nº 76 - 19/08/2004
 

NOTÍCIAS

CONRERP SP/PR TEM NOVA PRESIDÊNCIA

Com a renúncia de Orpheu Cairolli da presidência do Conrerp SP/PR, assumiu o cargo o Prof. Dr. Fábio França. Nesta entrevista, ele fala sobre seus projetos para o Conselho e sobre sua visão a respeito da profissão.

- Como o senhor vê o Conrerp hoje?
FF: O Conrerp é uma autarquia encarregada de realizar a fiscalização da profissão de relações públicas; como tal é um organismo oficial, legal, cuja função é fazer com que a profissão seja respeitada, no seu exercício, pelo mercado.

- Permanece em sua gestão a linha da chapa vencedora?
FF: Sim, a chapa ABERTURA continua com os três objetivos: legitimidade, flexibilização e expansão. A legitimidade fará com que a lei que regulamenta a profissão seja comprida. Tomará todas as providencias necessárias para que essa lei seja respeitada pelas empresas, assessorias e consultorias de comunicação que trabalham com relações públicas. A flexibilização está relacionada a ampliação da área de relações públicas, isto é, permitir que profissionais de diferentes áreas possam, mediante uma especialização, exercer a profissão de relações públicas. Esse ponto é muito importante porque a prática de relações públicas no Brasil ficou muito limitada ao tratamento de temas internos. Não se deve esquecer que se trata de uma atividade voltada para o gerenciamento dos assuntos públicos das organizações, que dela necessitam nos mais diversos tipos de relacionamento com seus públicos. A flexibilização revalorizará a atividade e seu exercício de acordo com as diferentes necessidades das empresas. Se o projeto de lei de flexibilização da atividade for aprovado, dentro de alguns anos, relações públicas atingirão sua maioridade entre nós. Faremos todo o esforço possível para promover a atividade, defendendo-a, promovendo a expansão significativa do seu exercício na sociedade brasileira. Deve-se ressaltar que a expansão não prejudicará os formandos nem afetará os direitos dos alunos graduados em relações públicas. Manterá todos os direitos que eles têm hoje.


- Muitos reclamam que o Conrerp não faz nada pelo associado. Quais são as obrigações do Conrerp para o associado?
FF: Essa reclamação talvez seja proveniente da não compreensão do que é o Conselho. É uma autarquia federal regulamentada, responsável pela vigilância do cumprimento da lei, que rege a atividade de relações públicas no Brasil. O Conselho tem obrigação de cobrar as anuidades, trata-se de uma dívida pública. Esse dinheiro pertence ao patrimônio público e é controlado pelo Tribunal de Contas da União. O Conselho estaria errando se não cobrasse dos profissionais, poderia ser acusado de prevaricação. Não cabe ao Conselho fazer eventos, festas; tem por única obrigação fiscalizar a profissão e fazer com que a lei seja respeitada pelo mercado.

- O que está sendo feito na atual gestão, em termos práticos, para reorganizar o Conrerp?
FF: Em primeiro lugar, queremos estabelecer um processo eficiente de comunicação com os profissionais, no sentido de informar sobre as decisões legais, as resoluções do Conselho, sobre a defesa da profissão e também dar todas as informações que forem relevantes sobre relações públicas. Além disso, estaremos, junto com esse processo de comunicação, estabelecendo um sistema de esclarecimento junto a todos os filiados e ao Conselho. Como assumimos agora a presidência, ainda estamos preparando o projeto de nossa gestão que, em breve, será do conhecimento de todos os profissionais que acreditam em relações públicas e nos seu Conselho Profissional.

Carolynne Bonfatti – IV semestre

EXPOCOM / INTERCOM

Acontecerá, de 30 de agosto a 03 de setembro, o XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, na PUC do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Esse Congresso terá como tema central “Comunicação, acontecimento e memória”.
Como parte da programação do Congresso, a Intercom ( Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação ) realizadora do evento, entregará o prêmio Expocom ( Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação ), um dos mais importantes prêmios para estudantes de comunicação do país. O prêmio contempla os melhores trabalhos acadêmicos da área, além de ser uma excelente oportunidade para que os estudantes analisem, comparem e troquem experiências com outros universitários de todo o Brasil.
Tradicionalmente, a Universidade Metodista de São Paulo tem obtido muito sucesso em diversas categorias da premiação todos os anos. Este ano, estará concorrendo com 9 trabalhos.

Categoria: Agência Jr./Experimental

Título: Agência de Relações Públicas Unidade Experimental
Líder da Equipe: Jaqueline Masetto
Orientador: Prof. Ms. Jocéli Maris Mainardi

Categoria: House-Organ

Título: RP Com
Líder da Equipe: Danilo Pereira Ignácio dos Santos
Orientador: Prof. João Evangelista Teixeira

Categoria: Newsletter Digital

Título: Canal RP
Líder da Equipe: Priscila Delgado Martins
Orientador: Prof. Dr. Fábio França

Título: Relações Públicas Website
Líder da Equipe: Leonardo Fraga Godoy
Orientador: Prof. Dr. Fábio França

Categoria: Organização de Eventos

Título: Encontro com Pais de Alunos – RP
Líder da Equipe: Guilherme Luiz Silva Mendes
Orientador: Prof. Dra. Márcia Perencin Tondato

Título: Oficinas de Relações Públicas
Líder da Equipe: Priscila Monteiro Paixão
Orientador: Prof. Ms. Jocélia Maris Mainardi

Categoria: Projeto Experimental Empresarial

Título: Clínica Axis
Líder da Equipe: Edna Lira
Orientador: Prof. Denize Guazzelli

Categoria: Projeto Experimental Institucional

Título: Comunidade Inamar
Líder da Equipe: Daniele de Oliveira
Orientador: Prof. Ms. Jocélia Maris Mainardi

Título: Instituição Cláudio Amâncio
Líder da Equipe: Leninne Freitas
Orientador: Prof. Dr. Fábio França

Amanda Falchetti – VI semestre

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RP ON LINE

REGULAMENTAR OU NÃO REGULAMENTAR? EIS A QUESTÃO...

Na primeira semana de agosto, o governo apresentou ao Congresso o projeto de lei que propõe a criação do Conselho Federal de Jornalismo e suas seções estaduais. Desde então, Lula vem tentando persuadir os jornalistas a aceitarem e defenderem o projeto lançado. Porém, enquanto a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) protesta contra o conselho, afirmando que sua criação é uma tentativa de eliminar a liberdade de expressão, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vê a criação do conselho como um aperfeiçoamento da profissão, e afirma que apoiar o projeto não significa apoiar o atual governo, e que liberdade sem responsabilidade torna-se impunidade.
Se os próprios jornalistas estão divididos, o que dizer de nós, meros espectadores, estudantes e profissionais de Relações Públicas, que, enquanto a mídia procura regulamentar sua profissão, lutamos para desregulamentar a nossa desde o fim da ditadura militar.
Mas por que a desregulamentação? A partir do livre-exercício da profissão de Relações Públicas, o profissional seria valorizado pela sua formação, experiência e competência em atividades características de Relações Públicas, e a partir das novas linhas de visão dos “outsiders”, moldar a prática de acordo com as necessidades da organização.
A propósito desta controvérsia, o profissional de relações públicas Nemércio Nogueira, publicou no site do Sinprorp o artigo que reproduzimos a seguir.


ALÉM DE STALINISTA, MAL FEITO E MAL ESCRITO

Nemércio Nogueira

Nem a legislação que cria a profissão de Relações Públicas e seus Conselhos Federal e Regionais, que infelizmente foi baixada em plena ditadura militar – a lei que regulamenta a profissão é assinada pelo marechal Costa e Silva e o decreto que cria os Conselhos cita em seu caput o AI-5 !!! – é tão controladora e se intromete tanto na atividade dos profissionais como o projeto de lei que cria os Conselhos de Jornalismo.

“Disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão” é o objetivo principal dos Conselhos de RP, segundo o decreto-lei 860/69. Ou seja, assegurar que só profissionais registrados nos Conselhos ocupem cargos característicos de Relações Públicas.

E só. Enquanto isso o projeto de lei de criação dos Conselhos de Jornalismo diz que sua finalidade é “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de jornalista e da atividade de jornalismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem assim pugnar pelo direito à livre informação plural e pelo aperfeiçoamento do jornalismo”.

Ou seja: os Conselhos terão a faculdade de se meter na maneira como a profissão é exercida, além de determinar os princípios de ética da classe (não especificados, portanto a gosto de quem dirigir os Conselhos) e disciplinar a classe (seja lá o que queira dizer esse disciplinamento). Lutarão também pelo direito (de quem?) a uma coisa (não definida) chamada livre informação plural. (Se a informação for livre, não será provavelmente plural? Ou é o Conselho que vai dizer qual informação é livre e plural e qual não o é?)

Além desse jeitão centralista, controlador e stalinista, o projeto é tecnicamente mal-feito e pessimamente escrito (talvez propositadamente, sabe-se lá...), pois mistura as funções que são características de um Conselho profissional com atividades sindicais e com preocupações de caráter associativo – além de coisas vagas e voluntaristas, como “zelar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização do jornalista”, sem dizer como vai fazer isso.

Contém ainda “pérolas” do naipe do inciso VI do art. 3º, que afirma competir aos Conselhos Regionais “fixar tabelas de honorários válidas nas respectivas jurisdições”. Outra: o inciso II do art. 6º diz que constitui infração “exercer a profissão quando impedido de fazê-lo” (sem dizer de que forma está impedido: por exemplo, isso se aplica se o jornalista estiver amarrado a um poste?). E mais:o inciso III do mesmo artigo define como infração “solicitar ou receber de cliente qualquer favor em troca de concessões ilícitas”. Em primeiro lugar, jornalista tem cliente? Em segundo: e se o jornalista fizer concessões ilícitas sem receber favor do “cliente” em troca? Isso pode?

Mas acho que a melhor de todas está no artigo 7º, que estabelece que uma das penas aplicáveis aos jornalistas por infrações disciplinares é – acreditem – a “censura”. Claro que isso deve ser no sentido de “dar um pito”, “chamar a atenção” do infrator. Mas usar a palavra censura numa lei para jornalistas é simplesmente inacreditável.

Enfim, devido a todos esses “furos” – sem esquecer a grita generalizada contra essa idéia – tenho muita dúvida de que esse projeto, pelo menos na forma atual, venha a gozar de grande longevidade.

Fernando Barone – II semestre

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ARTIGO

RELAÇÕES PÚBLICAS NA CIBERCULTURA: NOVOS PÚBLICOS, NOVAS MANEIRAS DE SE RELACIONAR

Prof. Cyro Pachicoski Couto

Os estudos sobre os processos de comunicação na era dos meios eletrônicos percorrem o inevitável caminho de construir e desconstruir conceitos. As categorias conceituais que compõem o universo da chamada “comunicação contemporânea” não têm características rígidas e guardam entre si estreita relação. Noções como interface, interatividade, hipertexto, hipermídia, virtual, ciberespaço, cibercultura, e outras, parecem indicar, não apenas uma redefinição do papel dos meios de comunicação no contexto histórico e cultural da contemporaneidade, mas um novo direcionamento das relações do homem com tudo que cria: da palavra como ordenação do pensamento ao moderno e sofisticado computador.

As mudanças ocorridas nas últimas décadas têm definido sobremaneira o cenário social mundial. Elas estão relacionadas aos avanços tecnológicos e sua propagação pelas sociedades a ponto de serem denominadas de Revolução: a “Revolução da Tecnologia da Informação”. A partir dela, não só a sociedade vem se transformando, mas todas as suas inter-relações como a economia e a política.

A partir da análise desta conjuntura mundial, desenvolver um planejamento estratégico de Relações Públicas, dentro de uma realidade tecno-globalizada, exige uma interação com todo o composto social e mercadológico.

Segundo Kunsh, “o fenômeno da globalização vigente tem alterado completamente os comportamentos e funciona como um novo paradigma para se entender o mundo hoje. Quando se fala nela, há uma tendência natural de considerá-la apenas no aspecto econômico, como algo vinculado à redução de barreiras no comércio internacional e a liberalização do mercado. É um equívoco. Ela deve ser entendida como algo muito mais amplo e abrangente, que envolve também aspectos como desregulamentação dos mercados financeiros, privatização das empresas públicas, novas tecnologias da informação e da comunicação, desregulamentação jurídica e redução do Estado-Nação, além da confrontação dos blocos de integração com os centros de poder no mundo (consórcios, blocos, alianças, etc.). Nesse contexto atual nasce uma nova comunidade: a comunidade virtual”.

Considerando que a atividade de Relações Públicas é dirigida à melhoria da compreensão e à construção de uma boa reputação, no caso da comunidade virtual busca-se um conceito mais complexo quanto à melhor forma de interagir com esse público.

Manter esse tipo de comunidade para a empresa exige espírito crítico e um trabalho constante de pesquisa, pressupondo-se que, para existir relações públicas, necessita-se de uma troca permanente de informações. Conseguir um retorno fiel lícito não é uma tarefa fácil, pois não se consegue medir a veracidade das informações coletadas para as tomadas de decisões.

Segundo Dozier, J. Gruning e L. Gruning(1995), “as Relações Públicas são estratégias que podem ajudar a organização a construir relacionamentos de confiança e compreensão a longo prazo com seus públicos”. No caso de uma ação específica no âmbito virtual, a interação é de imediato, e sofre profundas transformações nas relações entre públicos e organização. Considerando as próprias características da Internet, as ferramentas de Relações Públicas formam um conjunto de medidas, iniciativas, esforços e formas práticas de ação e expressão que visam a obter o mais estreito e produtivo relacionamento entre públicos, no sentido de estimular e facilitar o entendimento, a coexistência e a cooperação entre eles.

Para se fazer o planejamento estratégico de ação de Relações Pùblicas e a utilização plena dos meios adequados de comunicação, em primeiro lugar sempre se identifica o público que se deseja envolver e motivar, sua natureza e características. Esta é uma das maiores dificuldades encontradas quando se trabalha com um público virtual: uma definição exata de quem atinge. Cabe ao relações-públicas envolvido nesse projeto fazer com que tudo seja direcionado a um público pré-definido levando em conta as características e necessidades da comunidade definida na estratégia de comunicação.

É importante colocar que o papel do relações-públicas em uma necessidade virtual não deve se limitar a apenas pré-definir seu público alvo. O profissional tem de interpretar e analisar este meio, processá-lo em um ato constante e incansável para tomar decisões em tempos relativamente exíguos, mesmo que ainda não possa contar com bases de dados realmente seguras. Recorremos a uma associação de idéias bastante comum quando se fala em Internet: a das “Grandes Navegações”. Os caminhos não eram conhecidos, os temores eram muitos, mas a única saída era enfrentá-los. E, hoje, os novos públicos que se formam com o advento da cibercultura apresentam-se também como “mares nunca dantes navegados” para o campo do estudo científico das Relações Públicas.

 

BIBLIOGRAFIA

ANCONA, D. G.. Groups in Organizations: Group Process and Intergroup Relations. Newbury Park, Califórnia: Cleyde Hendrick Saga Publications, 1987.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede vol.1. São Paulo: Paz e Terra, 1998.
MATELLART, Armand. Comunicação Mundo. Rio de Janeiro, Ed. Vozes, 1994.
CARDOSO, Cláudio (org.) Comunicação organizacional: novas tecnologias, novas perspectivas. Salvador: UniBahia Editora, 2002.
KUNSCH, Margarida M. Krohling. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. Edição revista, ampliada e atualizada. São Paulo: Summus, 2003.
KUNSCH, Margarida M. Krohling. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997.
GRUNIG James. (ed.). Excellence in public relations and communication management. Hillsdale: Erlbaum Associates, 1992.
GRUNIG James. A situational theory of publics: conceptual history, recent chalenges and new research. In: MOSS, Dany; MACMANUS, Toby; VERCIC, Dejan (Eds.). Public relations research: an international perspective. London/Boston: International Thomson Business Press, 1997.
GRUNIG, J. & HUNT, T. Managing Public Relations. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1984

 

 

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Equipe de Produção

Editor: Professor João Evangelista Teixeira (MTB1253)
Revisão: Professor João Evangelista Teixeira e Professor Dr. Fábio França
Equipe de Redação: Amanda Falchetti, Carolynne Bonfatti, Christina Rachel Cardoso das Graças, Fernando Barone e Leonardo Godoy
Estagiária Responsável:
Carolynne Bonfatti
Coordenador do Núcleo de Produtos: Prof. Dr. Fábio França CONRERP SP/PR-586

FACULDADE DE JORNALISMO E RELAÇÕES PÚBLICAS
Diretora e Coordenadora do curso de Relações Públicas:
Profa. Dra. Maria Aparecida Ferrari

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