A produção científica em relações públicas

e comunicação organizacional no Brasil:

análise, tendências e perspectivas 

Profa. Dra. Margarida M. Krohling Kunsch

Universidade de São Paulo

Escola de Comunicações e Artes

Introdução

Ter conhecimento do saber acumulado de áreas de interesse deve ser uma das primeiras preocupações de um pesquisador que quer percorrer uma trajetória acadêmica.

Levantar, verificar, analisar e avaliar a produção científica de uma área do conhecimento não é uma tarefa fácil. Primeiro, em razão da dificuldade de acesso a tudo o que é gerado e da falta de uma cultura que leve em conta a importância da documentação da pesquisa e das obras de referência. Segundo, porque os critérios para se definir o que é de fato “produção científica” nem sempre são muito definidos. Considerar produção científica como “tudo o que é publicado”[1] é uma atitude reducionista e questionável.

Os estudiosos das Ciências da Informação têm procurado caracterizar o que é produção científica, bem como a literatura da área. Geraldina Porto Witter mostra a amplitude do termo “produção científica” e sua significação para a sociedade: 

Produção científica é a forma pela qual a universidade ou instituição de pesquisa se faz presente no saber-fazer-poder ciência; é a base para o desenvolvimento e a superação de dependência entre países e entre regiões de um mesmo país; é o veículo para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes de um país; é a forma de se fazer presente não só hoje, mas também amanhã. (...) Este rol pode ir longe, mas, seja qual for o ângulo que se tome por referência, é inegável o papel da ciência na vida das pessoas, das instituições e dos países. Pode-se afirmar que alguma produção científica está ligada à maioria, quase totalidade das coisas, dos eventos, dos lugares com que as pessoas se envolvem no cotidiano (apud Moura, 1997, p. 09)[2]. 

Neste contexto, a produção científica gerada por um pesquisador de qualquer área tem de ter um compromisso social e ser conhecida e útil para a comunidade acadêmica e a sociedade em geral. Essa tem sido uma de nossas preocupações na carreira acadêmica, tendo mesmo se constituído num dos objetos de estudo de doutorado[3], quando defendíamos que 

o que desejamos e defendemos é que a universidade, como centro de produção sistematizada do conhecimento, canalize suas potencialidades no sentido de  contribuir para o aperfeiçoamento da vida social.  Que ele revigore, por meio da comunicação, os seus programas de natureza científica e cultural, procurando irradiar junto à opinião pública o saber e os progressos, os debates e as discussões que gera nas áreas de ciências, tecnologia, letras e artes. Com programas comunicacionais baseados numa produção científica bem elaborada, a universidade manterá ou recuperará sua real dimensão e o seu papel no quadro das transformações por que passa o Brasil e o mundo (Kunsch, 1992, p. 128). 

A partir desse olhar, temos procurado dedicar parte das pesquisas dos últimos anos a levantar, mapear e indexar os registros bibliográficos das áreas de Relações Públicas e de Comunicação Organizacional no Brasil. Esta iniciativa visa descobrir não só qual é o “estado da arte” desses campos do saber, mas sobretudo contribuir para a democratização dessa produção e para a construção de um saber novo.

Ao optar pela coordenação e organização de levantamentos bibliográficos específicos de relações públicas e comunicação organizacional, já havíamos acumulado certa experiência no estudo da produção científica em Comunicação. Como presidente da Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação por dois períodos (1987-1989 e 1991-1993), uma das iniciativas que nos couberam foi a viabilização do Portcom - Centro de Documentação dos Países de Língua Portuguesa, órgão ligado à entidade. O caminho encontrado foi desenvolver projetos de pesquisas apoiados pelo CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Com isso, por meio de concessão de bolsas de iniciação científica, foi possível, junto  com as pesquisadoras Ada de Freitas Maneti Dencker e Regina Keiko F. Amaro, não só alimentar a Portdata - Base de Dados Brasileira de Políticas de Comunicação, do Portcom, mas também produzir bibliografias correntes, como encartes na Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, da Intercom, a Bibliografia Brasileira de Ciências da Comunicação, (v. 8, 1984-1990) e o livro Produção científica brasileira em comunicação – década de 80: análises, tendências e perspectivas (Kunsch e Dencker, 1997).

Assim, fomos percebendo quão importante era documentar a pesquisa e a produção do conhecimento e que valia a pena investir tempo e esforço pessoal nesse empreendimento. José Marques de Melo e Anamaria Fadul, co-fundadores do Portcom,  foram para nós exemplos de preocupação neste sentido, ao preconizar que cabia à Intercom, como entidade científica, liderar um trabalho dessa natureza, que felizmente continua em plena atividade[4].

 

Bibliografias e bases de dados de relações públicas e comunicação organizacional

O trabalho pioneiro sobre obras referenciais de relações públicas no Brasil foi realizado por Cândido Teobaldo de Souza Andrade. Sua preocupação em registrar tudo o que era publicado e as novas teses e os livros que surgiam nos impressionava desde o nosso ingresso na pós-graduação na ECA-USP, em 1979. Com ele, nosso mestre e orientador, aprendemos desde então a valorizar a documentação da produção científica.

 

Guia brasileiro de relações públicas

As primeiras bibliografias da área foram produzidas sob a coordenação de Teobaldo e publicadas pela ABRP - Associação Brasileira de Relações públicas, em parceria com universidades e empresas, surgindo, assim, por exemplo, o Guia brasileiro de relações públicas[5]. Essas obras de referência contêm registros de livros, teses, artigos, opúsculos e apostilas sobre relações públicas e opinião pública. No entanto, não constam nelas os abstracts ou resumos dos conteúdos dessa produção. Prosseguir com esse trabalho e ao mesmo tempo ampliá-lo, incluindo também a área de Comunicação Organizacional e as sínteses dos produtos  foi uma iniciativa que tomamos a partir de 1990.

Como parte de um projeto de pesquisa mais amplo levado a efeito de 1993 a 1995, sobre “A contribuição das relações públicas para o avanço da comunicação organizacional no Brasil”, junto ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, tivemos condições de concretizar um trabalho nessa direção, financiado pelo CNPq.

 

Bibliografia brasileira de relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública 1950-1995

Com o apoio da ECA-USP e do CNPq, por meio de bolsas de pesquisa de iniciação científica e de apoio técnico[6], nos foi possível realizar o levantamento e o registro bibliográfico com abstracts do conhecimento produzido e a que tivemos acesso, sobre relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública de 1950 a 1995.

O desenvolvimento desse trabalho exigiu mais que a localização e recuperação de material já publicado a partir de 1950, tendo por base, sobretudo, como fonte primária, o Guia brasileiro de relações públicas, nas suas várias edições. Foi necessário acompanhar de forma constante os novos livros que eram lançados, as teses e dissertações que eram defendidas, assim como os artigos que eram publicados em revistas especializadas e jornais diários de grande circulação.

Em um primeiro momento, pensamos numa bibliografia setorizada, dividindo-a segundo essas três áreas. No entanto, com a descrição dos macrodescritores para a elaboração do índice remissivo de assuntos e autores, verificamos que isso seria inviável, dadas as inter-relações e interdependências temáticas entre as áreas.

Todo o material levantado no período propiciou a produção da Bibliografia brasileira de relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública, 1950-1995 (Kunsch, 1995), que reúne 1.049 registros bibliográficos, entre livros (157), dissertações de mestrado (59), teses de doutorado e livre-docência (24), comunicações em congressos (70), artigos em catálogos (33), obras de referência (17), artigos em revistas (394) e artigos em jornais (295). Não é um produto acabado e ele certamente tem imperfeições. O importante foi o esforço em reunir num só volume dados bibliográficos da produção técnico-científica dessas áreas, que precisam se consolidar cientificamente junto à sociedade e à comunidade acadêmica. Trata-se de uma obra de referência que pode ser útil para produzir conhecimento novo.

 

Base de dados Uniex

Na tentativa de dar continuidade a esse trabalho, bem como aperfeiçoá-lo, estudos semelhantes fizeram parte de um outro projeto que levamos a efeito de 1999 a 2001, também vinculado à ECA-USP e com o apoio do CNPq[7]. Intitulado de “A comunicação organizacional como um campo acadêmico de estudos: análise da situação ibero-americana”, ele compreendeu uma pesquisa junto aos cursos de pós-graduação em Comunicação Social nos países ibero-americanos. Além disso, também gerou as bases Uniex - Base de Dados da Produção Científica em Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil, Espec - Base de Dados de Artigos sobre Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil em Publicações Especializadas e Unites - Base de Dados de Teses em Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil.

O trabalho desenvolvido consistiu primeiramente na pesquisa e no levantamento bibliográfico sobre a temática da comunicação organizacional em todas as fontes possíveis – bancos de dados, bibliotecas universitárias, centros de referência, programas de pós-graduação em Comunicação, entidades científicas e de classe, sites na internet etc. A partir do registro bibliográfico, com abstracts, procedemos à verificação da consistência dessa produção e a uma revisão geral, trazendo como resultado uma seleção de livros, teses (doutorado e livre-docência), dissertações de mestrado, além de artigos em anais de congressos e em periódicos científicos e técnico-especializados,  de 1950 a 2000. A fonte primária para esse estudo foi a já mencionada Bibliografia brasileira de relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública – 1950-1995.

Assim, foram relacionados os registros bibliográficos de teses, dissertações, livros, capítulos de livros, artigos de periódicos científicos e trabalhos apresentados em congressos, para, em seguida, se fazer o levantamento de novas publicações desses mesmos produtos de 1995 a 2000, em todas as fontes disponíveis. Isto exigiu não só atenção, vigilância e acompanhamento direto de defesas de teses e dissertações e de lançamentos de livros, além de contatos pessoais, como também investimento próprio na aquisição de obras, revistas etc, a fim de que fosse possível indexar todos os documentos pertinentes ao objeto da pesquisa.

O trabalho exigiu constante revisão, para correção de conteúdo, identificação dos macrodescritores, descritores e nomes completos dos autores, além da digitação e do preenchimento dos subcampos da base.

A organização do índice de autores e dos assuntos foi a última etapa do processo. A maior dificuldade esteve ligada à identificação das temáticas, considerando a inexistência de um thesaurus que servisse de base para indexação dos temas das áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional e, ainda, o fato de nem sempre estar claro no título e no resumo de cada documento o real objeto de estudo. Na medida do possível, procuramos agrupar os assuntos por tópicos mais abrangentes, mas que ao mesmo tempo facilitassem ao usuário encontrar o tema de seu interesse.

Desta forma, foi possível agrupar um conjunto representativo da produção científica em Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil, no período em questão.

No conjunto de livros, capítulos de livros, teses, artigos em periódicos científicos e comunicações em congressos ou eventos científicos, os assuntos são bastante variados. Os temas mais presentes, que ultrapassam a freqüência de dez citações, foram: comunicação organizacional/empresarial; conceitos e definições de relações públicas; atividades de relações públicas; relações públicas nas empresas ou nas organizações; história das relações públicas; comunicação dirigida; técnicas de relações públicas; comunicação interna; instrumentos de relações públicas; assessoria de imprensa; comunicação institucional; comunicação integrada; relações públicas com consumidores; imagem empresarial ou institucional; profissão e profissional de relações públicas; ensino de relações públicas; comunicação e cultura organizacional.

O propósito, aqui, não é apresentar uma análise pormenorizada de toda essa produção, o que exigiria um estudo específico. Assim, além de dar uma visão panorâmica de percepções gerais, faremos, mais adiante, um recorte nas dissertações de mestrado e teses de doutorado e livre-docência que foram agrupadas na base de dados Unites.

Os trabalhos se caracterizam basicamente como descritivos e instrumentais e por uma nítida preocupação com a aplicabilidade tanto em Relações Públicas como em Comunicação Organizacional. Em geral, são poucos os que trazem uma abordagem mais crítica e com um envolvimento maior com a teoria dessas áreas.

Nota-se, no conteúdo geral da produção indexada, grande ênfase em: definições e conceitos gerais; técnicas de como fazer; quais devem ser os procedimentos;  instrumentos a serem utilizados; descrição das atividades; como funcionam as estruturas de operacionalização; experiências práticas; veículos utilizados; funções do profissional; etc. São preocupações e enfoques que podem  ser considerados como naturais e perfeitamente normais, pois trata-se de áreas em fase de implantação e consolidação no mercado profissional. Talvez daí o caráter instrumental predominante e também a visão sistêmica e funcionalista da atividade.

 

Base de dados Espec

A base de dados Espec contém informações sobre a produção técnico-especializada em Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil de 1950 a 2000, extraídas da literatura técnico-especializada disponível no período.

Considerando que essas duas áreas têm uma vertente muito forte de aplicabilidade, é comum o surgimento de inúmeros periódicos especializados. Alguns têm vida curta; outros permanecem ao longo da história. Reunir tudo o que já foi publicado em revistas técnicas, de entidades de classe e de associações de Relações Públicas e de Comunicação Organizacional foi um dos objetivos ao produzir essa base de dados, embora sabendo das dificuldades de conseguir ter acesso a todas as publicações possíveis. Trata-se não só de uma obra de referência, mas também de um registro histórico da trajetória dessas áreas no País, vistas numa perspectiva mais técnica e especializada.

A produção e formatação da base passou por várias etapas. O ponto de partida foi a mencionada Bibliografia brasileira de relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública (1950-1995), por nós organizada (Kunsch, 1995). Desta obra de referência foram separados os registros bibliográficos da produção técnico-especializada de periódicos sobre Relações Públicas e Comunicação Organizacional, eliminando-se artigos de jornais e mantendo-se apenas os de revistas especializadas, para em seguida se proceder ao levantamento de novas publicações surgidas no período de 1995-2000, em todas as fontes possíveis.

A base Espec constitui-se, assim, numa bibliografia técnico-especializada que reúne artigos sobre Relações Públicas e Comunicação Organizacional nas mais variadas formas de abordagem, produzidas no Brasil de 1950 a 2000. Possui um total de 542 registros, com índices de assuntos e autores.

Foram recuperadas todas as fontes primárias disponíveis, em bancos de dados informatizados, sobretudo da biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, como o Sistema Dedalus - Banco de Dados Bibliográficos da Universidade de São Paulo, o Sistema Pegasus - Banco de Dados Bibliográficos da Escola de Comunicações e Artes, além da Portdata - Base de Dados Brasileira e das Políticas de Comunicação do Portcom-Intercom.

 

Base de dados Unites

A base de dados Unites constitui um estudo inédito sobre a produção científica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas. Ela tem como referencial as teses de doutorado e de livre-docência e as dissertações de mestrado produzidas e defendidas, de 1970 a 2000, em cinco centros de pós-graduação em Comunicação Social no Brasil:  ECA-USP - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo; Umesp -  Universidade Metodista de São Paulo; PUC/SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo;  Famecos-PUC/RS - Faculdade dos Meios de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; e FCSCL - Faculdade de Comunicação social Cásper Líbero. Estas instituições foram escolhidas intencionalmente, por abrigarem nas suas linhas de pesquisas temas vinculados às áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional .

 

A produção gerada nos cursos de pós-graduação em Comunicação Social

O conhecimento produzido na pós-graduação stricto sensu representa a produção científica por excelência. Pelo menos é dessa forma que, em princípio, deve ser considerada a questão. Os especialistas em Ciências da Informação denominam esses estudos de “literatura não-convencional” ou “literatura cinzenta” (Alberani e Pietrangeli, 1993, p. 56-63; Población, 1995, p. 99-112), enquanto livros e artigos fazem parte da “literatura convencional”. Para Witter e Freitas,

dentre os discursos escritos, as dissertações e teses integram um grupo especial denominado de literatura cinzenta, dada as suas características de nível de produção, audiência a que se destina, dificuldades de acesso, número de unidade reproduzidas, entre outras. A produção de discursos, dissertações e teses é contribuição que enriquece o conhecimento científico em termos de saber e fazer, gerando poder de interferir na realidade para assegurar melhor qualidade de vida para o ser humano (1997, p. 116).

Nota-se, portanto, que a produção gerada como fruto de estudos de pós-graduação stricto sensu têm um valor inestimável para o avanço da ciência e da tecnologia e, conseqüentemente, para a melhoria de vida de uma população. São produções que pela sua natureza têm peso e legitimidade, porque são submetidas a um criterioso nível de exigências acadêmicas, a rigor científico e ao crivo de um corpo docente qualificado e especializado no respectivo saber.

A institucionalização do desenvolvimento da pesquisa científica na universidade brasileira se processa de forma efetiva a partir da implantação dos cursos de pós-graduação com a Reforma Universitária de 1968. Até então, poucas universidades do País tinham tradição em pesquisa (Kunsch, 1992, p. 39-49).

Graças aos cursos de pós-graduação surgidos a partir de 1970 é que as Ciências da Comunicação no Brasil atingiram um estágio altamente elevado, se comparado com os dos demais países da América Latina. Neste contexto, tais cursos tiveram um papel relevante e decisivo para o crescimento da pesquisa em Relações Públicas e Comunicação Organizacional, sobretudo o da ECA-USP, que pode ser considerado como paradigmático nesses segmentos do saber.

Assim, ao recorrer aos estudos realizados sobre Relações Públicas e Comunicação Organizacional nas quatro últimas décadas, poder-se-á perceber que é exatamente graças aos cursos de pós-graduação que essas áreas começaram a desenvolver trabalhos mais sistematizados, resultantes de uma pesquisa acadêmico-científica. Esses, aos poucos, vão sendo publicados por editoras comerciais na forma de livros e passam a ser adotados pelas escolas de Comunicação, contribuindo para a  formação universitária de novos profissionais..

Sob essa perspectiva, na pesquisa realizada de 1999 a 2001, que originou a base de dados Unites, optou-se pela análise, com mais profundidade, de teses e dissertações de parte dos cursos de pós-graduação em Comunicação no Brasil, que, de certa forma, contemplassem institucionalmente os campos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional nas suas áreas de concentração e linhas de pesquisa.

 

A construção do objeto e metodologia do estudo

O processo inicial da construção deste estudo levou em conta várias  ponderações para delimitar a amostra escolhida, ou seja, os cinco cursos mencionados. Primeiramente, não é tarefa fácil acessar toda a produção científica dessas áreas gerada nos cursos de pós-graduação em geral e mesmo na área de Comunicação Social. A elaboração de teses e dissertações de relações públicas e comunicação organizacional não é exclusividade dos programas de pós-graduação em Comunicação Social no Brasil. Sabe-se que  muitos pesquisadores, até por não terem, nas cidades onde moram,  oportunidades de cursar um curso de pós-graduação na sua área de interesse, acabam adaptando seu objeto de estudo e o vinculando-o a outras áreas do conhecimento, como é o caso, sobretudo, de Administração, Educação e Letras[8].

Outro aspecto a considerar é, ainda, a produção gerada em universidades do exterior[9], que, normalmente, não estão disponíveis nos centros de pós-graduação do País e nem sempre os pesquisadores traduzem para o idioma pátrio ou publicam em forma de livro. Assim, mapear e reunir todo o conhecimento de forma completa é quase que uma missão impossível.

Face a esse quadro, o universo delimitado ficou restrito aos catorze cursos de pós-graduação em comunicação autorizados pela Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do Ministério da Educação, até o final do ano de 2000. Trata-se dos cursos das seguintes instituições: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA-USP; Escola de Comunicação  da Universidade Federal do Rio de Janeiro - ECO-UFRJ; Universidade de Brasília - UnB; Universidade Metodista de São Paulo – Umesp; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP; Universidade Estadual de Campinas – Unicamp; Universidade Federal da Bahia – UFBA; Faculdade dos Meios de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - Famecos-PUC/RS; Universidade do Vale do Rio Sinos - Unisinos; Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG; Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS; Universidade Federal Fluminense - UFF; Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero; e Universidade Tuiuti do Paraná. Eles ofereciam, nas suas linhas de pesquisa, condições institucionais para o desenvolvimento de estudos nas áreas de conhecimento em questão.

Identificar, a partir desses programas, quais os que abrigavam nas suas áreas de concentração e linhas de pesquisa os campos de Relações Públicas e  Comunicação Organizacional e analisar a produção por eles gerada foram preocupações centrais do presente trabalho. A amostra recaiu no conjunto identificado de dissertações (mestrado) e teses (doutorado e livre-docência) defendidas de 1970-2000 dos cinco cursos já mencionados,  que de fato possuíam docentes com linhas de pesquisas nessas áreas no quadro institucional.

Para atingir o objetivo, foram envidados todos os esforços no sentido de levantar e registrar todas as teses de doutorado e livre-docência, bem como as dissertações de mestrado geradas nesses cinco programas desde a década de 1970, quando a ECA-USP marca seu pioneirismo no campo, com as primeiras teses de doutorado, defendidas em 1972 por Cândido Teobaldo de Souza Andrade (Relações Públicas) e Francisco Torquato do Rego (Comunicação Empresarial/Jornalismo Empresarial), até o final de 2000.

O primeiro levantamento realizado foi para identificar os títulos das teses e dissertações de cada instituição universitária e o número total, o que se mostra na tabela 1, a seguir:

Tabela 1

Número de teses/dissertações por instituições universitárias 

 

Instituições

Áreas de concentração

Produtos

Mes-trado

Douto-rado

Livre-docência

Total

ECA-USP

Ciências da comunicação

50

20

07

77

PUC/SP

Comunicação e semiótica

02

04

--

06

Umesp

Comunicação social/Processos comunicacionais

24

04

--

 29

Famecos

Comunicação e poder nas organizações

14

--

--

14

FCSCL

Comunicação e mercado

01

--

--

01

Total

 

91

28

7

126

 

 


 

 

No conjunto de teses e dissertações defendidas, destaca-se a supremacia da ECA-USP, tanto no número de teses de doutorado quanto no das dissertações de mestrado. Observa-se, ainda, que teses de livre-docência só apareceram nela.

Feito o mapeamento, passou-se para uma leitura compreensiva dos diferentes documentos, tendo como parâmetro, para identificar, analisar e avaliar o conteúdo da produção disponível, os seguintes itens: registro bibliográfico, palavras-chave, orientador, metodologia utilizada, principais características quanto à forma, tipo de estudo realizado e se o trabalho foi publicado.

A tabela 2 mostra quais foram os quesitos principais analisados nos diversos itens, para cada um dos 126 produtos (dissertações e teses de doutorado e livre-docência) apresentados nos cinco cursos de pós-graduação.

 

Tabela 2

Identificação, análise e avaliação da produção científica nos

cursos de pós-graduação em comunicação

 

Item

Quesitos

Registro bibliográfico

Autor

Título

Cidade

Universidade / Escola

Número de páginas

Tipo (mestrado, doutorado ou livre- docência)

Orientador

Palavras-chave

 

Orientador

 

Área de concentração/ linha de pesquisa

Área de concentração

Linha de pesquisa

Metodologia utilizada

Pesquisa qualitativa

Pesquisa quantitativa

Triangulação (qualitativa + quantitativa)

Estudo de caso

Análise de conteúdo / discurso

História de vida

Características (forma)

Estudo descritivo

Estudo ensaístico

Estudo sistematizado

Estudo descritivo-analítico

Estudo crítico-dialético

Tipo de estudo realizado

Teórico

Histórico

Teórico- prático

Comparativo

Instrumental / manual

Bibliográfico

Publicação

Verificar se há registro de publicação da tese

 

Configuração da base de dados Unites

A partir dos procedimentos metodológicos adotados e dos indicadores de análise (cf. tabela 2), foi possível configurar a base de dados Unites[10]. Para uma visão do conjunto, optou-se por agrupar os trabalhos por nível acadêmico – dissertações de mestrado e teses de doutorado e livre-docência (cf. gráficos 1 a 3).

 

Análise e interpretação dos dados

O estudo realizado com o recorte amostral de 126 dissertações e teses em Relações Públicas e Comunicação Organizacional permite tecer considerações, apresentar elementos quantitativos, análises qualitativas, reflexões e elencar algumas conclusões.  

 

Gráfico 1
Dissertações de mestrado por décadas   

 

 

O gráfico 1 demonstra claramente que é na década de 1990 e no ano 2000 que se registra a maior  produção no nível de mestrado. Observa-se que número de defesas registrado nos anos 1997, 1999 e 2000, ultrapassa 10 títulos. Isso se explica em parte pela inclusão do programa de pós-graduação da Famecos-PUC/RS, que, criado em 1995, apresentou em 1997 as primeiras dissertações. Outras razões são a importância que essas áreas do conhecimento vêm assumindo e a exigência do MEC quanto à  a titulação acadêmica para o exercício do magistério nas instituições de ensino superior.    

Gráfico 2

Teses de doutorado por décadas

 

Também no nível de doutorado, é na década de 1990 e no ano 2000 que se registra a maior  produção. Chama a atenção a defesa de duas teses na  ECA-USP em 1972, quando ainda não existia o curso em nível de doutorado. Na época não era necessário passar antes pelo mestrado. Assim, coube a Cândido Teobaldo de Souza Andrade o mérito de apresentar, naquele ano, a primeira tese de doutorado na área – Relações públicas e o interesse público – e a Francisco Gaudêncio Torquato do Rego,  a primeira tese de doutorado em Comunicação Organizacional – Comunicação na empresa e o jornalismo empresarial[11].

Gráfico 3

Teses de livre-docência por décadas

 

As teses de livre-docência, que foram defendidas apenas na ECA-USP, também registram maior crescimento a partir de 1990, quando mais docentes do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo se submeteram a elas.  

 

Conteúdo temático: predominância, diversidade e abrangência

O conjunto da produção científica analisado, compreendendo as dissertações de mestrado e as teses de doutorado e livre-docência, apresenta essencialmente dois aspectos determinantes. O primeiro diz respeito a um estudo genérico das Relações Públicas e da Comunicação Organizacional nas suas mais diversas abrangências e aplicações. O segundo denota o valor dado aos processos comunicacionais midiáticos.

Nota-se, em geral, uma forte tendência a buscar conceitos explicativos para uma eficácia da comunicação aplicada às mais diferentes organizações. Predomina, portanto, uma perspectiva funcionalista, procurando-se demonstrar o “como-fazer”; raros são os trabalhos mais críticos e questionadores e com uma preocupação clara em construir teorias. Entre os temas predominantes, podem ser  elencados como os dez primeiros:

  1. Relações públicas nas empresas, organizações: conceitos e práticas

  2. Comunicação empresarial/organizacional: conceitos e aplicações  

  3. Relações públicas governamentais/comunicação governamental   

  4.  Jornalismo empresarial

  5. Comunicação institucional/imagem institucional

  6. Relações públicas/comunicação com os consumidores

  7. Comunicação interna e processos midiáticos internos (publicações e vídeos)

  8. Comunicação e qualidade total nas organizações

  9. Assessoria de imprensa e relações com as fontes

  10. Relações públicas comunitárias, hospitalares, no meio rural etc.

A temática nas dissertações de mestrado

Para uma visão mais detalhada da distribuição dos temas por área e por nível acadêmico, relacionam-se, a seguir, primeiramente os assuntos mais freqüentes identificados nas dissertações de mestrado –  tabelas 3 e 4.

 

Tabela 3

 Dissertações de mestrado em Relações públicas por temas  

 

Tema

Número

Atividades de relações públicas

2

Conceitos, aspectos teóricos e técnicas de relações públicas

7

Relações públicas governamentais

5

Relações públicas com os consumidores

4

Relações públicas comunitárias

3

Relações públicas nas organizações/empresas

10

Relações públicas e poder nas organizações

4

Relações públicas nos hospitais

2

Eventos e relações públicas

2

Ensino de relações públicas

3

Relações públicas e comunicação dirigida

2

Relações públicas e turismo

1

Relações públicas e o setor rural

1

Relações públicas e meio ambiente

1

Planejamento de relações públicas

1

História das relações públicas no Brasil / nos Estados Unidos

2

Propaganda institucional

1

Produção científica em relações públicas

1

Opinião pública

1

Editoração em relações públicas

1

Relações públicas e sistemas de comunicação

1

Total

55

 

 

Tabela 4

 Dissertações de mestrado em

comunicação organizacional/empresarial por temas

 

Tema

Número

Conceitos gerais de comunicação empresarial

6

Jornalismo empresarial

5

Comunicação interna

4

Vídeo institucional/treinamento

3

Comunicação institucional

3

Assessoria de imprensa

4

Comunicação e terceiro setor

2

Comunicação em cooperativas

2

Comunicação em universidades

2

Comunicação integrada

2

Comunicação sindical

1

Cultura organizacional e comunicacional

2

Produção literária em comunicação

1

Total

36

 

Nota-se a abrangência e a diversidade temática presentes tanto no campo das Relações Públicas quanto no da Comunicação Organizacional. Evidentemente, o número de dissertações em Relações Públicas é muito maior do que em Comunicação Organizacional. Isto começa a se modificar a partir da década de 1990, quando há um aumento significativo de número de dissertações em relação às décadas de 1970 e 1980.

As teses de doutorado e os assuntos predominantes em relações públicas e comunicação organizacional

As teses de doutorado, analisadas na amostra, contribuíram para construção de uma teoria das relações públicas no Brasil? É uma resposta difícil de ser dada, tendo em vista que os trabalhos verificados não enfatizam essa preocupação. Não há uma contestação do trabalho produzido e criação de um conhecimento novo. Em geral, os temas são reproduzidos sem uma análise crítica que conduza à formatação de uma possível teoria no contexto da realidade brasileira. São poucas as revisões bibliográficas da produção brasileira nos autores que buscam esboçar estudos mais teóricos. Os assuntos abordados foram, conforme a tabela 5:

 

Tabela 5

 Teses de doutorado em relações públicas por temas

 

Temas

Número

Fundamentos psicossociológicos das relações públicas/Interesse público

1

Relações públicas e transmarketing – visão estratégica nas  organizações

1

Relações públicas no Brasil e na Índia: estudo de caso de práticas de empresas

1

Relações públicas e comunicação escrita na empresa

1

Relações públicas e administração de controvérsia pública

1

Relações públicas na área governamental

1

O ensino e a pesquisa em relações públicas no Brasil

1

Avaliação e mensuração dos programas de relações públicas

1

Relações públicas e os valores organizacionais no Brasil e Chile

1

Opinião pública

2

Total

11

 

Da tabela pode-se depreender que os trabalhos são variados e não há uma proposição clara de construção de teorias, mas de uma busca de fundamentos e técnicas aplicadas setorialmente. Verifica-se que não há continuidade no aprofundamento das proposições inicialmente levantadas pelos autores. Isto demonstra que os trabalhos produzidos não estão possibilitando novas construções e debates acadêmicos para construção de uma ciência.

Tabela 6

 Teses de doutorado em

comunicação organizacional/empresarial por temas

 

Temas

Número

Comunicação e qualidade total nas organizações (empresas e universidades)

4

Comunicação empresarial/ jornalismo empresarial

1

Comunicação e recursos humanos

1

Comunicação integrada na universidade

1

Comunicação social na área governamental

1

Comunicação nas bibliotecas universitárias

1

Comunicação institucional e saúde pública

1

Marketing cultural/comunicação institucional

1

Comunicação/linguagem e discurso organizacional

1

Identidade organizacional

1

Retórica da comunicação organizacional e das ações de uma empresa multinacional

1

Comunicação nos documentos institucionais dos colégios católicos

1

Teatro nas organizações

1

A ética no discurso empresarial jornalístico

1

Total

17

O número de teses de doutorado em comunicação organizacional é quase o dobro, se comparado ao de relações Públicas, além de se constatar uma freqüência relativamente grande de trabalhos voltados para temas como prática da comunicação na universidade, processos comunicacionais  e assessoria. Deduz-se que as teses dobre comunicação na universidade  têm sido objeto de novos estudos.

Analisando o conjunto temático, pode-se depreender que não há uma preocupação em se formatar uma teoria da comunicação organizacional no Brasil. Os temas são explorados diversificadamente e na sua maioria se ligam a estudos de casos em diferentes tipologias organizacionais – empresas, universidades, colégios e entidades governamentais.

Do total de 28 teses de doutorado analisadas – 11 em Relações Públicas e 17 em Comunicação Organizacional/Empresarial –, apenas duas tratam especificamente da opinião pública, mesmo assim sem contextualizá-la nas duas áreas. Trata-se de um tema relevante, que está sendo pouco estudado pelos pesquisadores dessas áreas.

 

Tabela 7

 Teses de livre-docência em relações públicas

e comunicação organizacional por temas

 

Temas

Número

1. Relações públicas e comunicação na área governamental/serviço público

3

2. Projetos experimentais em relações públicas

1

3. Comunicação e organizações utilitárias

1

4. Relações públicas e as interfaces com a comunicação organizacional no Brasil

1

Comunicação política no Brasil e na França

1

Total

7

A temática trabalhada sintetiza a pesquisa e a experiência acadêmica dos autores. Os assuntos são relevantes, pois há uma tentativa de esboçar conceitos fundamentais sobre os assuntos relacionados. Registre-se que quatro trabalhos foram publicados por editoras comerciais.

Para finalizar, mais três aspectos são analisados no conjunto dos 126 documentos pesquisados: as características estruturais básicas (tabela 8), a metodologia utilizada (tabela 9) e os tipos de estudos realizados (tabela 10).

 

Características básicas dos estudos realizados

Procurou-se verificar como os trabalhos se caracterizavam quanto à sua forma estrutural – estudo sistematizado, descritivo, analítico, crítico ou ensaístico. Em síntese, os dados obtidos os seguintes: 

 

Tabela 8

 Características estruturais básicas dos estudos realizados em

relações públicas e comunicação organizacional/ empresarial

 

Características

Dissertações de mestrado

Teses de

doutorado

Teses de

 livre-docência

Total

Estudo descritivo

52

21

4

77

Estudo ensaístico

18

2

1

21

Estudo descritivo/analítico

18

4

2

24

Estudo crítico/dialético

3

1

-

4

Total

91

28

7

126

Chama a atenção o número reduzido de trabalhos realizados numa perspectiva dialética e crítica. Por outro lado, há uma predominância dos estudos descritivos.

Tabela 9

 Metodologia utilizada e sua freqüência por nível acadêmico

 

Metodologia

Dissertações de mestrado

Teses de

doutorado

Teses de

livre-docência

Total

Não identificada

20

1

1

22

Estudo de caso

30

7

-

37

Pesquisa qualitativa

13

4

-

17

Pesquisa quantitativa

2

1

-

3

Triangulação (quantitativa/qualitativa)

15

6

2

23

Análise de conteúdo

6

4

-

10

Análise documental

4

1

-

5

Biografia/história de vida

1

4

4

9

Total

91

28

7

126

Pelo estudo realizado, nota-se que nas dissertações e teses defendidas nas décadas de 1970 e 1980 e no início da década de 1990 não havia uma preocupação clara em descrever a metodologia utilizada. Os dados registram um número elevado de estudos de caso, o que de certa maneira confirma o que foi mencionado em relação ao conteúdo temático, abordando as relações públicas e a comunicação organizacional aplicadas às organizações e nos mais variados campos.

 

Tabela 10

 Tipos de estudos de estudos realizados em

relações públicas e comunicação organizacional

 

Tipo de estudo

Dissertações de mestrado

Teses de

Doutorado

Teses de

livre-docência

Total

Teórico/conceitual

6

2

2

10

Histórico

8

1

-

9

Teórico/prático

53

17

3

73

Prático/aplicado

10

2

-

12

Instrumental/manual

7

3

1

11

Comparativo/países

7

3

1

11

Total

91

28

7

126

 

Principais conclusões

Nos estudos realizados há, em geral, uma nítida preocupação em tratar dos aspectos teórico-conceituais e práticos simultaneamente. Registra-se a escassez de dissertações e teses com ênfase na teoria e mesmo no estudo das correntes do pensamento comunicacional brasileiro dessas áreas do conhecimento. Há uma tendência em valorizar mais as ferramentas e os instrumentos do que os processos e a complexidade da comunicação nas organizações.

É preciso destacar que, pelo volume dos trabalhos analisados – 91 dissertações de mestrado, 28 teses de doutorado e 7 de livre-docência –, o Brasil é reconhecidamente destaque, se compararmos sua produção com a de outros países da América Latina e mesmo da Europa.

Este número poderia ser muito maior se mais cursos oferecessem nas suas linhas de pesquisas oportunidades para o desenvolvimento de estudos nessas áreas. Considera-se que,  primeiramente, faltam especialistas nesses segmentos. Mas inexiste também vontade política e maior visão de certos docentes que integram os colegiados dos programas de pós graduação em Comunicação Social, sobretudo das universidades federais. Talvez por ignorarem que já existem teorias e toda uma produção reconhecida internacionalmente ou por desconhecerem as demandas sociais e possibilidades de reflexão sobre o fazer das organizações no campo comunicacional.

Há ainda,  no nosso entender, um certo viés ideológico de achar que essas áreas estão vinculadas ao mercado e não possuem bases teóricas para figurar como linhas de estudo. Infelizmente,  é uma realidade que ainda persiste. Pesquisadores, por não encontrarem espaço para desenvolver seus estudos e acompanhar os de seus orientandos, se vêem obrigados a  transferir-se para as escolas de Administração  das mesmas universidades federais. Constata-se também que muitos ingressantes ,por não encontrarem  apoio institucional para  pesquisar na sua área de interesse, são muitas vezes levados a mudar seu objeto de estudo. E, conseqüentemente, deixam de contribuir para  o avanço específico dessas áreas, não se formando novos quadros e especialistas para  preparar nova geração de pesquisadores.

Por outro lado, há um esforço visível de alguns centros de pós-graduação em valorizar esse campo acadêmico de estudos e um interesse dos pesquisadores em avançar teoricamente. No entanto, são necessárias algumas ações concretas para que realmente seja possível caminhar para uma consolidação e um reconhecimento da comunidade científica em nível nacional e internacional.

Tais ações passam por uma nova conscientização da responsabilidade da universidade e dos cursos de pós-graduação e dos demais agentes envolvidos – professores, pesquisadores, estudantes, profissionais e entidades científicas e de classes.

Há necessidade de maior investimento em pesquisas científicas, tanto por parte do poder público quanto do setor privado, desde que essas áreas aumentem a demanda com projetos de pesquisa e vislumbrem um compromisso social.

Faz-se necessário estabelecer convênios e acordos de cooperação entre centros de pós-graduação em Comunicação Social do Brasil, mediante pesquisas integradas, visitas científicas e publicações conjuntas. É preciso, além disso: promover maior intercâmbio internacional com os centros de pesquisa e pós-graduação no exterior, viabilizando a participação de pesquisadores brasileiros nos congressos científicos mundiais de comunicação; produzir bases de dados e de obras de referência especializadas do conhecimento estocado; exigir maior rigor no ensino e na pesquisa de graduação e de pós-graduação lato sensu e stricto sensu.

 

Os campos científicos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional: tendências e perspectivas

Relações Públicas e Comunicação Organizacional como áreas de conhecimento se inserem no âmbito das Ciências da Comunicação e das Ciências Sociais Aplicadas.

Estudos realizados tanto no âmbito acadêmico quanto na esfera do mercado profissional têm sinalizado que as interfaces entre relações públicas e a comunicação organizacional são uma realidade no Brasil (Kunsch, 1997).

Para compreender e aplicar os fundamentos teóricos das relações públicas, é necessário também conhecer o espectro da abrangência da comunicação organizacional e das áreas afins. Relações públicas trabalham basicamente com organizações e públicos. E todo esse processo mediador só é possível acontecer com e por meio da comunicação. E, nesse contexto, a comunicação organizacional, como campo acadêmico de estudos, dará subsídios teóricos para fundamentar a prática da atividade na administração dos relacionamentos entre organizações e públicos, além, é claro, do suporte de outras ciências.

No Brasil, os campos acadêmicos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional se ligam às escolas ou faculdades de Comunicação Social. Por campo acadêmico entendemos aqui, conforme Maria Immacolata Vassallo de Lopes, um “conjunto de instituições de nível superior destinado ao estudo e ao ensino de comunicação e onde se produz a teoria, a pesquisa e a formação universitária das profissões de comunicação” (2000, p. 42).

Essa definição de campo acadêmico pressupõe três subcampos: científico, educativo e profissional. O campo científico envolve práticas da pesquisa e da produção do conhecimento teórico e aplicado; o educativo tem o papel fundamental de reproduzir esse conhecimento, por meio do ensino; e o profissional é responsável pela aplicação das práticas e pelo vínculo com o mercado profissional (id., ib., p. 42).

O que se tentou, neste trabalho, foi refletir exatamente sobre o campo científico dessas duas áreas do conhecimento, a partir de uma produção de saber já estocado. Afinal, meio século de produção científica de conhecimento é motivo de comemoração e reflexão. Não foi fácil chegar até aqui. Longo caminho foi percorrido e os estudiosos dessas áreas lutaram e ainda lutam contra preconceitos e por mais espaço na comunidade nacional e internacional.

Buscar legitimidade daqueles que procuram construir novas teorias, por meio,  sobretudo, de um reconhecimento público da comunidade acadêmica e da sociedade, é uma luta constante no espaço do campo científico, Como nos ensina Bourdieu, 

o campo científico, enquanto sistema de relações objetivas entre posições adquiridas (em lutas anteriores), é lugar, espaço de jogo de uma luta concorrencial. O que está em jogo especificamente nessa luta é o monopólio da autoridade científica definida, de maneira inseparável, como capacidade técnica e poder social; ou, se quisermos, o monopólio da competência científica, compreendida enquanto capacidade de falar e de agir legitimamente (isto é, de maneira autorizada e com autoridade), que é socialmente outorgada a um agente determinado (1983, p. 123). 

Acredita-se que “autoridade científica” e “competência científica” só se adquirem a partir de muita pesquisa, muita caminhada e por meio de constantes buscas de uma epistemologia da ciência. E, neste caso específico, pelo estudo crítico da produção do conhecimento de Relações  Públicas e Comunicação Organizacional .

Relações Públicas e a Comunicação Organizacional são áreas que ainda não ocupam um lugar merecido nos diversos cursos de pós-graduação em Comunicação Social no Brasil, que hoje somam um total de vinte[12] Isso se dá, sobretudo, porque no quadro docente não há professor qualificado e com produção de “literatura cinzenta” sobre essa áreas de conhecimento ou porque as universidades simplesmente ignoram as possibilidades e a abrangência desse campo científico e da contribuição que ele poderia dar para a sociedade, como já destacamos.

O estudo realizado demonstrou também uma forte simbiose entre conceitos e práticas profissionais. Isto significa que a academia tem buscado sistematizar suas reflexões a partir do fazer cotidiano das organizações. Tal constatação vai ao encontro do que José Marques de Melo escreveu sobre como se desenvolve um campo do saber. Para ele, este surge como conseqüência das demandas sociais. Isto é: 

O estoque de saber acumulado pela humanidade provém (...) da confluência de duas fontes: a) Práxis – aplicação do saber acumulado pelas sociedades e, dentro delas, pelas corporações profissionais. Sua meta é desenvolver modelos produtivos, transmitindo-os às novas gerações para acelerar o processo civilizatório. b) Teoria – apropriação do saber prático pela academia, que o submete a permanente reflexão e sistematização. Através do ensino e da pesquisa, a universidade atua como formadora de recursos humanos e como produtora de conhecimento (2001, p. 91). 

Finalmente, pode-se concluir que as perspectivas são bastante promissoras e a tendência é de crescimento e de maior produtividade nesses campos de estudos. Pelo que temos acompanhado das teses de doutorado e dissertações que vêm sendo defendidas de 2000 até este início de 2003, tem havido um bom progresso. Esses trabalham sinalizam uma produção mais inovadora, com pesquisas empíricas e reflexões teóricas com mais rigor metodológico e científico.

O estágio avançado do mercado das Relações Públicas e da Comunicação Organizacional no Brasil e novas exigências para uma crescente profissionalização impulsionarão a universidade a valorizar e criar mais espaços para a pesquisa e o ensino nessas áreas. Nos regimes totalitários não há lugar para a prática da comunicação em duas vias. A nova conjuntura política do País e o fortalecimento e a consolidação das instituições democráticas são fatores que cada vez mais contribuirão para o florescimento e a expansão das Relações Públicas e da Comunicação Organizacional.

Essa nova postura das organizações frente à sociedade, aos públicos e à opinião pública exigirá bases conceituais mais sólidas para a prática profissional. A globalização, a revolução tecnológica da informação e a complexidade contemporânea exigirão cada vez mais que as organizações pensem e planejem estrategicamente a sua comunicação,  não podendo elas prescindir da pesquisa científica e da ciência.

Espera-se que o presente trabalho contribua para esse fortalecimento das áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional no País e sirva de referência para novos estudos e questionamentos. Acredita-se que a tendência seja melhorar a qualidade da pesquisa científica e com isso se consiga uma identidade mais agressiva do campo, tanto no âmbito acadêmico quanto no mercado profissional.

Nossa contribuição terá uma amplitude maior quando forem mais explorados os dados de nossas três bases de dados: a Uniex, de bibliografia que repertoria de forma abrangente a produção científica brasileira de Relações Públicas e Comunicação Organizacional;  a Unites, com registros de teses de doutorado e livre-docência e dissertações de mestrado defendidas em cursos brasileiros de pós-graduação em Comunicação Social que contemplam nas suas linhas de pesquisa as duas áreas; e a Espec, que referencia os artigos publicados sobre temáticas dessas mesmas áreas.

 

Bibliografia 

ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Guia brasileiro de relações públicas. 7a. ed. – revista e ampliada. Novo Hamburgo: Faculdade de Comunicação Social da Feevale, 1997. 

_______________.  Relações públicas na administração pública direta e indireta. São Paulo, 1978. Tese (Livre-docência) – ECA-USP.  

________________. Relações públicas e o interesse público. São Paulo, 1972. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – ECA-USP.   

ALBERANI, Vilma; PIETRNGELI, Paola Castro. Grey literature information science: production and use in international conference on Grey Literature GL’93. 1. Dec.1993. Amsterdam: 1993. Cluster Session I, p. 56-63. 

BORDIEU, Pierre. O campo científico. In: Sociologia. Col. Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1983. p. 121-155. 

INTERCOM. Bibliografia brasileira de comunicação. São Paulo: Intercom/IMS/ECA-USP, v.4 (1981),  1982; Intercom/ECA-USP/CNPq/IBICT,v. 5 (1982), 1983; v. 6 (1983), 1984; Intercom/CNPq, v. 7 (1977-1987), 1987; Intercom/ECA-USP/CNPq/Finep, v. 8 (1984-1990), 1992. 

KUNSCH, Margarida M. Krohling. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo, Summus, 1997. 

MARGARIDA M. Krohling Kunsch. As relações públicas e suas interfaces com a comunicação organizacional. São Paulo, 1996. Tese (Livre-docência) – ECA-USP. 

___________ (org.). Bibliografia brasileira de relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública. São Paulo: CNPq/ECA-USP/Portcom, 1995. 

___________. Pesquisa brasileira de comunicação: os desafios dos anos 90. Revista Brasileira de Comunicação. São Paulo: Intercom, v. XVI, n. 2, p. 44-65, jul/dez 1993. 

___________. Universidade e comunicação na edificação da sociedade. São Paulo: Loyola, 1992. 

___________. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. 2a. ed. São Paulo: Summus, 1989. 

___________. Documentação: a conexão latino-americana. Revista Brasileira de Comunicação. São Paulo: Intercom, a. XII, p. 137-141, jul/dez  1989.  

___________. A pesquisa brasileira da comunicação nos anos 80 e a contribuição da Intercom. Anais do simpósio do mesmo nome. São Paulo: Intercom/CNPq, 1988. 212 p. 

KUNSCH, Margarida M. Krohling; DENCKER, Ada de Freitas Maneti (coords.). Produção científica brasileira em comunicação –  década de 80: análises, tendências e perspectivas. São Paulo: Portcom/Intercom/ECA-USP/CNPq/FINEP, 1997. 

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. O campo da comunicação: institucionalização e transdiciplinação. In: LOPES, M. I. V. de et al. (orgs.). Comunicação e informação: identidades e fronteiras. Recife: Bagaço; São Paulo: Intercom, 2000. p. 41-56. 

MARQUES DE MELO, José Pesquisa em comunicação no Brasil: tendências e perspectivas. São Paulo: Cortez/Intercom/CNPq, 1993. 

_____________. Conhecer - produzir - transformar: paradigmas da Escola Latino-americana de Comunicação. Comunicação & Sociedade. São Bernardo do Campo: Póscom-Umesp, a. 23, n. 36, p. 87-110,.2o. sem. 2001. 

______________ (coord.). Teoria e pesquisa em comunicação: panorama latino-americano. São Paulo: Cortez/Intercom/CNPq, 1983. 

______________ (coord.). Inventário da pesquisa em comunicação no Brasil - 1883-1993. São Paulo: Portcom/Intercom/Alaic/CIID/CNPq, 1984. 387 p. mais índice remissivo encartado. 

______________ (coord.). Periódicos brasileiros de comunicação das décadas de 60 e 70.  São Paulo: Intercom/Portcom/Alaic, 1992. 

______________ (coord.). Fontes para o estudo da comunicação. São Paulo: Intercom, 1995.  

POBLACIÓN, Dinah A. M. Aguiar. Produção científica: literatura cinzenta da área de ciência da informação. Biblioteconomia. Brasília: n. 19,  p. 99-112, 1995. 

STUMPF, Ida Regina C.; CAPPARELLI, Sérgio (org.). Teses e dissertações em comunicação no Brasil – 1992-1996: Resumos. Porto Alegre: PPGCOM/UFRGS, 1998. 

TORQUATO DO REGO, Francisco Gaudêncio. Comunicação e organização: o uso da comunicação sinérgica para obtenção da eficácia em organizações utilitárias. São Paulo, 1986. Tese (Livre-docência) – ECA-USP.   

__________________. Comunicação na empresa e o jornalismo empresarial. São Paulo, 1972. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – ECA-USP.

WITTER, Geraldina Porto. Produção científica. Campinas, SP: Editora Átomo, 1997. 

WITTER, Geraldina Porto; FREITAS, Maria Helena de Almeida. Dissertações e teses de biblioteconomia e ciência da informação: estrutura do discurso. In: WITTER, Geraldina Porto (org.). Produção científica. Campinas:Editora Átomo,1997. p.115-134.

 


[1] No livro Universidade e comunicação na edificação da sociedade trabalhamos sobre essa questão (1992, p. 34-54).

[2] Para maiores detalhes sobre a temática, consultar Witter (1997).

[3] Em nossa tese de doutorado, Universidade e comunicação na edificação da sociedade, apresentada à ECA-USP em 1991 e publicada em 1992 pela Loyola com o mesmo título, defendo que a universidade tem de ter  um serviço de comunicação integrada, com um centro de comunicação científica para difundir a produção do conhecimento junto à sociedade (Kunsch, 1992).

[4]  Para maiores detalhes sobre a Intercom e sobre o Portcom, consultar o site www.intercom.org.br.

[5] Esse guia teve até agora sete edições – 1979, 1981, 1982, 1984, 1986, 1993 e 1997, sempre lançadas em congressos da ABRP - Associação Brasileira de Relações Públicas.  A última edição, revista e ampliada, foi lançada pela ABRP/SP e pela Faculdade de Comunicação Social da Feevale (Novo Hamburgo, RS), por ocasião da realização do X Encontro Nacional de Professores de Relações Públicas e do XI Congresso Nacional Universitário de Relações Públicas, em São Paulo, de 14 a 26 de abril de 1997.

[6] Bolsistas de Iniciação Científica: Elly Tsuruye Matsumoto e Liliana Renata Lima Brancalhon; bolsistas de Apoio Técnico: Maria Eugênia B. Gouveia e Simone D. Gardinali Novacinsk.

[7] Participaram do projeto, como bolsistas de Iniciação Científica: Karina Chagas Louzada, Magno Vieira da Silva, Midori Arima Figueiredo,  Priscilla Sandra Nicoletti e Isabel Michele Ferreira de Sousa, e,  como bolsista de Apoio Técnico, Paola de Marcos Lopes dos Santos.

[8] Na base de dados Uniex, por exemplo, constam teses e dissertações que foram defendidas em cursos de pós-graduação em Administração da UFBA e UFMG e Faculdades de Educação da PUC/RS e da Unesp de Marília (SP) nas quais os temas e os objetos estudados são inerentes às Relações Públicas e à Comunicação Organizacional.

[9] Por exemplo: REIS, Maria do Carmo. Communication & change: an empirical study on the inportance of communication for strategic change. EUA, 2000. Tese (Doutorado) – UK Warwick University. Síntese do trabalho de Maria do Carmo Reis foi apresentado no Núcleo de Estudos de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, da Intercom, no XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, em Salvador (BA), de 01 a 05 de setembro de 2002;  PENTEADO, Roberto. Efects of public relations roles and models on quality committed brazillian organizations. Flórida, 1996. Dissertação (Mestrado) – Graduate School of the University of Florida. Agradeço a Jorge Duarte por ter contatado esse autor e obtido a informação no âmbito da Embrapa, em Brasília.

[10] Para o estudo das dissertações de mestrado da Famecos-PUC/RS, a coordenação do projeto contou com a colaboração de Cleusa M. Andrade Scrofernecker, professora dos cursos de graduação e pós-graduação dessa instituição e de seus alunos-bolsistas, aos quais registramos nossos agradecimentos.

[11] Andrade e Torquato seriam pioneiros também com suas teses de livre-docência em Relações Públicas – Relações públicas na administração pública direta e indireta (Andrade, 1978) – e em Comunicação Organizacional – Comunicação e organização: o uso da comunicação sinérgica para obtenção da eficácia em organizações utilitárias (Torquato, 1986).

[12] Os programas reconhecidos pela Capes são os das seguintes instituições, com seus nomes e níveis (Mestrado e Doutorado):  FCSCL (Comunicação e Mercado – M); Unisinos (Ciências da Comunicação – M/D);  USP (Ciências da Comunicação – M/D); UnB (Comunicação – M/D); UFPE (Comunicação – M/D); UERJ (Comunicação – M); UFRJ (Comunicação – M/D); PUC/RJ (Comunicação – M);  Unimar - Universidade de Marília (Comunicação – M); Unip - Universidade Paulista (Comunicação – M); Unesp - Universidade Estadual Paulista/Bauru (Comunicação – M); UFBA (Comunicação e Cultura Contemporânea – M/D); UFRGS (Comunicação e Informação – M/D); UTP - Universidade Tuiuti do Paraná (Comunicação e Linguagens – M); PUC/SP (Comunicação e Semiótica – M/D); UFMG (Comunicação Social – M); PUC/RS (Comunicação Social – M/D); Umesp (Comunicação Social – M/D);  UFF (Comunicação, Imagem e Informação – M/D); Unicamp (Multimeios – M/D).

http://www.eca.usp.br/associa/alaic/boletin11/kunsch.htm#topo 

janeiro 2005