Entrevista

 

O futuro do trabalho no Brasil

 

Em época de campanhas eleitorais, os candidatos são pródigos em apresentar propostas de mudanças na legislação trabalhista, principalmente aquelas que acenam com algum benefício para o trabalhador. Mas, as perguntas são muitas, inclusive que mudanças são realmente necessárias neste momento sócio-econômico do País? Tirar ou incluir benefícios? Diminuir ou aumentar o custo Brasil? Fortalecer ou enfraquecer os sindicatos? Essas e outras questões fundamentais para entender a evolução das relações de trabalho, podem ser encontradas no livro “O Futuro do Trabalho” da Lex Editora S.A, de autoria de Almir Pazzianotto Pinto, ex-ministro do Trabalho (governo José Sarney) e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, portanto, um grande conhecedor do tema. Abaixo, segue entrevista concedida por Pazzianotto com exclusividade para o Informativo Eletrônico CNPL. Confira:
 

 

Como surgiu a idéia de escrever o livro?
Almir Pazzianotto Pinto - A idéia do livro surgiu como fruto da indiferença governamental: refiro-me especialmente aos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva - diante do agravamento do problema do desemprego, que tem, como uma das causas principais, a falta de iniciativas concretas no sentido da reforma da legislação trabalhista, dentro da qual incluo a legislação sindical. O mundo todo passa por grandes transformações, mas o Brasil segue manifestando profunda indiferença diante do desemprego, do mercado informal, do avanço inevitável da tecnologia da informática.


Qual análise que o senhor faz do futuro do trabalho?

Almir Pazzianotto - A tecnologia ocupa, de maneira avassaladora, lugares antes reservados ao homem no processo produtivo. Isto acontece desde a primeira Revolução Industrial, que se caracteriza pela descoberta de instrumentos de substituição do trabalho humano, com mais eficiência e produtividade. Há, portanto, dois fatores objetivos que agem em sentido contrário: de um lado o rápido crescimento da população; de outro a tecnologia, destruidora de empregos. O que fazer? Essa é a grave questão que os nossos governantes recusam-se a enfrentar. Dentro de 20 anos, a população brasileira deverá atingir a casa de 220 milhões. Haverá espaço no mercado de trabalho para aqueles que estiverem entre 14 e 60 ou 65 anos de idade? Esse assunto está sendo examinado, em busca de respostas? Penso que não.


Quais mudanças sócio-econômicas precisam ser feitas em nosso
País?

Almir Pazzianotto - No plano social, as mudanças devem ser levadas a efeito na área educacional, pois o mercado de trabalho exige mão-de-obra a cada dia mais e melhor qualificada; candidatos destituídos de qualificação, mesmo quando diplomados, não terão chances de obter bons empregos; no plano econômico, as reformas da legislação trabalhista são urgentes; cometemos grave equívoco quando tratamos as questões relacionadas ao emprego, entre as quais se encontram aquelas relativas à regulamentação das relações individuais e coletivas de trabalho, como questões meramente sociais, e nos esquecemos dos aspectos econômicos, consistentes no custo da nossa mão-de-obra, refletindo-se nos custos finais dos produtos e serviços.

Como reverter o quadro de desemprego no Brasil?

Almir Pazzianotto - Com a atração de investimentos privados, nacionais e sobretudo estrangeiros para setores produtivos que se utilizem de numerosa mão-de-obra; é preciso cuidar, também, de investimentos geradores de empregos nos Estados e regiões menos desenvolvidas, do Norte e Nordeste.

De 03 a 09 de Outubro de 2006 - Ano II - Edição 57,  CNPL