproveitamento Múltiplo de Manso.

A repercussão desse fato colaborou para que a Eletronorte pudesse vencer a etapa seguinte, que foi a assinatura do contrato de construção com o consócio vencedor da licitação em 18 de junho, em solenidade pública, com a presença de 400 pessoas.

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 12, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

PROJETO 75 ANOS DA SHELL NO BRASIL

Empresa

 

Shell Brasil S.A.

 

Profissional Responsável

 

Eloá Trein Aranha

 

Assessoria Externa

 

AAB, Ogilvy & Mather Relações Públicas Ltda.

 

Ano da Premiação

 

1988

Ao abordar a temática “75 Anos da Shell no Brasil – Imigrantes”, a empresa teve como objetivo prestar uma homenagem àqueles que aqui chegaram no início do século, como a Shell, e fixaram suas raízes.

O projeto teve como objetivo posicionar Shell Brasil como uma empresa tão brasileira quanto todos os demais brasileiros, cujos ascendentes foram imigrantes, e que hoje não mais podem ser considerados estrangeiros.

ESTRATÉGIA

Composto de três ações básicas, o projeto desenvolveu-se com a realização de uma “Campanha Institucional”, com mídia impressa e eletrônica, de abril a setembro; uma “Campanha Educativa”, na revista Nova Escola, de março a agosto; e um espetáculo “Os Imigrantes”: eventos fechados realizados para convidados da Shell nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

CAMPANHA INSTITUCIONAL

Foi organizado um encontro de 60 famílias de imigrantes: italianos, alemães, portugueses, espanhóis, japoneses, chineses, holandeses, franceses e ingleses. Total de 215 figurantes e 5 atores. O encontro aconteceu em forma de um piquenique no Parque do Carmo, em São Paulo.

Uma equipe de filmagem com 40 técnicos, sob a direção de Hugo Georgetti, produção da CPU e criação das empresas Ogilvy & Mather, produziu três filmes de 30 segundos que registraram esta reunião de nacionalidades que integraram a imigração do início do século, além da fotografia para o anúncio impresso.

Juntar estas famílias e criar um clima de descontração e informalidade fez com que a agência optasse por escolher um parque, e alternativas de jogos, danças e alimentação características de cada nacionalidade, além de um grupo de animação.

Os três filmes de 30 segundos foram veiculados em todo país nas quatro principais redes de televisão do Brasil – Globo, Manchete, Bandeirantes e SBT e suas retransmissoras, por três períodos: abril/maio, junho e setembro.

O anúncio impresso foi veiculado nos principais jornais do país no dia da fundação da Shell no Brasil, bem como nas principais revistas informativas, além das edições especiais dos veículos impressos.

CAMPANHA EDUCATIVA

Para complementação da campanha corporativa para os 75 anos da Shell, a agência sugeriu a criação de uma série de anúncios abordando o tema “Imigrantes”, para veiculação na revista Nova Escola.

Foi, então, criada e desenvolvida pela agência uma série de quatro anúncios de uma página sob o tema geral: “Cultura Brasileira: A Contribuição dos Imigrantes”.

A revista abre um meio de comunicação entre os professores do primeiro grau abordando assuntos diretamente ligados ao dia-a-dia desses profissionais.

A função educativa desse veículo está ligada à informação de caráter cultural que chegam ao público leitor de forma substancial a cada nova edição. Distribuída a 220.000 escolas públicas de primeiro grau existentes no país, a revista atinge estabelecimentos urbanos e rurais proporcionando uma troca de experiências e conhecimentos entre os professores.

Essa campanha, além de servir de canal de comunicação para a empresa prestar homenagem aos imigrantes, buscou levar aos estudantes a importância dos imigrantes na formação da cultura brasileira.

A criação da campanha foi desenvolvida pela agência de acordo com pesquisa realizada no Instituto Histórico Geográfico e sob a coordenação da professora Cinilia Tadeu, do Colégio Bandeirantes de São Paulo.

ESPETÁCULO INESQUECÍVEL

Como terceira parte do projeto, foi aprovado um espetáculo em homenagem aos imigrantes. Decidiu-se que seria um show de música e dança, tendo sido entregue sua produção a Oskar Ornstein.

Estabeleceu-se um cronograma de ações que culminaram, em agosto último, com a apresentação de “Os Imigrantes”, no teatro Municipal de São Paulo, no Municipal do Rio de Janeiro e no Nacional de Brasília.

Foram ao todo cinco apresentações, duas das quais, São Paulo e Rio de Janeiro, destinadas aos funcionários da empresa, sempre na véspera do espetáculo principal, que teve como convidados empresários, clientes e autoridades, federais, estaduais e municipais.

Definida a linha do show, a agência deu prosseguimento aos trabalhos que resultaram em um programa composto por cinco quadros distintos homenageando as etnias: portuguesa, japonesa, alemã, italiana e espanhola – as cincos principais responsáveis pela formação da cultura brasileira. O show teve por abertura um prólogo de autoria do escritor Fernando Sabino.

Foram contratadas atrações internacionais que se apresentaram nos quadros de Portugal, da Alemanha e da Espanha, tendo cada apresentação sido feita em 75 minutos, sem intervalo. Além das presenças internacionais, destacou-se também o guarda-roupa do espetáculo.

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 14, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

PROGRAMA VOLVO DE SEGURANÇA NO TRÂNSITO

 

Empresa

 

Volvo do Brasil

 

Profissional Responsável

 

João Pedro Corrêa

 

Ano da Premiação

 

1988

 

Para comemorar os 10 anos de sua constituição como fabricante de ônibus e caminhões pesados, a Volvo instituiu, em 15 de julho de 1987, o Programa de Segurança nas Estradas. O projeto substituiu todas as comemorações, festas internas e externas, institucionais e promocionais, constituindo-se, exclusivamente, numa ação de interesse comunitário sem qualquer interesse mercadológico.

OBJETIVOS

As alarmantes, apesar de duvidosas, estatísticas sobre o número de acidentes e vítimas induziram a empresa a destinar uma parcela de seus recursos e esforços para desenvolver um trabalho sistemático e abrangente para minimizar os efeitos de um mal que se coloca entre as principais causa mortis dos brasileiros e provoca prejuízos materiais superiores a dois bilhões de dólares anuais.

O objetivo do programa é despertar a comunidade para o problema e sensibilizar o poder público, a iniciativa privada, instituições, imprensa e a sociedade para a busca de soluções.

As análises e estudos disponíveis permitiram estabelecer as premissas básicas para enfrentar a questão:

  • A sociedade é tão responsável quanto o governo no combate à violência no trânsito;
  • não adianta discutir mais o problema; o fundamental é implementar soluções;
  • é preciso acabar com os falsos mitos que atribuem ao destino os acidentes. Eles  acontecem por uma sucessão de coincidências e falhas, a grande maioria evitável.

 

 

ESTRATÉGIA E EXECUÇÃO

Conhecida a situação e definidos os conceitos básicos, a Volvo pôde elaborar um conjunto de ações capazes de influir sobre o meio, levando os diversos segmentos vinculados ao assunto a dedicar sua atenção ao tema. Para isso, foi preciso adotar uma estratégia, definindo os públicos, o produto, o preço e a forma de abordar o problema. Decidiu-se, por exemplo, conceituá-lo e dimensioná-lo, embora os números disponíveis não fossem confiáveis

A Volvo ficou, como dados do programa, 50 mil vítimas fatais por ano e 350 mil feridos em um milhão de acidentes. Esses números passaram a ser repetidos em todas as oportunidades.

Para atingir todos os públicos necessários, a Volvo dividiu o programa em três pontos básicos:

·         Câmara Técnica, envolvendo autoridades, especialistas e entidades privadas, ligadas a transporte

 

·         os simpósios, que reúnem, além dos membros da Câmara, interessados em geral;

·         Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito, dividido em três categorias: motoristas profissionais, jornalistas e público em geral.

Um comitê executivo, presidido pelo próprio presidente da empresa se encarrega de administrar a executar o programa que envolve reuniões da Câmara Técnica, simpósios regionais e um nacional e o Prêmio Volvo.

RESULTADOS

Esse conjunto de ações, que exigiu, obviamente, um bem montado esquema de trabalho para assegurar a sincronização de todos os esforços, conseguiu resultados expressivos.

Vale destacar a ampliação dos espaços sobre segurança no trânsito na imprensa em geral, tanto em reportagens como em artigos assinados.

Houve, por outro lado, uma multiplicação de estudos e sugestões, como na implantação de medidas concretas.

Merece destaque um fato que mostra a influência da campanha. O governo brasileiro instituiu 1989 como o “Ano da Segurança no Trânsito”. Consta na exposição de motivos do decreto que a idéia surgiu numa das reuniões da Câmara Técnica.

O diretor do DNER, Ítalo Mazzoni, assegura que a ampliação da frota de veículos pela fiscalização nas rodovias deve-se, em boa parte, ao programa desenvolvido em Telêmaco Borba, cidade paranaense de 65 mil habitantes, onde toda a comunidade participou de uma campanha local para diminuir o número de acidentes.

O I Prêmio Volvo foi promovido em anúncios em jornais em todo o país. Essa campanha na imprensa muito contribuiu para maior fixação do Programa de Segurança nas Estradas junto à opinião pública.

Concorreram ao Prêmio Volvo 256 trabalhos, vindos de todos os Estados brasileiros. E vale destacar que muitos deles continham a ressalva de que “não participavam em busca de uma recompensa pessoal, mas com o intuito principal de colaborar para melhorar as condições de segurança no trânsito”.

Isto mostra que o programa obteve credibilidade e conseguiu sensibilizar a população. A imagem da empresa, por outro lado, e o planejamento e a seriedade das ações, por outro, contribuíram para o alto nível de persuasão alcançado pelo programa. Em termos de comunicação social, o programa tem sido um sucesso. Mas a Volvo só vai comemorar os resultados se, de fato, contribuir para diminuir o número de acidentes e de vítimas no “trânsito brasileiro”, o que exigirá um esforço constante e permanente por parte de toda a sociedade.

Fonte:  Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 15, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

AUTOLATINA X MINISTÉRIO DA FAZENDA
LITÍGIO DE PREÇOS

Empresa

 

Autolatina Comércio, Negócios e Participações Ltda.

 

Profissional Responsável

 

Horst Richter

 

Ano da Premiação

 

1988

 

Capitulamos o "case" Autolatina x Ministério da Fazenda (Litígio de Preços) em "Assuntos Públicos" porque se trata de uma campanha de eminente interesse público. Pela sua natureza, pelos seus objetivos e pela sua repercussão, resulta em expressivo – e podemos dizer histórico – exemplo do poder de Relações Públicas quando a serviço de uma causa justa.

Esta apresentação diz respeito ao litígio deflagrado, em 5 de novembro de 1987, entre a Autolatina (holding que representa a Volkswagen e a Ford) e o Ministério da Fazenda.

A pendência judiciária foi motivada pelo rompimento de um protocolo firmado em abril do mesmo ano entre o Ministério da Fazenda, representado pelo então ministro Dilson Funaro, e a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotivos – ANFAVEA que assegurava às montadoras – incluída a Autolatina – o direito de reajustar os preços de seus produtos de acordo com a elevação dos custos de produção do setor. Em contrapartida, a Autolatina se comprometia a aumentar seus investimentos no país e expandir ainda mais as exportações de seus produtos.

Embora o início oficial do litígio tenha a data de 5 de novembro de 1987, quando a Autolatina ingressou no Tribunal Federal de Recursos com mandado de segurança em defesa do protocolo assinado por Dilson Funaro, a operação de Relações Públicas, a cargo da Diretoria de Comunicação Social, começou antes, pouco depois da posse do ministro Bresser Pereira, que, desde logo, passou a demonstrar má vontade com os termos do protocolo.

OBJETIVOS

O primordial objetivo da operação de Relações Públicas foi o de dar cobertura às demarches administrativas e judiciais que assegurassem à Autolatina praticar preços justos e que evoluíssem de acordo com o aumento dos custos de produção e garantissem adequada remuneração ao capital investido.

Além desse objetivo fundamental, foi formulado, quando o Ministério da Fazenda passou a desconsiderar o protocolo, um novo e específico objetivo: provar que o protocolo, ao contrário do que afirmava o ministro Bresser Pereira, tinha valor jurídico de um pacto contratual e que o recurso à Justiça era a única saída que restava à Autolatina para defender seus direitos e obter o cumprimento do protocolo firmado em abril de 1987.

ESTRATÉGIA/EXECUÇÃO

 Em face dos acontecimentos, a Diretoria de Comunicação Social estabeleceu como estratégia fornecer aos meios de comunicação, notadamente aos principais jornais e revistas do país, detalhadas informações e esclarecimentos sobre a real situação da indústria automobilística, no país, de modo que emergisse com toda a clareza quem estava com a razão no desenrolar da controvérsia Ministério da Fazenda x Autolatina, tanto na esfera administrativa como na judiciária.

Cabia, então, à Comunicação Social acompanhar, passo a passo, os desdobramentos do litígio, suprindo a Imprensa com dados econômicos, levantamentos estatísticos e pareceres de eminente juristas.

RESULTADOS OBTIDOS

A Autolatina obteve significativas vitórias na Justiça. Primeiro, o Tribunal Federal de Recursos concedeu liminar ao mandado de segurança, impetrado pela empresa. Segundo, o Supremo Tribunal Federal negou ao Procurador Geral da República a cassação dessa liminar, mantendo-a até o julgamento final do litígio. Desse modo, a Autolatina continuou reajustando os preços dos seus carros em desacordo com o tabelamento do Conselho Interministerial de Preços – CIP, mas cumprindo estritamente os reajustes acordados no protocolo assinado pelo ministro Dilson Funaro.

A decisão do supremo Tribunal Federal, de manter a liminar, foi prontamente aproveitada pela equipe de Relações Públicas da Autolatina, que conseguiu evidenciar, por meio da Imprensa, o significado da atitude de nossa maior corte de Justiça, que não se deixou influenciar pelas articulações de bastidores promovidas pelo Ministério da Fazenda.

Ante ao expressivo apoio que a Autolatina recebeu dos meios de comunicação e da opinião pública, o ministro Bresser Pereira iniciou negociações com a ANFAVEA visando a um acordo extra-judicial. Mas essas negociações foram se arrastando e somente quando Mailson da Nóbrega substituiu Bresser Pereira no Ministério da Fazenda é que se abriu o caminho para o entendimento final.

Poucos dias antes do julgamento na Justiça, o Ministério da Fazenda celebrou novo acordo com a Autolatina. Foram autorizados reajustes de preços dos automóveis com base nos aumentos dos custos de produção (tal como estava sendo pleiteado) e a Autolatina retirou do Tribunal Federal de Recursos a ação que iniciara.

A Justiça não chegou a se pronunciar porque a campanha de Relações Públicas antecipara a vitória de uma justa causa.

 

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 16, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

RECUPERANDO A IMAGEM

 

Empresa

 

Union Carbide do Brasil

 

Profissional Responsável

 

Flávio Câmara

 

Assessoria Externa

LVBA – Comunicação e Propaganda Ltda.

Ano da Premiação

1988

 

A Union Carbide era conhecida como uma das gigantescas indústrias químicas americanas – uma potência mundial, atuando em diversas áreas. Sólida, detentora de avançada tecnologia, espalhava seu bom conceito por todo o mundo. Esta situação perdurou até o acidente de Bhopal, na Índia, quando um vazamento de gás (isocianato de metila) vitimou milhares de indianos, gerando uma calamidade sem precedentes.

Os funcionários da Union Carbide do Brasil ficaram traumatizados com a notícia, principalmente porque a UCB mantinha uma fábrica com as mesmas características da hindu, produzindo o mesmo defensivo agrícola, com a mesma matéria-prima.

A partir daí, e durante três anos, aconteceu uma sucessão de infortúnios. Como a Union Carbide Corporation  mantém ações na bolsa, essas literalmente despencaram, após o acidente. Isto deu ensejo a que outras companhias do setor fizessem ofertas supervalorizadas dessas ações, procurando, assim, assumir o controle da companhia.

A Carbide foi obrigada a recomprar estas ações e por um preço superior ao da oferta. E para gerar recursos destinados a manter o controle da empresa, foi obrigada a desfazer-se de algumas operações. A Everedy foi vendida à Purina, e a Divisão Agrícola vendida à Rodhia. Permaneceram ativas a unidade de polietileno, instalada em Cubatão, a de Cellosize, na Bahia, a de silicones, em Cotia, e a Divisão de Comercialização de Produtos Químicos, em São Paulo.

OBJETIVOS E ESTRATÉGIAS

No início de 1987 assume um novo presidente da Union Carbide do Brasil. Seu objetivo: mudar o perfil da UCB. De uma empresa centralizadora, estática e burocrática, fazê-la aberta, dinâmica, agressiva e simples.

Ficou estabelecido que o público interno seria o primeiro a ser trabalhado e as estratégias foram traçadas após a realização de uma auditoria interna, com funcionários de diversos níveis da empresa.

O público externo seria abordado somente após o trabalho com o público interno e após uma auditoria de opinião.

EXECUÇÃO

Com relação ao público interno foram adotadas as seguintes ações:

·        produção de um vídeo, com representantes de todas as unidades da UCB, para um diálogo franco com o presidente;

·        campanha motivacional Pule na Frente, para que o funcionário passasse a tomar mais iniciativas;

1.      Gincana UCB, divulgando entre os funcionários a história e os negócios da empresa;

·       jornal interno – JUCA (Jornal da Union Carbide);

·       produção sistemática de diversos videocassetes sobre a companhia;

·       Manual de Integração, apresentando a empresa e seus benefícios;

·       Carbide Urgente, boletim que garante ao funcionário a prioridade em receber informações da empresa;

·       Nossa Missão, folheto entregue após o videocassete com o mesmo nome, que apresenta os valores que fazem parte do dia-a-dia da UCB: compromisso junto aos clientes e fornecedores, procura de novas tecnologias, manutenção e aprimoramento da qualidade e dos serviços, cumprimento de padrão ético, segurança e preservação do meio ambiente;

·       Encontros com o Presidente – encontro mensal, seguido de almoço, com o Presidente e um representante voluntário ou sorteado de cada unidade da UCB, visando a um diálogo aberto onde todas as dúvidas e anseios são expostos diretamente ao presidente

Sobre o jornal interno JUCA vale acrescentar que o nome foi criado e escolhido, em votação, pelos próprios funcionários. O jornal traz matérias sobre as operações da empresa, seus clientes e fornecedores, programas de comunicação e treinamento, além da descrição de cada departamento.

RELAÇÕES EXTERNAS

Após a implementação das medidas destinadas ao público interno, medidas que asseguraram sensível melhoria nas relações entre os funcionários e a empresa, foram adotadas uma série de ações com relação ao público externo. Essas ações podem ser assim descritas:

·        treinamento dos executivos para atendimento à imprensa, gravados e editados a fim de oferecer uma visão abrangente da linguagem e postura desses porta-vozes;

·        assessoria de Imprensa contínua, que procura destacar as operações da empresa para criar canal aberto empresa/imprensa;

·        Prêmio Cardrip de Irrigação Localizada. Fabricante de "Cardrip" (tubo de irrigação) a UCB criou o Prêmio, nas categorias Profissional e Acadêmica, a fim de despertar a atenção para as potencialidades da irrigação localizada. Esse prêmio foi entregue em outubro de 1988, durante o Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, em Florianópolis, com a presença do Ministro Extraordinário de Irrigação;

·        participação contínua e permanente da UCB em eventos do setor químico e petroquímico, apoiando iniciativas de diversas entidades profissionais e acadêmicas

RESULTADOS

Hoje, quando o trabalho de público interno se encontra em sustentação e o de público externo se intensifica, a Union Carbide apresenta seus resultados com maior produtividade industrial e envolvimento de seus funcionários em toda a conquista da empresa.

A imprensa reconhece a Union Carbide do Brasil como empresa que atua há 40 anos, com alta tecnologia, diversificação de produtos e mercados e vai continuar investindo no país, reforçada pela matriz americana que assumiu publicamente a condição do Brasil como prioridade junto a outros países do mundo.

 

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 18, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

 

SOLIDARIEDADE HUMANA

 

Empresa

 

Credicard S.A.

 

Profissional Responsável

 

Marcus Ramos Molina

Assessoria Externa

 

Burson-Marsteller Ltda.

 

Ano da Premiação

 

1988

 

Em abril de 1988, a Credicard S.A. – Administradora de Cartões de Crédito recebeu uma solicitação de patrocínio da nadadora Renata Agondi, tricampeã paulista da modalidade Águas Abertas. O patrocínio compreenderia o pagamento das despesas de viagem, hospedagem, alimentação e inscrições da atleta e uma acompanhante durante aproximadamente dois meses, em turnê pela Europa. A turnê teria início na Itália, onde Renata participaria de três importantes provas do calendário internacional e se completaria na travessia do Canal da Mancha.

Aprovada a solicitação de patrocínio, Renata Agondi e Judith Russo (sua amiga, treinadora e acompanhante da viagem) participaram de várias atividades de divulgação junto à imprensa.

Durante o mês de julho, Renata participou de três provas na Itália, ficando em 1º lugar na Travessia do Imperador, Baía de Bacoli, em 3º lugar na Travessia de Transimeno-Turin, e em 4º lugar na Travessia Capri-Nápoles. Essas colocações vieram reforçar a imagem de Renata como uma das grandes nadadoras de Águas Abertas do circuito internacional. Todos, entretanto, aguardavam ansiosamente os resultados do que seria seu feito mais importante: a travessia do Canal da Mancha, tentando quebrar o recorde brasileiro da prova.

A Credicard e a agência Burson-Marsteller acertaram todas as providências e preparativos. Tudo parecia estar previsto. Tudo menos um acidente fatal. Renata faleceu após dez horas de nado, já próxima da costa francesa. Para piorar a situação, Judith Russo foi chamada a depor perante o Juiz de Instrução de Boulogne-sur-Mer e encaminhada à Casa de Detenção de Loos, sob a acusação de "não assistência a pessoa em perigo", ou seja, omissão de socorro. De acordo com o Código Penal Francês, esse crime é afiançável e sujeito a pena de reclusão de dois a cinco anos.

Assim, o projeto nascido com o objetivo de ligar o nome da Credicard às conquistas de uma atleta brasileira teve de ser transformado, em razão de uma fatalidade, em projeto de Relações Públicas na administração de uma emergência.

OBJETIVO

Manter e reforçar a imagem da Credicard como uma empresa séria, confiável e aberta, disposta a cooperar, até mesmo nos momentos mais difíceis, seja com aqueles envolvidos diretamente no problema, seja com a imprensa, num processo transparente de informação.

AÇÕES

Envio de um executivo da Burson-Marsteller à França para agilizar o processo de liberação do corpo de Renata Agondi e prestação de auxílio a Judith Russo, de forma que ela pudesse ter alguém a seu lado e retornasse ao Brasil rapidamente.

Foi contratado um advogado acreditado junto ao Tribunal de Boulogne-sur-Mer e pagamento da fiança de trezentos mil francos franceses (aproximadamente US$ 50.000). E liberação de Judith Russo da Casa de Detenção. Após sua liberação, Judith foi acompanhada a Paris e hospedada em um hotel, aguardando sua próxima audiência com o Juiz de Instrução, no dia 2 de setembro.

Ao mesmo tempo em que essas medidas eram tomadas, visando à liberação de Judith, outras ações buscavam a repatriação do corpo de Renata Agondi. Paralelamente às providências tomadas na França, a Credicard e a Burson-Marsteller em São Paulo executaram várias tarefas: contato permanente com as famílias Agondi e Russo; contratação de agência funerária para o recebimento do corpo no Aeroporto Internacional de São Paulo e transporte até Santos e outras ações complementares.

Como no dia de sua chegada Judith não se encontrava em condições de recordar o drama, a imprensa foi informada pelo médico da treinadora que ela receberia os jornalistas no dia 9 de setembro. No dia 8 de setembro, Judith compareceu aos escritórios da Credicard para um treinamento de como se dirigir à imprensa. A coletiva de imprensa de Judith teve lugar em seu apartamento, em Santos. Vários veículos compareceram à coletiva, inclusive correspondentes internacionais. As informações prestadas pela treinadora foram bastante divulgadas.

No momento, espera-se um pronunciamento da Justiça Francesa no que se refere à continuidade do processo contra Judith. Quaisquer que sejam as medidas tomadas em relação a ela, a Credicard continuará mantendo sua postura atual: apoio à treinadora, à família de Renata Agondi e política de total abertura e transparência à imprensa e a opinião pública.

RESULTADOS

Num caso como este, não é possível falar-se em resultados quantitativamente mensuráveis. Pode-se, entretanto, observar os resultados obtidos por outros meios, como: verificação da positividade das ações tomadas, tendo-se por base as soluções oferecidas aos problemas; posicionamento da mídia em relação ao caso em si e ao patrocinador, em particular; posicionamento da opinião pública face aos mesmos pontos.

Realizou-se ainda uma sondagem junto a líderes e formadores de opinião – empresários e profissionais da área de comunicação. Percebeu-se que todos os entrevistados apóiam o trabalho desenvolvido pela Credicard neste caso e que, de forma alguma, sua imagem foi prejudicada.

 

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 19, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

AIDS, A GUERRA CONTRA A DESINFORMAÇÃO

 

Empresa

 

Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda.

 

Profissional Responsável

 

Cyril G. P. Walter

 

Ano da Premiação

 

1988

 

Em meados de 1987, constatou-se a presença de portador do vírus da AIDS entre os funcionários da fábrica de São Paulo, da Goodyear. Preocupados, os dirigentes da fábrica implantaram um programa de informações sobre a doença, dirigido aos funcionários e suas famílias. Esse programa ficou conhecido como "AIDS – A Guerra contra a Desinformação".

O plano consistiu em produzir um videocassete da palestra médica, que foi mostrado a todos os quatro mil funcionários da unidade, em grupos pequenos e com a presença do médico-chefe da fábrica. Ao departamento de Relações Públicas foi solicitado um folheto de quatro páginas sobre o vídeo, para ser enviado, pelos correios, à residência de cada funcionário. Isto foi feito. Além de conter perguntas e respostas sobre o vídeo, o folheto publicou opiniões de quem assistiu e entrevistas do Dr. Vicente Amato Neto, superintendente do Hospital das Clínicas de São Paulo, do médico-chefe, gerente industrial e diretor da fábrica São Paulo.

Este folheto foi o estopim de um projeto mais ambicioso de comunicação: a produção de uma edição especial do jornal interno da Goodyear, o Clã, dedicada exclusivamente à AIDS e destinada a todos os funcionários da empresa no país e seus familiares. O folheto anterior fora enviado apenas aos funcionários em São Paulo, ficando de fora do mailing os empregados em Americana (SP), no escritório central e nas filiais.

OBJETIVOS

·        Desmistificar a AIDS, através de abordagem extensa do problema, sob todos os aspectos.

·        Fornecer os meios aos funcionários e seus familiares de se protegerem contra a doença.

o       Demonstrar a preocupação social da empresa para com a sociedade brasileira

ESTRATÉGIA E EXECUÇÃO

Definidos os objetivos, o setor de publicações do Departamento de Relações Públicas reuniu uma equipe de jornalistas, sob a orientação da editora responsável pelo Clã e planejaram a estratégia a ser usada: de início, uma entrevista com médico especialista para, em cima dela, se montar uma pauta da edição especial.

Deu-se, então, início a um esforço que durou três meses, com perto de trinta entrevistas, consultas a cinco livros e recortes de jornais e revistas, a dados oficiais e uma viagem a Brasília para colher depoimento do Ministro da Saúde.

À medida em que os trabalhos progrediram, tornou-se claro que o problema da AIDS não era a falta de informações, mas o excesso, uma vez que a literatura sobre a doença é volumosa. A escolha dos temas obedeceu a uma seleção criteriosa e balanceada. Programado inicialmente para ter oito páginas, o número aumentou para doze e finalizou em dezesseis.

Em virtude da abrangência dos temas, decidiu-se aumentar a tiragem inicial de 30 mil exemplares para 300 mil, para entrega também às comunidades próximas às fábricas e escritórios da empresa.

CAMPANHA ABRANGENTE

Para atingir um público ainda maior, os 300 mil exemplares cresceram para 500 mil e, em 2 de junho de 1988, o Clã AIDS foi apresentado à imprensa em cerimônia no Nacional Club, em São Paulo. Presidida pelo diretor presidente da Goodyear, Carlos Perez, a cerimônia contou com a presença do Ministro da Saúde, Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira, do Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Dr. José Aristodemo Pinotti, do Superintendente do Hospital das Clínicas, Prof. Vicente Amato Neto, e de outras autoridades. A imprensa escrita e televisionada deu ampla cobertura ao evento.

Seguiu-se a distribuição do jornal AIDS aos mais representativos segmentos da vida nacional. Na cidade de Americana (SP), sede da fábrica de pneus radiais da companhia, a Goodyear entregou ao prefeito Carroll Meneguel, em sessão solene na Câmara dos Vereadores, 50 mil exemplares, para serem distribuídos a cada residência da cidade e às escolas e entidades.

A distribuição foi iniciada, pessoalmente, pelo prefeito, numa operação porta-a-porta "sui generis" na história das publicações empresariais do país.

Outras cidades vizinhas a Americana foram beneficiadas: Campinas, com 30 mil exemplares (pediu 200 mil), Limeira, Sumaré, Nova Odessa, e Santa Bárbara D’Oeste, com um total de 40 mil. O impacto da distribuição do Clã AIDS foi de uma intensidade surpreendente, inundando o departamento de Relações Públicas com solicitações de todos os quadrantes do país.

RESULTADOS

Na medida do possível, atendeu-se a todas. A Universidade de São Paulo, por exemplo, recebeu 60 mil exemplares, para docentes, discentes e funcionários. A PUC, de São Paulo, recebeu 10 mil, o SESI, 50 mil. Exemplares foram para hospitais e todos os postos de saúde do Estado de São Paulo, às penitenciárias e casas de detenção, associações médicas, sindicatos e a uma infinidade de outras categorias profissionais.

Com o esgotamento rápido dos 500 mil exemplares, a Goodyear decidiu reimprimir mais 200 mil, o que, embora um recorde em termos de publicações empresariais brasileiras, ainda se apresentou muito aquém da demanda.

Originalmente publicado no Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 20, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 

CAMPANHA DO TELEFONE

 

Empresa

 

Dow Química do Brasil S.A.

 

Profissional Responsável

 

Celene Moreno

 

Ano da Premiação

 

1988

 

A Campanha do Telefone foi criada com o objetivo de motivar e reciclar os funcionários para um bom atendimento telefônico, de acordo com os padrões da Dow mundial.

A campanha, que teve a duração de 60 dias, foi dividida em três etapas e apresentou um resultado, medido estatisticamente ao final do período, de 98% de aproveitamento.

 As empresas Dow, com escritório central em São Paulo e com complexos industriais em Aratu (BA), Guarujá (SP), Franco da Rocha (SP), Jundiaí (SP), emprega 3.500 funcionários.

Mundialmente, o atendimento telefônico na Dow obedece a padrões de qualidade excepcionais. E a Dow Brasil, apesar de ser considerada pela Telesp um modelo em termos de atendimento telefônico (principalmente depois de instalado o sistema Discagem Direta a Ramal – DDR) vinha caindo em qualidade se comparada aos padrões da Dow.

ESTRATÉGIAS

O desafio foi desenvolver uma campanha de 60 dias com objetivo de motivar e reciclar os funcionários para um bom atendimento telefônico, com as seguintes atividades:

  • teaser no contracheque: a idéia era criar um clima entre os funcionários sobre um tema que os envolveria naquele período – era uma 2ª feira;
  • convite atraente distribuído três dias depois do teaser – foi na 5ª feira;
  • palestras de 45 minutos para reciclagem: foram proferidas pelas secretárias dos próprios departamentos a fim de garantir a credibilidade (não ser mais apenas um curso de treinamento) e a presença dos colegas.

o       palestras de 45 minutos para reciclagem: foram proferidas pelas secretárias dos próprios departamentos a fim de garantir a credibilidade (não ser mais apenas um curso de treinamento) e a presença dos colegas.

Para as palestras foram confeccionadas transparências atraentes e coloridas como material de apoio. Na saída, os funcionários receberam um manual de operação do telefone e do novo sistema e uma lembrança da campanha um bom-bom com formato de telefone.

Resultado: 92% de participação nas palestras – um resultado excelente, uma vez que o comparecimento não era obrigatório.

AUDITORIA

Realizou-se, na seqüência, uma auditoria de atendimento telefônico. Foi contratada uma pessoa que, durante três semanas, telefonou para todos os funcionários do escritório central verificando as três situações principais de atendimento telefônico:

o       atendimento de ligações externas;

o       atendimento de ligações internas;

o       transferências.

Para cada uma dessas situações, todos os funcionários que atenderam corretamente concorreram ao sorteio de três prêmios (um para cada situação):

o       uma secretária eletrônica;

o       uma secretária eletrônica com telefone;

o       um telefone sem fio com 10 canais.

Quem errou a primeira vez teve uma segunda chance.

OBJETIVOS

Verificar estatisticamente o padrão de atendimento telefônico e constatar a melhora ao longo da campanha.

Criar um clima de correção entre os próprios funcionários usando a auditoria como motivo de brincadeira.

Exemplo: “Você não atendeu certo! Não vai concorrer ao sorteio do telefone sem fio...”

Resultado: nos últimos quatro dias da auditoria, conseguiu-se 98% de atendimento correto, o que demonstra o sucesso da campanha.

MATERIAL DE APOIO

Em datas estratégicas, conforme o andamento da campanha, os funcionários foram surpreendidos pela manhã (o material foi colocado à noite) com peças alusivas à fase em andamento. A seqüência de apresentação dessas peças foi a seguinte:

1.      adesivo com slogan da campanha (colado em todos os telefones ao lado do teclado), depois do convite para as palestras e antes que elas começassem;

2.      códigos freqüentemente usados (colocados na parte inferior do aparelho telefônico) ao término da última palestra;

3.      post-its com mensagens da campanha, distribuídos ao longo da auditoria;

4.      post-its para anotação de recados que, ao final da auditoria, foram distribuídos como material permanente de uso, em substituição ao bloco anterior.

A soma de todas essas ações teve um excelente resultado. O atendimento telefônico passou a se processar corretamente em 98% dos casos.

RESULTADO

Dado o sucesso da campanha, ela está sendo agora adaptada para todas as unidades da Dow Brasil.

Fonte: Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 22, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná